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Cultura
Concerto dos Festivais de Outono com dois organistas na Sé de Aveiro
De Wagner à modernidade, órgão a quatro mãos
Organistas António Mota e André Pires
Os organistas António Mota, docente da Universidade de Aveiro, e André Pires, aluno de mestrado, interpretam Wagner e compositores ingleses ou com carreira consolidada em Inglaterra no próximo concerto dos Festivais de Outono 2017. Com o título “De Wagner à modernidade, a quatro mãos”, o concerto decorre a 10 de novembro, a partir das 21h30, na Sé de Aveiro.

O núcleo do programa em “De Wagner à modernidade, a quatro mãos”, assenta numa temática inglesa. O programa começa com Wagner, embora a partir de um arranjo do organista inglês Edwin Lemare, e inclui também uma composição de António Mota sobre um tema de Hubert Parry.

Os compositores e as composições

O fragmento de ópera de Wagner que dará inicio ao concerto dispensa apresentações. Mas quanto ao arranjo (para órgão a quatro mãos/pés), importa referir que teve como base um notável trabalho prévio de Edwin Lemare (virtuoso organista e compositor inglês, falecido em 1934). À base de Lemare (para órgão-solo) foram acrescentadas linhas extra, conforme o espírito do original de Wagner.

O núcleo principal do programa assenta numa temática inglesa. No início é interpretada uma obra de homenagem a Sir Hubert Parry e à sua belíssima melodia-coral, composta exatamente há 100 anos, e que se tornou praticamente num segundo hino nacional de Inglaterra, afirma António Mota. John Rutter escreve essencialmente música coral, de carácter religioso, sendo que a sua visão composicional lhe rende uma popularidade apreciável. Para órgão a duas mãos, Rutter compôs em 1983 uma série de variações, sobre a melodia gregoriana “O Filii et Filiae”. De Percy Whitlock será tocada uma marcha que o compositor escreveu para banda, em 1932-33 - a inspiração de "Dignity and Impudence" nada fica a dever às conhecidas marchas sinfónicas de Elgar, considera o organista e docente da UA. Kenneth Leighton, ilustre compositor e pianista, com quase 100 obras no seu currículo, funde a tradição inglesa com a de outros compositores vanguardistas europeus de meados do séc. XX. O seu estilo, caracteriza Mota, é marcado pelo liricismo, mestria contrapontística, neo-modalismo cromático e invenção rítmica, como os "Martyrs" (obra de 1976) bem ilustram. Nascido no Líbano, Naji Hakim vai para Paris estudar engenharia e órgão, complementando mais tarde a sua formação no Trinity College of Music de Londres. Vencedor de inúmeros prémios, como compositor e organista-improvisador, Hakim foi organista-titular da igreja da Sainte-Trinité de Paris, entre 1993-2008, sucedendo a Olivier Messiaen após a sua morte. Hakim, salienta Mota, “é, dos compositores de atual geração, dos que mais inova (e renova) a escrita para órgão, combinando elementos populares com fórmulas improvisatórias, debaixo de um tratamento rítmico inebriante”.

Os intérpretes

António Mota

É doutorado em Música pela UA (tese sobre Olivier Messiaen, orientada pelo Prof. Doutor João Pedro Oliveira) e licenciado em Órgão pela Escola Superior de Música de Lisboa (sob orientação do Prof. Antoine Sibertin-Blac, com nota final de curso máxima e diploma de mérito pelo Instituto Politécnico de Lisboa). Leciona Órgão (e outras disciplinas específicas deste instrumento) na UA. Foi (i) formador na EDMUSA - Escola de Música Diocesana de Aveiro (harmonia prática, acompanhamento litúrgico e improvisação), (ii) membro da direção da AMPO - Associação Musical Pro-Organo; (iii) orientador de masterclass de Órgão nas Semanas Gregorianas em Viseu (2013-2015). Foi organista titular da Igreja do Sagrado Coração de Jesus em Lisboa, de 1989-2004. Colaborou também frequentemente na Sé Patriarcal de Lisboa, como organista substituto do Prof. Antoine Sibertin-Blanc. Em 1997 recebeu um primeiro prémio ex-equo no 1º Concurso Nacional de Jovens Organistas na Cidade do Lis, em Leiria. Como organista, tem desenvolvido atividade em Portugal e no estrangeiro.

André Pires

Iniciou os estudos musicais em 1999, aos 6 anos de idade, na Academia de Música de Vilar do Paraíso (Gaia), onde ingressou, em 2003, na classe de Órgão do Prof. António Mota, sob cuja orientação concluiu o curso com a classificação máxima. Durante este período venceu o prémio de interpretação “Helena Sá e Costa”. Entre 2009 e 2011 aperfeiçoou os seus estudos, sob a orientação do mestre Giampaolo di Rosa. Em 2011 entra na Licenciatura em Música na UA, onde estudou Órgão sob a orientação dos professores Edite Rocha e António Mota, tendo realizado com nota máxima todos os exames da disciplina de Órgão. Atualmente, frequenta o Mestrado em Ensino da Música na mesma instituição. Tem a vindo a desenvolver atividade como organista.

 

FO2017 - “De Wagner à modernidade, a quatro mãos”

António Mota, André Pires - órgão

10 de novembro, 21h30, Sé de Aveiro

Programa 

Richard Wagner (1813-1883) / arr. António Mota: "Der Ritt der Walküren"

António Mota (1971-): "Jerusalem /And Did Those Feet in Ancient Times", sobre um tema de Hubert Parry (1848-1918)

I. Introito; 

II.  Stanzas;

III. Fuga/Sortie

John Rutter (1945-): "Variations on an Easter Theme"

Percy Whitlock (1903-1946) / arr. Malcolm Riley: "Dignity and Impudence (March)"

Kenneth Leighton (1929-1988):"Martyrs - Dialogues on a Scottish Psalm-tune", op. 73

Naji Hakim (1955-): "Rhapsody"

I. Allegro molto

II. Andante sostenuto

III. Vivace 

IV.  Andante tranquillo; Allegro giocoso

V. Quodlibet

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