conteúdos
links
tags
Entrevistas
Antigo aluno UA - Maximino Dias Rodrigues, licenciado em Engenharia do Ambiente e mestre em Gestão e Políticas Ambientais
Um engenheiro polivalente no ambiente certo
Maximino Rodrigues
É um dos fundadores da Envienergy, uma empresa de prestação de serviços na área do ambiente, energia, higiene e segurança. Licenciado em Engenharia do Ambiente e mestre em Gestão e Políticas Ambientais, Maximino Rodrigues, aos 41 anos, tem já uma longa experiência profissional nas áreas que abraçou enquanto estudante da Universidade de Aveiro (UA) a quem garante que deve “as bases científicas e o desenvolvimento da capacidade de raciocínio”.

Depois de terminar a Licenciatura em Engenharia do Ambiente [atual Mestrado Integrado em Engenharia do Ambiente] avançou para o Mestrado em Gestão e Políticas Ambientais, também no Departamento de Ambiente e Ordenamento (DAO). Pelo meio trabalhou no Gabinete Técnico do Centro Tecnológico da Cerâmica e do Vidro e foi investigador do DAO na área da poluição da água no projeto ModelRia.

De 2001 a 2003 esteve no gabinete técnico da empresa Sondar-Amostragens e Tecnologias do Ar e, de 2004 a 2009, foi sócio gerente da Enarpur – Estudos Atmosféricos e Energia. Em 2009 foi um dos fundadores da Envienergy – Ambiente e Energia. Desta empresa e da Visafety é também sócio gerente.

Quais os motivos que o levaram a estudar na UA?

Na altura foi a proximidade. Como sou natural de Canedo, em Santa Maria da Feira, concorri para o Porto e Aveiro e fui colocado em Engenharia de Materiais na UA. Não conhecia a Universidade, apenas tinha vindo cá realizar as provas específicas porque era do Distrito de Aveiro. Foi uma agradável surpresa.

O curso correspondeu às suas expectativas? E a UA?

Mudei para Engenharia do Ambiente no fim do primeiro ano, aproveitando o facto de ser ano comum e assim ter equivalência as todas as cadeiras. A Universidade tinha excelentes condições, estava numa fase de enorme crescimento com muito boas infraestruturas e com um excelente ambiente. O facto do primeiro ano ser comum permitia conhecer pessoas de outros cursos. O curso de Engenharia do Ambiente acabou por ter coisas boas e outras menos boas. Gostei da parte de engenharia – das físicas, matemáticas, químicas, etc - e menos da parte mais ligada à biologia.

Achei também que o curso estava um bocado desalinhado com o mercado de trabalho. Na altura lembro-me que estava a aparecer a implementação dos sistemas de gestão ambiental e o curso não abordava em momento algum esta temática. A área do ambiente é muito suportada por legislação e também em momento algum do curso tínhamos alguma cadeira onde, pelo menos, fossem apresentados os diplomas principais e como fazer uma análise dos mesmos. Na parte de projeto e dimensionamento, o curso era bom. Outra mais valia que considero que o curso tinha eram os três primeiros anos serem muito idênticos às várias engenharias o que nos permitiu adquirir conhecimentos que mais tarde nos deu uma maior versatilidade em termos profissionais.

Sempre soube a profissão que queria seguir?

Quando vim para a Universidade não fazia a mínima ideia da profissão que queria ter nem do curso que gostava. Costumo dizer que no fim do curso, se tivesse ido trabalhar para uma empresa de aviões, agora seria um expert de aviões, se fosse para uma fábrica de tecidos era um expert de tecidos. Quando saímos da universidade não estamos minimamente preparados para a atividade profissional. A universidade deu-nos algumas ferramentas para no dia a dia de trabalho conseguirmos evoluir e ultrapassar os problemas arranjando soluções. A universidade é uma escola de vida e sem dúvida as amizades que fiz nessa altura, e que ficam para o resto da vida, são o que mais me marcou. Conhecemos pessoas de diferentes zonas do país com diferentes hábitos e esse intercâmbio é a maior riqueza da vida universitária. Alguns professores também ainda hoje recordo e mantenho contacto. Outros também não tenho saudades nenhumas pois, como em tudo na vida, havia bons e maus professores.

Como descreve a sua atividade profissional?

Neste momento faço algum trabalho técnico, mas muito mais contacto com o cliente e gestão.  Considero que alguém da área da engenharia que tenha bons conhecimentos de gestão tem meio caminho andado para o sucesso de uma empresa. Se não conhecermos os números do nosso negócio e os soubermos analisar, a probabilidade de fracasso aumenta exponencialmente mesmo sendo tecnicamente muito bons. Temos que perceber o mercado e nós, engenheiros, muitas vezes apenas nos preocupamos com a parte técnica. Eu posso fazer o melhor relógio do mundo, mas se o mercado não estiver disposto a pagar para ter o melhor relógio do mundo o meu produto vai ser um fracasso.

O que mais o fascina na sua atividade profissional?

Trabalhamos essencialmente com indústria de norte a sul do país - até já fizemos alguns trabalhos no estrangeiro - e com todos os sectores de atividade. Isto é o que mais gosto, pois, mesmo fazendo as mesmas coisas é sempre em ambientes diferentes, com pessoas diferentes e aparecem sempre novos desafios e problemas para resolver, obrigando a uma evolução e atualização contínua. Obriga a lidar com muitas pessoas de personalidades diferentes e isso é outra das mais valias desta atividade. Aprendemos sempre algo com o contacto com outras realidades e formas de pensar.

Que competências adquiridas na UA entende terem sido fundamentais para o exercício da sua atual atividade?

Como já referi penso que a grande mais valia UA foram as bases científicas e o desenvolvimento da capacidade de raciocínio. O resto vai-se adquirindo com o evoluir do tempo, ganhando experiência e cimentando conhecimentos. A Universidade permitiu também ficar com uma rede de contactos multidisciplinares que ainda hoje me é útil.

imprimir
tags
outras notícias