conteúdos
links
tags
Investigação
A grande temática dos Materiais tem sido das mais fecundas na investigação marca UA
Materiais de muitas faces e escalas mudam cada vez mais a nossa vida
A investigação na área dos materiais tem sido mais mais fecundas da UA
A Ciência e a Engenharia de Materiais, na UA, é uma área de enorme relevância no ensino, produção científica, transferência de tecnologia e prestação de serviços, elevando a instituição para o topo dos rankings nacionais e internacionais. O encontro internacional Materiais 2017, evento da Sociedade Portuguesa de Materiais (SPM) em parceria com a UA (de 9 a 12 de abril de 2017), foi demonstrativo do trabalho desenvolvido na Universidade nesta área e ajudou a desenhar neste artigo uma panorâmica que não pretende ser exaustiva das competências da UA.

Os materiais avançados são uma das 12 áreas de desenvolvimentotecnológico que, segundo um relatório do McKinsey GlobalInstitute, publicado em 2013, mudarão a nossa vida, os negóciose a economia global. Numa apreciação sobre a investigação realizada, o relatório aludia à produção de novos materiais queconduzem a inovações num leque muito alargado de sectores,desde a construção civil à medicina. Estas inovações incluem materiais inteligentes auto-regeneráveis ou auto-limpantes, metais com memória capazes de voltarem à forma original, materiais cerâmicos piezoelétricos e cristais que transformam pressão em energia e ainda os nanomateriais. De entre as inovações referidas, o relatório destaca o tema nanomateriais avançados devido às suas potenciais aplicações de elevado impacto.

Os nanomateriais obtêm-se pela manipulação da matéria à escalana nométrica, tipicamente, menor do que 100 nanómetros quese aproxima da escala molecular. A forma como a matéria se organiza a esta escala induz propriedades muito diferentes dasconhecidas à macroescala, o carbono ou a argila são dois dos exemplos mais expressivos. Àquela escala, uma maior reatividade, propriedades elétricas invulgares e enorme resistência por unidade de peso, abrem possibilidades inimagináveis à Medicina, originam novos produtos farmacêuticos, permitem revestimentos extraordinariamente lisos e compósitos mais resistentes, entre muitas outras aplicações.

Um dos casos em que as propriedades dos materiais mudam,consoante a escala, é o grafeno. Forma cristalina de carbono em camada de espessura atómica, que tanto interesse tem despertadonos investigadores ao longo das últimas décadas, o grafenoencerra enormes expectativas quanto a aplicações futuras, naárea da eletrónica, dispositivos de produção de energia, tintas emateriais compósitos. A UA não é exceção quanto ao interesse daciência nesta área específica dos nanomaterais, quer em termosde produção científica, quer em casos de valorização económicae transferência de tecnologia (ver caixa sobre a empresaGraphenest).

A Ciência dos Materiais inclui, de acordo com definição dabase de dados SCOPUS (da editora Elsevier), biomateriais,materiais cerâmicos e compósitos, materiais eletrónicos, óticos emagnéticos, metais e ligas metálicas, plásticos e polímeros e aindasuperfícies, revestimentos e películas. Um leque muito abrangentede campos de investigação.

Num documento publicado pela Direção-Geral de Estatísticasdo Ensino Superior e Ciência e relativo ao período 2008-2012,a UA é, na área de Ciência dos Materiais, a instituição de ensinosuperior com maior impacto agregado das publicações indexadasproduzidas por docentes pertencentes a unidades de I&D, num conjunto de 13 instituições de ensino superior nacionais comprodução científica nesta área (dados de 2014). A UA surgia, ainda, à frente no número de docentes da instituição pertencentesa unidades de I&D de Ciência dos Materiais com maior impactoindividual na área (top 25% nacional), considerando o mesmoperíodo (2008-2012).

Origem na cerâmica e vidro

Na área dos materiais cerâmicos, mastambém envolvendo outras áreas daengenharia, vários projetos em colaboraçãocom a indústria surgem em linha coma experiência do CICECO-Instituto deMateriais de Aveiro, laboratório associado, e do Departamento de Engenhariade Materiais e Cerâmica (DEMaC) –, contribuindo para os progressostecnológicos da indústria cerâmica, assimcomo para a criação de novos produtos,serviços e tecnologias.

Alguns destes projetos, enumerava Jorge Frade, investigador do CICECO e docentedo DEMaC, num resumo sobre o trabalhonesta área dos materiais (cerâmicos), em 2015, visam diferentes formas devalorização de materiais clássicos,sobretudo nos sectores dos revestimentose pavimentos e da cerâmica utilitária edecorativa, mediante incorporação denovas funcionalidades.

Projetos como DecorGlass, uma parceriaentre a UA e a Vista Alegre que visadesenvolver uma nova técnica de decoração e coloração para peças cerâmicas apartir de nanopartículas, e o já concluído Thermocer que desenvolveu pavimentoscerâmicos para pisos elétricos radiantes, porincorporação de materiais com mudançade fase (PCM), são apenas dois exemplos.

O projeto Thermocer resultou de umacolaboração entre a empresa CINCA, oCICECO, o DEMaC e o Centro Tecnológicoda Cerâmica e do Vidro (CTCV).

Outros projetos têm como objetivo aintegração de materiais cerâmicos emdiferentes tecnologias e em grandes linhas temáticas atuais, tais como habitação,energia e ambiente, comunicações esaúde. Há ainda os que procuram odesenvolvimento de novos conceitose processos de fabrico que poderãorevolucionar a produção industrialcerâmica, ajustando o fabrico aosinteresses do consumidor final e superandocondicionalismos e limitações das atuaistecnologias de produção massificada.

Foi, precisamente, com a Engenharia deCerâmica e Vidro, o primeiro curso destaárea em Portugal, que se iniciou, em 1976, a atividade em Materiais na UA e, com ela (e com a Eletrónica e Telecomunicações), uma relação precursora com as empresase a indústria. O professor e investigadorJoão Lopes Baptista, convidadopara iniciar esta área pelo primeiro Reitorda UA, Vítor Gil, teve um papel centralneste processo, assim como na criaçãoda então designada Associação deApoio à Cerâmica, envolvendo a UA e 25 empresas deste setor. A criação destaassociação e o apoio da indústria permitiuo apetrechamento do Departamentode Engenharia Cerâmica e do Vidro,mais tarde, designado Departamentode Materiais e Cerâmica. O primeiro microscópio eletrónico de varrimento da UA foi comprado com apoio da Associação de Apoio à Cerâmica e daFundação Calouste Gulbenkian.

Relevância internacional

Na produção científica da UA na área dosMateriais, distribuída por diversas unidadesde investigação e departamentos, destaca-se a produção científica do CICECO. Reunindo 373 membros, este laboratório associado da UA é um dos maiores centros de investigação europeus em Ciência dos Materiais e Nanociências. Integra competências dosdepartamentos de Química, de Materiais e Cerâmica e de Física, abordando os materiaisde forma holística – modelação, síntese, estrutura, propriedades, dispositivos einterfaces com a indústria –, a várias escalas e nas suas diversas expressões: cerâmicos, materiais orgânicos, materiais híbridos e materiais compósitos.

Quanto ao número de citações, e deacordo com a base de dados Web ofScience, o CICECO está na posição 138ªno mundo e 30ª na Europa, totalizando31% das citações em Ciência dos Materiaisem Portugal. Se, nesta contabilização,forem excluídas as redes nacionais deinvestigação em Espanha, França eAlemanha, respetivamente, o ConsejoSuperior de Investigaciones Científicas(CSIC), o Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS) e o Max Planck Institute, o CICECO sobe ao 20º lugar daEuropa no número de citações. Nas áreasde Nanociência e Nanotectologias, estelaboratório associado é responsável por 13% das citações científicas portuguesas.

O reconhecimento nacional e internacionaldo trabalho que tem vindo a ser realizadopor diversos investigadores do CICECO também é sugestivo da relevância dotrabalho desenvolvido, como são oscasos de João Rocha, diretor doCICECO, de Andrei Kholkin, fellow doInstitute of Electrical and ElectronicsEngineers (IEEE), João Mano,Mário Ferreira, Paula Vilarinho e Mara Freire. Luís Carlos e João Coutinho estão entreos cientistas nacionais maiscitados em cada uma dassuas áreas.

Embora os temas e possíveisaplicações sejam muito variados,predominam estudos sobremateriais mais eficientes e commenores impactes ambientais,ou trabalhos sobre materiais quesuscitam novas aplicações, sendotambém relevantes os casos em que oestudo dos Materiais se cruza com a Saúdeou com a fotónica (temas já tratados nasedições 23 e 26 da revista Linhas e, por isso,não tratado nesta edição).

Referem-se alguns, entre muitos outros projetos e áreas de trabalho. A produção dos plásticos do futuro, por exemplo, através de ácido furanodicarboxílico (FDCA) obtido a partir de açúcares das plantas (Andreia Sousa, Carla Vilela, Carmen Freire, Marina Matos e Armando Silvestre). A recém-descoberta termorreversibilidade em sistemas aquosos bifásicos, altamente eficazes e ecológicos, cada vez mais usados pela indústria para separar e purificar compostos para fins tão diversos como produtos alimentares ou farmacêuticos (Helena Passos e Andreia Luís, João A. P. Coutinho e Mara G. Freire). Os nanomateriais híbridos utilizados como substratos em espetroscopia de Ramancom intensificação em superfícies (SERS,em inglês) - Sara Fateixa, Helena Nogueira e Tito Trindade. O desenvolvimentode membranas poliméricas, materiaiscompósitos ou de líquidos iónicos para aplicação em pilhas de combustível eo desenvolvimento das próprias pilhas,sempre com o hidrogénio como vetorenergético (projeto que também envolve outras instituições de ensino superior portuguesas, coordenado por Filipe Figueiredo).

Em 2016, o CICECO desenvolveu 57 projetos, não contabilizadas as parcerias com a indústria, sendo 18 deles projetos europeus. O CICECO contabiliza umtotal de 129 patentes, sendo 49 patentesinternacionais. As receitas provenientesda transferência de tecnologia, através deprojetos e serviços prestados às empresase entidades externas, totalizam 20% do orçamento do laboratório associado.

Nano, mecânica e materiais

Para além do CICECO, também o Institutode Nanoestruturas, Nanomodelaçãoe Nanofabricação (I3N) – o polo Física de Semicondutores, Optoeletrónica e Sistemas Desordenados (FSCOSD), instalado na UA –, e o Centro de Tecnologia Mecânica e Automação (TEMA), são unidades de investigação comatividade relevante nesta área.

Neste último caso, contudo, tratandosede uma unidade do Departamentode Engenharia Mecânica (DEM), notrabalho com Materiais predomina uma perspetiva de manipulação tendo em vista determinados fins e aplicações, embora também se desenvolvam novos materiais. António Bastos, diretor do TEMA,salienta que esta unidadede investigação dispõede uma completa gama de equipamentos quelhe permite ter "a maior capacidade instaladado país para ensaios mecânicos, caraterização e teste de materiais", incluindo um aparelho para análise XPS que identifica osconstituintes de superfícies (único na UA).

Das seis áreas de trabalho,ou grupos, do TEMA, ananoengenharia é a que sededica de modo mais evidente ao estudodos materiais em si mesmos. Entre vários outros exemplos de projetos desenvolvidos, surge o da infusão de óxido de grafeno, em pequenos sacos parecidos com os de chá, para descontaminar águas com metais potencialmente tóxicos, da autoria de Paula Marques, Gil Gonçalves e Mercedes Vila, do DEM, e Bruno Henriques e Maria Eduarda Pereira, do Departamento de Química/Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM).

O grupo de engenharia mecânica avançada fornece os dados físicos de determinado material ao grupo de simulação numérica que, a partir daí, faz o teste desse material tendo em vista objetivos pretendidos. Neste diálogo, podem surgir propostas de novas formulações do material. António Bastos refere o exemplo da conceção de novos perfis de alumínio com a mesma resistênciae menor espessura, para a empresa Bi-silque, no âmbito de uma tese de doutoramento de Xin Xue em Engenharia Mecânica Avançada.

O polo FSCOSD do I3N, polo de Aveiro, dedica-se, essencialmente, ao estudofísico, à produção e caraterização de novosmateriais com aplicações nas áreas daeletrónica, optoeletrónica, energia e saúdeentre outras, num misto de investigação fundamental e aplicada, mas semprecom atenção aos grandes problemasque envolvam a nanociência, esclareceArmando Neves, diretor desta unidadedo I3N. A investigação enquadra-se emquatro áreas fundamentais: modelação e comportamento dos materiais; nanofabricação emicro-tecnologias; sistemas nano e micro-estruturadosde semicondutores; caraterização físicade nanoparticulas e nanocristais inorgânicos.

Esta unidade tem desenvolvido um trabalho muito relevante, a nível internacional, nas áreas da ótica e fotónica,mais concretamente nodesenvolvimento de novos LED e OLED, assunto já tratado na revista Linhas 23 (dossier sobre a luz). Importa, assim, olhar para outros trilhos da investigação que são também relevantes.

As nanoestruturas de carbono, como nanotubos de grafeno, estão entre os temas de investigação mais prolíferos no I3N. Um desses trabalhos, especificamente, que faz uso das propriedades eletromecânicas do grafeno para desenvolver transdutores muito mais eficientes do que os atuais,no âmbito do doutoramento de Alexandre Carvalho, foi distinguido pelo Programa de Estímulo à Investigação da Fundação Calouste Gulbenkian, em 2016. As nanopartículas de óxido de zinco, para sensores de gás, ou de óxido de zircónio (dopado com iões de terras raras) que podem servir de sensores de diversas moléculas, perante a incidência de luz infravermelha, com eventuais aplicações na medicina, constituem mais duas linhas de trabalho lideradas por Teresa Monteiro e Florinda Costa. Por outro lado, continua oestudo de novas células solares, não tantocom silício, mas de filmes finos contendo ligas de selénio, cobre e zinco, crescidos por técnicas de baixo custo (coordenadopor António Cunha e Joaquim Leitão). Autilização de nanocristais semicondutorespara aplicações na (opto)eletrónica requer o estudo fundamental de várias propriedades, como o estudo das condições de dopagem (adição de impurezas químicas, como índio ou fósforo, para se obterem propriedadesde semicondução), da superfície e das propriedades de condução elétrica dos nanocristais semicondutores de silício (da responsabilidade de Rui Pereira). Estudam-se ainda novas estruturas magnéticas para aplicação em memórias não voláteis (sob liderança de Nikolai Sobolev) e de polímeros semicondutores para aplicação, por exemplo, em OLED e em células solares para cobrir grandes áreas (sob orientação de Luiz Pereira).

Outras facetas da Ciência dos Materiais

Para além destes polos da UA comprodução mais intensa e regular nestaárea, outros grupos vão produzindo novoconhecimento com contributos relevantes.

O Departamento de Geociências (DGeo)e o Departamento de Engenharia Civil (DECivil) são dois desses casos.

Na unidade de investigação Geobiotec, associada ao DGeo, tem sido efetuado o estudo de novas aplicações dos geomateriais tradicionais, de novas formulações com base em geomateriais, ou ainda a pesquisa à volta da valorização, através de novas aplicações, degeomateriais que eram antes resíduos deatividades diversas. Estas são vertentesdo trabalho do grupo coordenado por Fernando Rocha. Areias, argilas e lamasvulcânicas são casos de geomateriais que têm vindo a ser usados e estudados nadermocosmética; assim como formulações coloidais à base de argilas estão a ser estudadas para aplicação em emplastros, através de uma parceria com a empresa Exatronic, a Escola Superior de Saúde da UA e Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto.

Foi também no DGeo que foi desenvolvido um novo método, já patenteado, para utilizar cascas de ovo no fabrico demateriais cerâmicos, juntando a vantagem ambiental à económica. O método foi desenvolvido pelo investigador e professor José Velho.

O DECivil, por outro lado, tem vindo a desenvolver um vasto campo de atuaçãono que à reabilitação de edifícios diz respeito, sob coordenação de Ana Velosa, incluindo estudo dos materiais tradicionais na perspetiva de encontrar as soluções mais adequadas para reabilitação. O projeto"SOS Azulejo", por exemplo, coordenado pelo Museu de Polícia Judiciária, em parceria com a UA e várias outras entidades,que tem como meta a preservação do Património Azulejar Português e foi galardoado em 2013 com o "Grande Prémio Europa Nostra" atribuído pela Federação Pan-Europeia para o Património Cultural Europa Nostra sob a égide da Comissão Europeia. Um outro projeto, DB Heritage, com participação da UA e financiamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia, prevê a criação de uma base de dados de materiais tradicionais.

Expressão desta intensa atividade edas redes nacionais e internacionais que a comunidade científica aveirense tem vindo a estabelecer, o encontro científico internacional Materiais 2017 que decorreu, de 9 a 12 de abril na UA, cuja comissão organizadora foi presidida por Paula Vilarinho, abordou as áreas de materiais funcionais, materiais estruturais, tecnologias de processamento, caracterização e modelação. A este evento, que juntou o XVIII Congresso da Sociedade Portuguesa de Materiais e o VIII International Symposium on Materials, foram submetidos um total de 400 resumos de comunicação, traduzindo-se em 200 posters e 200 comunicações orais, três sessões plenárias e 11 palestrantes convidados, num debate sobre manufatura aditiva e ainda num show case de tecnologias e projetos.

Parte deste grande manancial deconhecimento que vai sendo produzido na UA vai ao encontro das necessidades de empresas e entidades externas, através de parcerias múltiplas. Entidades como o Cluster Habitat Sustentável (da qual a UAé membro fundador) e estruturas internasda UA, como as plataformas tecnológicas – caso de Moldes & Plásticos, Florestae Habitat@UA –, fazem a ponte entre oconhecimento científico em materiais e as necessidades da sociedade, facilitando e promovendo a relação com clusters, instituições e empresas.

Materiais: interfaces e parcerias

Na perspetiva dos Materiais, a Plataformade Moldes & Plásticos articula os conhecimentos da UA em polímeros sintéticos, tanto numa vertente de investigação, como de prestação de serviços, nomeadamente fazendo usodos equipamentos laboratoriais para análise química, térmica e mecânica. O desenvolvimento de revestimentos compósitos de base polimérica para aplicações de maior valor acrescentado são uma marca desse conhecimento. Por exemplo, através da adição de materiais de mudança de fase a polímeros sintéticos consegue-se melhorar o desempenho térmico de revestimentosde edifícios, como explica Ana Barros Timmons, uma das coordenadoras desta estrutura da UA e professora do Departamento de Química. Entrevários outros projetos, esta Plataforma e investigadores da UA participam na rede para a transferência de conhecimento em nanomateriais, CarbonInspired 2.0, uma rede de integração e disseminação de conhecimento de valor acrescentado baseado em nanopartículas para a indústria inserida no espaço SUDOE (Espanha,Portugal e sul de França). A associação Pool-net, entidade responsável pela dinamização do Cluster de Competitividade Engineering & Tooling, a Associação Portuguesa da Indústria de Plásticos (APIP) e a Bosch são pilares de outras parcerias. A parceria com a Bosch é, aliás, transversal a diversos grupos e unidades de investigação dentro da UA.

A Plataforma Tecnológica do Habitat@UA tem constituído um apoio na identificação dentro da UA de quem faz o quê no domínio da cadeia de valor do Habitat, promovendo a cooperação e a presença da UA no referido Cluster Habitat Sustentável, esclarece Victor Ferreira, coordenador desta Plataforma, presidentedo Cluster e professor no Departamentode Engenharia Civil.

O trabalho desenvolvido desde 2009 pelo Cluster Habitat Sustentável garantiu-lhe o reconhecimento nacional e internacional, tendo conseguido, em 2015, ser distinguido com o selo de excelência europeu Gold Label. Na abrangente cadeia de valor do Habitat que o Cluster representa, englobando as fileiras dos materiais de construção, da construção e do imobiliário, é evidente a presença e importância da indústria transformadora dos materiais: desde o setor extrativo aoda transformação em diversos produtos para o Habitat, passando depois pela área da construção e reabilitação até outras atividades como as dos fornecedores de bens e equipamentos. Como exemplo, duas recentes candidaturas a projetos mobilizadores de IDT, definidos como estruturantes no âmbito da estratégia do Cluster, nomeadamente na área da eficiência de recursos na indústria e das construções metálicas offshore, envolveram cerca de 60 entidades a nível nacional e contam com a forte participação da UA. Também com o apoio e mobilização do Cluster Habitat arranca a 1 de junho de 2017 o projeto denominado Paperchain, onde a UA participa com mais três empresas nacionais. Trata-se de um projeto vencedor num concurso no âmbito do H2020,versando a Economia Circular, onde se evidenciam duas ações de demonstração a realizar em Portugal na área dos materiais de construção.

Na atividade da Plataforma da Floresta,relacionada com madeira, resíduos agrícolas e florestais, destacam-sealguns projetos e parcerias, entre váriosoutros projetos. A parceria com a TheNavigator Company, um desses casos, incide na área de desenvolvimento de papel tissue, envolvendo diversos grupos de investigação em diferentes departamentos da UA, na produção e características de pellets de biomassaflorestal residual derivada de eucalipto (casca e ramagem), e no desenvolvimentodo processo de produção de biochar (carvão vegetal) por pirólise de biomassa. Com a Companhia de Celulose doCaima, do grupo ALTRI, o acordo passapor novos desenvolvimentos na área depasta solúvel para fins químicos. No casoda CELBI, também do grupo ALTRI, oestudo procura novas pastas celulósicascom características específicas, incluindopara uso não papeleiro e o tratamento de águas provenientes da evaporação de licor de cozimento. Com o Grupo Amorim,incide em novos processos de tratamentode rolhas técnicas. Os laminados de altapressão com propriedades avançados são o objeto da parceria com a SONAE Industria Revestimentos, enquantocom a SONAE-ARAUCO, incide naárea de aglomerados de fibras. Entreos aglomerados de fibras, explica o investigador Dmitry Evtyugin, também professor do Departamento de Químicada UA, investigador do CICECO e coordenador desta Plataforma, estudam-se novas matérias-primas alternativos aos resíduos de madeira, como o engaço de uva que também está a ser proposto para pellets a usar em caldeiras. Quanto à EuroYser, a cooperação tem a ver com produtos químicos de origem resínica. Há ainda um acordo com a Ventil –Engenharia do Ambiente Lda. que tempor objeto o desenvolvimento de fornalha industrial (60 kWth), com grelha fixa e grelha móvel, e avaliação de desempenho durante a combustão de estilha e pellets de biomassa.

Impressão 3D: oportunidade para a indústria e inovação nos materiais

Visto como grande oportunidade para a indústria por permitir uma mais expedita produção de peças com exigências específicas, o fabrico aditivo rápido, ou simplesmente, impressão 3D, é ainda um assunto novo no que à produção industrial diz respeito. Embora usado há algumas décadas em prototipagem, "a grandeoportunidade" que representa atualmente para a indústria residena mudança de paradigma, viabilizando a produção de pequenasséries com caraterísticas únicas. Ou seja, "permite a massificação da costumização", sintetiza Martinho Oliveira, diretor da Escola SuperiorAveiro Norte (ESAN) e investigador do CICECO.

Martinho Oliveira e Paula Vilarinho, também investigadora doCICECO e professora do DEMaC, coordenam, na UA, projetosde investigação e supervisionam trabalhos académicos nestaárea. O uso deste método pressupõe o desenvolvimento demateriais adaptados aos vários dispositivos de impressão 3D eàs características e funções das peças a produzir. Projetos comoPrintCer 3D ou o mais recente RoboCer3D, em parceria com aempresa Costa Verde, são disso exemplo.

A ESAN, em parceria com outros grupos de investigação daacademia aveirense, com destaque para os do DEMaC e do DEM,e também em estreita colaboração com empresas, tem vindo a desenvolver projetos nesta área e a trabalhar num conceito mais vasto designado Fábrica do Futuro – um espaço de ensaio de soluções avançadas para a indústria do futuro.

Empresa de antigos alunos produz grafeno e disponibiliza produto acabado

A Graphenest, jovem empresa participada pela Portugal Ventures e fundada por antigos alunos da UA, é a única empresa a produzirgrafeno em Portugal. E fá-lo através de um método próprio que garante menores custos de produção. Escolheu o VougaPark, em Sever do Vouga, como centro de operações de uma estratégiacomercial que se lança à escala global.

As vendas começaram online em 2016, em agosto, tendo a Unilever sido um dos primeiros clientes. Os produtos estão disponíveis para venda online e desenvolvem-se contactos à escala mundial eexplorando novas soluções de produto acabado, "costumizadas",por exemplo, envolvendo polímeros. A ideia surgiu a partir da insatisfação em relação à performance das atuais baterias de lítio. Curioso, Vítor Abrantes, licenciado em Tecnologia e Design de Produto, pela Escola Superior Aveiro Norte (ESAN) da UA, começou a pesquisar informação sobre as potencialidades do grafeno. Ao longo desse percurso, surgiu a ideia deobter grafeno através de um método novo, a partir da grafite.

Os primeiros testes laboratoriais, realizados na UA, foram animadorese levaram o jovem a pedir o patenteamento do método. O reconhecimento veio com a atribuição do "prémio de inovação Dow Portugal", em 2014, e pelo segundo lugar no prémio EDPInovação do mesmo ano. A Vítor Abrantes (administrador executivo,CEO, da empresa) juntaram-se, como sócios, Bruno Figueiredo (chiefstrategy officer, CSO), doutorando da UA, e Rui Silva (diretor técnico,CTO), engenheiro químico também formado nesta instituição.

Em vista está já um espaço, próximo das atuais instalações, para o scale up do projeto, de forma modelar, que permitirá aumentar a produção até 50 vezes.

(Texto publicado na revista Linhas nº 27)

imprimir
tags
outras notícias