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Entrevistas
Antigo aluno UA - Vasco Dias Baptista, mestre em Eletrónica e Telecomunicações
O programador dos sete instrumentos ao serviço da Nokia
Vasco Baptista
Precisava de embarcar numa nova aventura sem grande razão para além do “quero, posso e vou”! Em 2013 Vasco Baptista fez as malas e foi para a Polónia onde já tinha sido muito feliz durante o Erasmus. A Nokia recebeu-o de braços abertos. Formado em Eletrónica e Telecomunicações pela Universidade de Aveiro (UA), o gestor de integração de software da multinacional finlandesa lembra que é à UA que deve a “mente de programador” que faz dele, aos 28 anos, o verdadeiro homem dos sete instrumentos da Nokia.

Terminou o Mestrado Integrado em Eletrónica e Telecomunicações em 2011. Começou a trabalhar na Micro-I/O, a empresa na qual, em cooperação, realizou a tese de mestrado e vários projetos I&D ao longo do seu percurso académico. Parte desse trabalho foi mesmo apresentado por Vasco Baptista na conferência IEEE ETFA 2011, em França.

No início de 2013, o antigo aluno do Departamento de Eletrónica, Telecomunicações e Informática, rumou a Cracóvia, na Polónia. Trabalha na Nokia desde então. Começou como engenheiro de software para redes Small Cells LTE e WCDMA e, desde o ano passado, é gestor de integração de software. Em fase de transição, Vasco Baptista tem já os olhos postos noutra empresa, também em Cracóvia, onde irá trabalhar como gestor sénior de integração de software.

Quais os motivos que o levaram a estudar na UA?

Na altura em que tive de decidir em que mãos iria pôr o meu futuro, a escolha não foi muito difícil. A UA foi a minha primeira escolha e tinha praticamente a certeza de que seria aprovada.

Depois de alguma pesquisa e análise, a UA foi a universidade que se encontrava com um ranking mais elevado nas minhas áreas de interesse, a eletrónica e as tecnologias. Existiram claro, vários outros fatores como a localização, o desenvolvimento e o tamanho do campus em si, além do facto de ser uma universidade nova e jovem com um grande potencial para desenvolver.

O curso correspondeu às suas expectativas? E a UA?

Sim, em geral correspondeu às minhas expectativas. No entanto, visto que sempre fui uma pessoa mais virada para o lado das Eletrónicas, a outra parte do curso, as Telecomunicações, nunca foi a minha favorita. No entanto, tenho de admitir que todo o curso em si contribuiu para construir bases muito importantes no meu conhecimento. Ainda hoje uso conhecimentos que adquiri no curso.

Em relação à UA, foi para mim uma universidade exemplar e de excelência a quem devo o futuro e a posição em que atualmente me encontro. O percurso, por vezes, não foi fácil, mas valeu a pena!

O que mais o marcou na UA?

Lembro-me vivamente de todas as aulas práticas de laboratório. Definitivamente foram as minhas favoritas e não tenho como escolher uma ou outra em particular! Sempre fui uma pessoa que tem de usar as mãos para perceber como as coisas funcionam e nada melhor que aulas práticas para dar essa satisfação.

Sempre soube a profissão que queria seguir?

Sempre soube o que queria ser. Penso que a minha mãe deduziu isso quando me apanhou a correr atrás do fio do aspirador enquanto este se enrolava. Presumo que o meu pai também tivesse deduzido a mesma ideia, embora de uma forma um pouco mais severa, com equipamentos misteriosamente desmontados ou os típicos casos dos “tirei 10 parafusos e só vejo oito em cima da mesa!?”. Em geral nunca tive dúvidas do que seria o Vasco no futuro e, até ver, a minha namorada tem aguentado as centenas e centenas de fios lá por casa.

Como descreve a sua atividade profissional?

Em simples palavras, tenho um trabalho dinâmico e gosto imenso do que faço na Nokia, pelo que me considero um trabalhador de valor. Obviamente que, tal como qualquer outro trabalho, tem os seus pontos altos e baixos tal como explico aos meus colegas: um dia perco horas na internet e no dia seguinte trabalho até à meia-noite porque tenho de corrigir e publicar código ou um servidor está com problemas e a equipa está bloqueada.

De uma forma simples e direta, sou um três em um: como tarefa principal sou o ‘fulano’ que têm de publicar o código da minha equipa sem erros e falhas a tempo e horas; sou o ‘fulano’ que gere o laboratório e servidores da minha equipa para garantir que tudo funciona sem problemas; e no resto do tempo sou também o ‘fulano’ que automatiza tudo o que conseguir e estiver ao meu alcance, algo do género “deem-me um PC com Linux e eu automatizo o mundo”.

O que mais o fascina na sua atividade profissional?

Esta pergunta tem imensas respostas, mas vamos apenas às principais. Na Nokia, em Cracóvia, fascina-me o facto da distância entre os colaboradores ser muito curta, significando isto que ninguém é tratado de forma diferente por ser um grande chefe ou por ser um mero simples programador, levando isso a que as pessoas trabalhem de uma forma mais produtiva e eficiente. Não existe diferença entre a pessoa X dentro e fora do trabalho. No meu caso, tenho imensos colegas de trabalho no meu Facebook e não tenho necessidade de separar os meus colegas do que faço com a minha vida pessoal. Todos sabem quem sou, como sou, o que fiz, o que faço e o que gosto de fazer.

Que competências adquiridas na UA entende terem sido fundamentais para o exercício da sua atual atividade?

Definitivamente todas as aulas de programação foram um ponto-chave para desenvolver a “mente de programador”. Graças aos conhecimentos em Java, Assembly e C que adquiri na Universidade, foi bastante fácil construir pontes para ligar mais linguagens de programação. Neste momento C++, Bash, Python, HTML, PHP são apenas algumas das linguagens que fazem parte do meu portfólio de conhecimento.

As competências de eletrónica e telecomunicações, em geral, são uteis não só na empresa como nos meus hobbies. No entanto, no mercado da Polónia (pelo menos) é difícil equilibrar a balança quando de um lado se encontram as ofertas para as áreas de software e do outro para as de hardware: as ofertas para a área de software são muito mais comuns e mais bem remuneradas.

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