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Entrevistas
Reitora da UA entre julho de 2001 e janeiro de 2002
Isabel Alarcão - “Se queremos mudar o mundo, temos de apostar na Educação” (Nelson Mandela)
Isabel Alarcão
Dia 13 de março o Conselho Geral da Universidade de Aveiro (UA) elege um novo Reitor. Até lá, o jornal online da UA recorda as reportagens desenvolvidas na revista Linhas, nas edições de 2012, 2013 e 2014, com a vida e obra dos primeiros reitores da Academia de Aveiro. Isabel Alarcão é a antiga Reitora que se segue.

Nasceu menina de ouro. Pois que outro título poderia ter uma bebé com cinco irmãos rapazes que a rodeavam de mimos? Mas davam-lhe bonecas e não sabia brincar com elas. “Não me interessavam porque eu gostava era de jogar à bola com os meus irmãos”, recorda. Por isso a pequena Isabel até tinha uns sapatos para estragar, mesmo que um guarda-redes - posição de qualquer garoto sem jeito de pés para assuntos de bola – não precise muito de os usar.

Enganaram-se os irmãos nos motivos pelos quais a colocavam a irmã à baliza. Mas acertaram na posição. Uma equipa só ganha, um professor só ensina, um líder só avança e faz avançar se na retaguarda sentir segurança. A missão sempre assentou que nem uma luva a Isabel Alarcão, antiga Reitora da UA e referência nacional na área da Educação e Formação de Professores, que só muito a custo deu na vida a cara às luzes da ribalta.

Não foi no campo que a princesinha Isabel veio à luz mas é o verde a cor que recorda ter pintado a sua infância. O centro de Coimbra dos anos 40 do século passado era então um mundo feito de árvores e jardins onde a pequena Isabel cresceu. Passou a infância num sorriso do Jardim da Sereia para o Botânico, de lá para cá e de cá para lá nos baloiços, na vertigem dos escorregas e nas imensas tardes a defender (ou a tentar) os remates à baliza dos irmãos no quintal da casa.

“Era um bocadinho a princesinha da família. Mas isso não quer dizer que tenha sido estragada com mimo”, avisa desde já Isabel Alarcão. A infinita quantidade de beijos e abraços com que a benjamim foi brindada pelos pais e pela rapaziada lá de casa durante toda a infância não a 'estragaram'. Mas marcaram-lhe indelevelmente o rosto com um ar de menina que, sem esforço, torna fácil imaginá-la traquinas com as trancinhas rebeldes atrás da bola. “O que eu gostava mesmo era de andar na brincadeira com os meus irmãos”, descreve.

Depois, e já lá vamos aos pormenores, a pequena Isabel saiu da infância igualmente tocada para sempre na forma como admirava os irmãos e como achava estar aquém das qualidades (nomeadamente das intelectuais) de cada um deles.

Sorri de novo. Sorri muito. “Éramos muito felizes e tínhamos muita liberdade mas éramos uma família muito disciplinada onde até imperava uma certa austeridade”, recorda Isabel Alarcão. Numa família de seis filhos, num cenário económico e social pautado pela II Guerra Mundial, as dificuldades e os condicionamentos para alimentar uma mesa enorme, porém, não chegaram para quebrar lá em casa nenhum sorriso e muito menos nenhum futuro. Pelo contrário, se há uma trave mestra na vida de Isabel Alarcão, para além do rosto iluminado, é a organização que aprendeu a ver em casa e a usar desde então como uma valiosa ferramenta na vida.

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1941 – Isabel Alarcão ao colo do irmão mais velho

A Universidade de Coimbra, e o consequente meio académico, serviram igualmente de bússola a Isabel Alarcão. A referência, uma constante na vida da jovem conimbricense não só pela presença física da academia mas também nas carreiras académicas que todos os irmãos foram seguindo à semelhança do avô e do pai, não constituía, no entanto, fonte de desejo. Pelo contrário. “Achava que a Universidade era para os meus irmãos pois eles é que eram muito bons, eles é que eram os intelectuais. Eu, em termos de intelectualidade, achava que era um bocado a ovelha ranhosa da família”, graceja. As circunstâncias da época, que levaram cada um dos irmãos a estudar no Liceu D. João III, uma referência nacional do ensino, cujo acesso era, ao tempo, vedado a raparigas, atiraram-na, no final do ensino primário, para uma outra escola de Coimbra bem menos conceituada.

“Todos eles tiveram excelentes professores e cresci maravilhada a ouvir as histórias que traziam das aulas”, lembra. Por outro lado, também era a mais nova da casa e, por isso, “sabia sempre muito menos coisas do que eles”.

As voltas do destino

Talvez influenciada por alguma tendência genética numa família com propensão para o professorado “queria ser educadora de infância”. Fugia assim à Universidade de Coimbra e apontava o destino para Lisboa, pois só aí havia escolas que qualificavam aquelas profissionais. Mas uma apendicite com peritonite trocou-lhe as voltas à vontade. Aos 14 anos esteve seis dias em perigo de vida e no ano seguinte teve de regressar à sala de operações. Muito fragilizada durante meses, os pais viam com preocupação a ideia da jovem ir estudar para longe. Aquiesceu, disse não a Lisboa e à educação de infância e resolveu terminar o secundário. Mas o bichinho da educação estava lá…

Terminou o liceu na área de Letras/Línguas. Um pouco contrariada, ingressou mesmo em Germânicas na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Corria o ano de 1957.

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1960 - Cortejo da Queima das Fitas em Coimbra (à direita, Isabel Alarcão)

Poderia ter escolhido outro curso superior? Claro que sim. Ao contrário do que pensava, podia ter escolhido qualquer um porque aptidões não lhe faltavam. Na Matemática, por exemplo, era excelente. “Os professores diziam que nos números eu era muito boa, mesmo”, lembra. Causou por isso no colégio um espanto geral por não ter seguido aquela área. “De facto eu adorava matemática mas para seguir ciências tinha de ter Química que eu detestava, porque os meus professores só me faziam decorar fórmulas”, justifica-se. Ainda hoje, reconhece, tem alguma pena de não ter ido para Matemática. Relembra o gosto pela geometria no espaço: “Via aqueles planos todos à minha frente”, diz.

Quanto às forçadas Germânicas, estas foram, como previa, uma certa desilusão. “Não gostei do curso”, recorda. Porém, gostou de viver a universidade nos anos 60 em que tudo estava em ebulição. Fora das salas de aula, Coimbra fervilhava.

“Gostei muito da vida académica mas mais a da parte extracurricular”, aponta. Conheceu muita gente, conversou muito, muito e envolveu-se intensamente na vida associativa, principalmente na Juventude Universitária Católica (JUC) onde diz ter ganho competências no trabalhar em equipa, na responsabilização do trabalho individual em prol do grupo e no pensar nos outros. “Era uma altura em que sentíamos que havia qualquer coisa que ia ser diferente. Em Coimbra era difícil escolher o que se ia ver. A riqueza de conferências, de reuniões, de filmes nos cinemas era tanta, tanta, tanta que tínhamos dificuldade em escolher. Foi uma grande escola de vida”, recorda Isabel Alarcão.

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1961 – O colega David Vieira ensina Isabel Alarcão a fazer o grelo corretamente depois de lhe ter dado com a colher de pau mas unhas como manda a praxe

Não tinha ainda concluído o curso e já um professor lhe indicava uma vaga de trabalho na empresa alemã Bayer, nos escritórios de Lisboa. Recusou. Afinal queria mesmo era ser professora. Assim foi. Nos sete anos seguintes lecionou na Póvoa de Varzim, na Figueira da Foz e em Coimbra. Não se enganou. "Vi logo nos primeiros anos enquanto professora que era mesmo isso que queria fazer para o resto da vida", lembra Isabel Alarcão. À paixão por ensinar os jovens estudantes juntou igualmente o prazer da formação de professores. Mais do que uma vocação, o amor por esta última área descobriu-o quando foi colocada no Liceu D. João III – o tal em que não pode estudar à semelhança dos irmãos por ser menina – e o Reitor da instituição lhe confiou a orientação de estágios de alemão, com o seu grande mestre, o professor Leitão de Figueiredo. Adorou a experiência de acompanhar e ensinar futuros docentes, "uma forma indireta de se chegar aos alunos trabalhando com adultos". E o amor foi tal que cedeu ao desafio de concorrer a uma bolsa para fazer o mestrado em "Curriculum and Instruction" na Universidade do Texas. Viajou para os Estados Unidos em agosto de 1974 "com pena de não poder continuar no país para viver a construção pós-25 de abril".

Um ano depois regressa para dar aulas no Liceu da Figueira da Foz. Mas por pouco tempo. Uma nova etapa se avizinhava, mais uma vez empurrada pelas circunstâncias. “Lembro-me bem de ter visto um anúncio para assistente convidada na UA na área da didática de línguas”, diz. Não concorreu mas o mapa estava-lhe já traçado para lá. Pouco tempo depois recebeu um telefonema.

Do outro lado da linha um dos membros da Comissão Instaladora da UA, que a conhecia do curso de Coimbra e que, muito bem informado, sabia que Isabel Alarcão tinha feito um mestrado na área da didática das línguas, disse-lhe que a jovem academia precisava muito dessas suas qualificações.

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1967 – No dia da formatura, a praxe de cortar a gravata às raparigas. Isabel Alarcão (à esquerda) com a colega Adelaide Pegado, o vizinho e amigo Barbosa de Melo e o irmão Rui

A caminho de Aveiro

Aceitou o desafio e chegou a Aveiro em abril de 1976 com a premissa de dar um contributo no arranque da academia e de voltar em seguida para a docência no ensino secundário. “Isso era ponto assente, pois para continuar na Universidade teria de fazer o Doutoramento e eu já estava farta de estudar”, lembra.

Mas o destino uma e outra vez… “Comecei a envolver-me muito na área da formação de professores e a dada altura o Professor Fernandes Thomaz, Vice-reitor à época, disse-me que gostavam muito de mim mas que para continuar na UA tinha mesmo de fazer o doutoramento”. E o coração, que batia já forte pela UA ganhou, como sempre, à razão. Não resistiu e foi para a Universidade de Liverpool, em Inglaterra, doutorar-se em Educação. E ficou, até se aposentar, na UA como uma das grandes obreiras do trabalho que tornou a academia um farol nacional na área da didática e formação de professores. Uma referência que começou a ser construída em 1977, ano em que a UA foi visitada por peritos do Banco Mundial que, face ao modelo de formação de professores em vigor na instituição e ao empenhamento e ideias manifestados nas reuniões, decidiu propor ao Ministério da Educação um projeto inovador: a criação do Centro Integrado de Formação de Professores (CIFOP). O novo organismo interdisciplinar da UA, de cujo nascimento Isabel Alarcão foi uma das parteiras no papel de membro do primeiro grupo de trabalho e, mais tarde, presidente da primeira comissão coordenadora e de gestão, assumia a missão de organizar e coordenar a formação de professores de todos os níveis de ensino, a relação com as escolas e a investigação educacional.

Professora catedrática desde 1990, Isabel Alarcão desempenhou igualmente cargos de gestão universitária de grande responsabilidade na UA. Para além dos que assumiu no CIFOP, foi presidente do Conselho Científico, Vice-reitora e Reitora na sequência da nomeação, para Ministro da Educação, de Júlio Pedrosa. Na vice-reitoria coordenou o importante processo de desenvolvimento curricular intitulado Repensar os Currículos e incentivou a introdução do modelo de aprendizagem à base de projetos na Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Águeda.

Integra, desde a sua criação em 1993, a Unidade/Centro de Investigação Didática e Tecnologia Educativa na Formação de Formadores.

Com intensa atividade na orientação de assistentes, mestrandos e doutorandos, tem participado em inúmeros júris de provas académicas, desenvolvido projetos de investigação, apresentado comunicações e proferido conferências em reuniões científicas no país e no estrangeiro. De entre as suas publicações destacam-se nove livros, 35 capítulos de livros e cerca de uma centena de artigos. Paralelamente, Isabel Alarcão tem também exercido funções de consultoria e peer review e atuado como membro de instituições com destaque para a American Educational Research Association, a British Educational Association, a Sociedade Portuguesa de Ciências da Educação ou o Centro de Investigação, Difusão e Intervenção em Educação. É membro do Conselho Editorial de revistas nacionais e internacionais e codiretora da Coleção NovaCIDInE, editada pela Porto Editora.

Pesada uma vida inteira dedicada à causa da Educação, não admira que Isabel Alarcão, que em menina achava que a Universidade não era para ela, seja hoje uma referência, no país e no estrangeiro, na concetualização do papel das didáticas específicas na formação de professores e na área da Supervisão.

Reformada há 10 anos não parou. “Tenho muitos convites para escrever livros e capítulos de livros, artigos e conferências e às vezes ainda pedem para dar uma ou outra aula de mestrado e doutoramento”. Como gosta de citar, Nelson Mandela escreveu um dia: “Se queremos mudar o mundo, temos de apostar na Educação”. E estamos a consegui-lo? “Não sei… Acho que temos de ser mais exigentes”.

A primeira senhora Reitora da UA

“Costumo dizer que passei pela Reitoria”, graceja. Os seis meses em que teve nas mãos os destinos da UA, que este ano comemora 40 anos de vida, talvez sirvam para compreender a fugaz e modesta análise da antiga Reitora que apenas faz jus à quantidade de tempo e não à qualidade do trabalho desenvolvido. De julho de 2001 a janeiro do ano seguinte, a Vice-reitora Isabel Alarcão, substituindo Júlio Pedrosa, que no último terço do segundo mandato foi chamado pelo então Primeiro- Ministro António Guterres para liderar o Ministério da Educação, assumiu a missão que se viria a tornar “uma das experiências mais gratificantes” da sua vida: ser Reitora da UA.

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2001 – O ministro da Educação Júlio Pedrosa e a Reitora Isabel Alarcão durante a sessão de comemoração do aniversário da UA

Peixe na água na retaguarda dos líderes, tremeu com o convite repentino. “Fui apanhada por um telefonema a meio de uma viagem de autocarro entre Londres e Oxford onde ia participar numa conferência”, recorda. Do dia lindo, “daqueles raros em Inglaterra”, esperava tudo menos um recado para falar urgentemente com o Reitor Júlio Pedrosa. A boa disposição, um estado que lhe assenta em permanência, sofria naquele e nos próximos dias um interregno abrupto.

– ”Não me digam que o Reitor vai para ministro!?”, respondeu uma surpreendida Isabel Alarcão lembrando-se dos “zuns zuns” que já circulavam no país.

– “Não me faça perguntas”, disse-lhe enigmaticamente Lurdes Ventura da Reitoria e portadora da missiva.

Curiosa mas muito receosa com o pedido urgente – estava mesmo a suspeitar que uma trovoada estava a caminho – entra em - “Isabel, queria que me substituísse na Reitoria”, atira-lhe. Confirmava-se. Júlio Pedrosa aceitara o convite de António Guterres. O Ministério da Educação era a próxima paragem de um Reitor que ainda tinha alguns meses de mandato na UA e a preocupação primeira de que o trajeto da academia em nada sofresse com a mudança (ver Linhas nº20).

Não conseguiu dormir nesse dia. “Foi a única noite da minha vida que não preguei olho”, recorda hoje Isabel Alarcão. “Adoro ser a segunda figura e detesto ser a primeira porque não tenho confiança em mim para sentir toda a responsabilidade”, confessa quem quase sempre fez trabalho de retaguarda porque, por outro lado, tem “muita confiança para ajudar a pessoa que está em primeiro plano”.

Na pesada insónia dessa noite gritavalhe ao ouvido a certeza de que não podia negar o pedido. Do confronto da razão e emoção, desse “dilema terrível” entre o não e o sim, decidiu um coração aberto ao desafio para o qual muito contou com o apoio da restante equipa reitoral. “Devo dizer que foi para mim extraordinariamente difícil aceitar. Mas disse que sim porque senti uma enorme responsabilidade e um compromisso com uma espécie de cidadania universitária”, lembra.

Uma experiência gratificante

Os receios da nova Reitora, a primeira na UA e uma das pioneiras a assumir tamanho cargo no ensino superior português, revelaram-se, afinal, infundados. “Foi uma experiência muito boa. As pessoas ajudaram-me imenso”, recorda. Sentir o coletivo de pedra e cal em seu redor é mesmo a memória mais grata que guarda no baú de mais de 30 anos ao serviço da UA: “Creio que toda a comunidade universitária percebeu que eu aceitei o desafio porque, ainda que eu quisesse dizer que não, não tinha coragem para o recusar”.

“Senti que a comunidade académica, quer os professores, quer os funcionários e os estudantes, esteve ao meu lado. E os meus colegas vice-reitores e pro-reitores foram extraordinários e ajudaram-me imenso a fazer uma reitoria muito colegial, a única que se impunha, uma vez que eu vinha de entre eles”, homenageia.

E que estratégia adotou enquanto Reitora? “Seria muito estranho dizer que, naquelas circunstâncias de transição, eu implantei uma linha estratégica minha”, aponta. Assim, em cima da mesa da nova Reitora estiveram dois fios condutores de trabalho. “O primeiro era continuar o caminho que estávamos a seguir desde a fundação da UA e de que o próprio Professor Júlio Pedrosa era partidário”, descreve. A segunda missão abraçada por Isabel Alarcão “consistiu em criar as condições para que se realizassem eleições para eleger o novo reitor”, um escrutínio que acabou por acontecer em dezembro de 2001 e que fez de Helena Nazaré a Reitora que se seguiu na cadeira maior da academia.

Houve, contudo, uma premissa que Isabel Alarcão, e toda a restante equipa reitoral, assumiu durante aqueles seis meses: a Universidade não podia ficar parada à espera das eleições. “Sendo um período de interregno poderia haver a tendência para se aguentar o barco no mesmo local à espera que o novo reitor fosse eleito para decidir. Pelo contrário, nós achámos que a UA não podia parar e que tinha de continuar na sua dinâmica”, afirma.

Com o leme nas mãos de Isabel Alarcão, ainda que a prazo, a equipa reitoral tomou todas as decisões como se o mandato fosse continuar. No final, soltou as rédeas da instituição, entregou-as a Helena Nazaré, e regressou ao não menos importante segundo plano da academia onde sempre gostou de estar. A Didática e a Supervisão, as áreas da sua paixão, – o que seria da escola e dos professores sem as redes que na retaguarda os suportam? – aguardavam-na. “É mesmo longe dos holofotes que gosto de trabalhar”, sublinha entre risos.

Vestir a camisola da UA

Olhando para trás, até 1976, ano em que chegou à UA, Isabel Alarcão faz “uma avaliação de excelente do caminho que a academia aveirense tem percorrido, quer em termos da qualidade do ensino, quer em termos da investigação que aqui se tem produzido”. A antiga Reitora não esquece também a forma como a UA se tem ligado à comunidade, nomeadamente ao tecido empresarial, uma ponte cujos primeiros alicerces foram plantados há 40 anos “numa altura em que não era muito habitual fazer-se isso nas universidades”.

A osmose recíproca entre a UA e o meio que a envolve, sublinha, é mesmo a chave do sucesso de uma academia que soube crescer e afirmar-se dentro e além-fronteiras. “Na sua constante abertura à comunidade, a UA influencia a sociedade mas, por outro lado, também deixa que a sociedade a influencie. Esta é uma casa que tem estado sempre muito aberta ao que está a acontecer para se poder adaptar e ter a resposta certa”, aponta Isabel Alarcão.

Nesse sentido, e de olho no futuro, Isabel Alarcão “gostava que a UA continuasse na trajetória que tem seguido, uma trajetória com visão, que visa a qualidade e em que as pessoas se sentem empenhadas na participação na vida universitária”. Mais, a antiga responsável “gostava que no futuro as pessoas continuassem a vestir a camisola da Universidade como até aqui tem sido vestida”. E deixa o repto: “É preciso que todos se sintam identificados com a ideia da UA para a poderem continuar a construir”.

 

Nota: este artigo foi publicado na edição número 21 da revista Linhas

 

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