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Entrevistas
Antigo aluno UA - Carlos Pedro Ferreira, licenciado em Engenharia do Ambiente
"Aconselho, recomendo e compro UA"
Carlos Pedro Ferreira é fundador da Sondar
"A situação presente mostra que o curso superou as minhas expectativas, pois consegui, juntamente com parceiros e com as ferramentas adquiridas, criar um pequeno grande império na nossa área de atuação.” Carlos Pedro Ferreira responde assim, orgulhoso da sua formação e do seu percurso como empresário e técnico na área do Ambiente, à influência da formação na UA nas suas conquistas profissionais e como pessoa. Carlos Pedro é sócio e diretor geral da Sondar e administrador da Eurofins Portugal, os únicos laboratórios que se dedicam em exclusivo ao ar, e ainda presidente da Associação de Antigos Alunos da UA.

Quais os motivos que o levaram a estudar na UA?

A resposta pode ser frustrante, mas foi uma combinação do gostar de mar, ter passado as férias de verão sempre na zona de Aveiro, existir mar e ria e haver um curso de Engenharia do Ambiente, cujo nome e mistério acerca do que seria me levou a vir para a UA. Poderia simplificar dizendo foi uma feliz coincidência de decisões, na altura aparentemente irresponsáveis, pois basearam-se em motivações sensoriais, de possível bem-estar. Com 17 ou 18 anos, ou já se tem uma vocação para uma área de estudo, ou se é pressionado pela família para uma carreira. Não me aconteceu nenhuma das duas. Gostava de mar e peixes, de Biologia Marinha e pescas no Algarve, estava na mira o curso de Medicina Dentária. Tive hipótese de entrar na escola de Medicina Dentária, no Porto, em 1999, mas já era UA e declinei. Como era mau aluno a Matemática no liceu, a ideia de Engenharia foi uma batalha lá em casa, bem como o facto de não conseguir explicar ao meu pai o que era Engenharia do Ambiente. Respondi: “É uma espécie de Biologia!!! Felizmente, e ainda bem, ninguém quis fazer da batalha uma guerra e entrei no curso e acabei-o.

O curso correspondeu às suas expectativas? E a UA?

Como expliquei não tinha expectativas sobre o curso, porque não sabia exatamente o que era. Mas em 1988, com as análises matemáticas como prato de entrada, vi a coisa mal parada e achei sinceramente que não iria acabar… Estava eu ainda a começar e houve 99% de chumbos a Análise Matemática I. Fui dirigente associativo da AAUAv, andei no GrETUA, toquei guitarra nos saraus académicos, no teatro Aveirense, em tertúlias pela noite dentro, anos a fio… E isto é UA! Não sei se ainda é assim… Havia locais icónicos, como o café Palácio, o Maravilhas, o Bar da Associação, a Winner’s, a Flashback, o Convívio, etc…. E a casa onde eu morava, que estava de porta aberta para quem viesse por bem.

A situação presente mostra que o curso superou as minhas expectativas, pois consegui, com as ferramentas adquiridas, criar, juntamente com parceiros, particularmente o Eduardo Fernandes, parceiro de sempre e amigo, um pequeno grande império na nossa área de atuação.

O que mais o marcou na UA?

Tenho memórias muito precisas sobre três pontos.

Um é o facto de haver muitos alunos de raça negra que, na minha terra (Viseu), não havia, o que mostrava haver um plano de transferência de conhecimento e de internacionalização com os países de língua oficial portuguesa, suponho, e ainda uma ideia de Universalidade e conhecimento partilhado.

Saliento também o facto de sermos poucos, uma espécie de família, todos se conheciam e se davam bem. Havia diversidade de culturas, de estratos sociais, numa harmonia suave em que o sarau do Teatro Aveirense era o ponto alto do ano.

Por último, eu representava os alunos no senado da UA e as reuniões, presididas pelo Professor Doutor Renato Araújo, reitor, eram absolutamente deliciosas…. havia muita picardia, foram momentos de muitas divergências entre docentes e a Reitoria, pois as coisas aqueciam muitas vezes, mas com muito sentido de humor, pelo que eram reuniões (no anfiteatro do edifício da antiga Reitoria) de sala cheia. Naquela altura, as pessoas eram mais participativas, irreverentes, menos preocupadas com as notas, mais com a vivência da Universidade e dos momentos de lazer. Provavelmente, porque na altura ter um diploma era uma garantia de empregabilidade e, hoje, não é… Mas ser UA é um passaporte Gold, faz a diferencia! Não tenho dúvidas! Aconselho, recomendo e compro UA!

Sempre soube a profissão que queria seguir?

Não. Quando era miúdo queria ser artista de circo ou trabalhar na construção. Desisti da segunda hipótese, ao fim de meio dia de trabalho que o meu pai me arranjou na construção da casa de um amigo, nas férias, …. nem quis receber. Gostava de Medicina e sabia tudo sobre doenças, assinava o “Guia Médico” que saia todas as semanas e tenho ainda encadernado em 12 volumes que li, de uma ponta à outra. Lia tudo o que me aparecia na mão. Falo de romances e ensaios, banda desenhada, “Os Cinco”, “Os Sete”, “O Colégio das Quatro Torres”, Eça, enfim, tudo!

Tenho dezenas de cadernos com notas, histórias, pequenas peças de teatro, com todos os pormenores, desde as músicas escolhidas, onde elas entrariam, as cores das luzes em cena, o cenário etc. Era um exercício que gostava de fazer. Devaneios que estão escritos... Mas nunca tive pretensões a ser escritor. Aliás, nunca tive pretensões de ser empresário nem empreendedor.

A empresa que constituiu foi pioneira em Portugal, nomeadamente, na medição dos parâmetros caraterizadores de efluentes gasosos em chaminés industriais. Como surgiu a ideia de avançar para essa atividade?

Comecei no Instituto de Ambiente e Desenvolvimento (IDAD), um instituto que pertence à UA. Comecei do zero. Aliás, o IDAD tinha sido criado há dois ou três anos. Estava tudo a começar… incluindo a área de medição de emissões.

Avançar com a Sondar foi simples, vendo como se fazia, não estando contaminado com pré-conceitos do tipo “tem de ser assim porque sempre foi”, e desenhando um novo modelo de trabalho. Mudar o paradigma sem medos mas com confiança de que algo mais simples, melhor, mais rápido, mais fiável e favorável para o cliente, é uma receita infalível.

O investimento inicial era muitíssimo maior, mas as contas não se fazem assim. A médio/longo prazo demostrámos que tínhamos razão. E ganhámos seguidores.

Foi difícil começar uma empresa e um negócio nessa área? Como ultrapassou as dificuldades iniciais? Que conselhos daria a quem quisesse começar uma empresa/negócio na área do ambiente?

O difícil é ter uma ideia, e não vale muito a pena andar a pensar na ideia. Por isso, não foi difícil começar, respondendo à pergunta. As ideias surgem da nossa atenção, da análise que fazemos do Mundo e de como ele funciona. Se acharmos que não funciona bem e tivermos uma ideia para que funcione melhor, mãos à obra!  Foi o que fiz com o Eduardo. A maneira como as coisas se faziam no final dos anos 90 era a mesma dos anos 80. Portugal estava atrasado pelo menos 10 anos.  Por isso, a chave é estar sempre à frente e agir por antecipação.

Entretanto, a SONDAR já evoluiu muito… Alargou o número de clientes e a áreas de negócios. Que fatores considera terem sido mais determinantes para esta evolução? Parcerias certas? Saber calcular bem o risco e investir na altura certa?

A Sondar.I, neste momento, é um gigante. Em janeiro faz 20 anos. Começámos 2, eu e o Eduardo, e agora somos no grupo cerca de 50, espalhados por Aveiro, Viseu, Oeiras (Tagus Park), Porto e Belo Horizonte (Brasil). Temos como clientes basicamente todas as grandes empresas nacionais e, das mais pequenas, temos connosco uma grande fatia. Determinante para a evolução, foi a equipa, o nunca desistir e acreditar que tudo é possível, investir em vez de distribuir dividendos, investir no conhecimento e tecnologia… Ir alargando as áreas de negócio, mas sempre na nossa área de conhecimento, neste caso o Ar. Somos, juntamente com a Eurofins Portugal, que comprámos no mês passado e era o nosso maior concorrente, os únicos laboratórios que se dedicam em exclusividade ao Ar. As parcerias foram e são determinantes, mas, antes disso, vender confiança, que é o que melhor sabemos fazer. Ter o controlo da empresa é fundamental. Estivemos para ser comprados mais do que uma vez por multinacionais, por muito dinheiro. Mas perdíamos o controlo… O dinheiro não compra tudo! A parceria com o ISQ foi crucial, vendemos 50% ao ISQ e adquirimos em troca os ativos desta área de negócio. Simples.

O que mais o fascina na sua atividade profissional?

A liberdade de poder escolher o caminho e ser dono do meu destino, assumindo as responsabilidades inerentes. Poder criar empregos, e existirem sempre novos desafios, que alguém me lança ou que eu procuro. Estou sempre com ideias e projetos novos. Sem isso, a vida não tinha interesse. Se estiver dois dias seguidos no escritório de Aveiro aborreço-me.

Que competências adquiridas na UA entende terem sido fundamentais para o exercício da sua atual atividade?

A transdisciplinaridade do curso, passando por vários departamentos; a ligação que já na altura existia entre a Universidade e empresas, visitas de estudo, e já uma visão, no inicio dos anos 90, de que o futuro teria que passar pela ligação da Universidade com as empresas. A Universidade a ajudar a resolver problemas das empresas, as empresas a buscarem soluções na Universidade. Hoje, isto é obvio para todos, na altura foi evidente na UA e continua - e bem! - a ser uma aposta ganha. Falta ainda um passo: envolver os Antigos Alunos na transferência do saber fazer para a academia e, assim, melhorar a performance da UA.

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