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Entrevistas
A 3 de novembro, no Teatro Aveirense, pelas 21h30
Luís Figueiredo apresenta a sua ave de canções nos Festivais de Outono
Luís Figueiredo leva o seu Songbird aos Festivais de Outono (foto de Carlos Gomes)
Será "um concerto à volta de canções de vários domínios" que Songbird interpreta "procurando ao máximo fazer-lhes justiça", afiança Luís Figueiredo, pianista, compositor de jazz e investigador da Universidade de Aveiro (UA), sobre o concerto de 3 de novembro, no âmbito dos Festivais de Outono. O músico afirma manter desde o início uma "visão muito alargada do jazz" e da sua própria atividade musical. Em paralelo, desenvolve investigação, uma reflexão sobre a construção de identidades musicais.

No contexto do seu trabalho como pianista de jazz e, concretamente, dos trabalhos que editou, como carateriza o projeto “Songbird”, com o contrabaixista João Hasselberg? Tocou em quarteto/quinteto, em trio… Já, alguma vez, tinha tocado em duo?

Já tinham surgido várias situações em duo, na música erudita e também na música mais improvisada, mas nunca propriamente um projeto. 

Que podem as pessoas esperar do concerto de dia 3 de novembro, nos Festivais de Outono?

Será um concerto à volta de canções de vários domínios que interpretamos procurando ao máximo fazer-lhes justiça. Songbird é acima de tudo um projeto de canções.

Que acha da inclusão de um concerto jazz no programa dos Festivais de Outono?

A inclusão de concertos um pouco laterais à música erudita é uma prática a que já nos habituámos nos Festivais de Outono e que me parece muito saudável, sobretudo tendo em conta que muitas vezes os públicos são próximos.

Que outros concertos de “Songbird” tem agendados para os próximos tempos?

O João Hasselberg vive atualmente em Copenhaga, pelo que o agendamento de concertos deste projeto está sempre um pouco limitado por essa circunstância. Temos mais um concerto no dia 9 de Dezembro em Ovar, e esperamos agendar mais para 2017. Também temos planos de gravar um segundo volume de Songbird.

Vai reativar o trio ou o quarteto/quinteto em breve?

Sim, tenho estado a trabalhar num novo disco que será gravado nos primeiros meses do próximo ano. Será um prolongamento do último disco, “Lado B”, embora o formato final ainda esteja a ser definido.

Em que formação – solo, duo, trio, quarteto ou quinteto - se sente mais confortável?

Todos esses formatos têm potencialidades diferentes e permitem coisas distintas. Gosto sobretudo de os explorar e procurar as suas possibilidades.

Um dos objetivos da sua tese de doutoramento, “Jazz, identidade musical e o piano Jazz em Portugal”, é contribuir para um mapeamento estilístico e identitário do jazz em Portugal, com base em quadro casos de estudo: António Pinho Vargas, Mário Laginha, João Paulo Esteves da Silva e Bernardo Sassetti. Quer resumir o mapeamento estilístico a que chegou, confrontando com referências de fora?

Essa é naturalmente uma pergunta com uma resposta difícil. Procurei traçar um quadro estilístico que caracterizasse a produção artística desses quatro pianistas/compositores, e efetivamente foi possível identificar alguns elementos («tópicas», como aparecem na tese) que caracterizam esse conjunto. Algumas delas são a proximidade com a música erudita, a abrangência estilística, o autodidatismo na aprendizagem do jazz e a composição como ferramenta central. Mas a tese compreende também momentos de reflexão conceptual sobre o jazz em geral (e particularmente em Portugal) que procuram deitar luz sobre esta ideia de um «jazz português» e sobre a construção de identidades musicais.

E o Luís Figueiredo, pianista e compositor, em que ponto desse mapeamento da “jazz culture” se situa? Entre que referências (nomes) se sente mais confortável?

Eu vejo-me como mais uma figura no percurso do jazz em Portugal, um percurso cada vez mais povoado. Sinto que mantenho importantes ligações com este conjunto de músicos que funcionaram como estudos de caso na minha tese, ao mesmo tempo que procuro construir uma identidade voltada para a frente. Em todo o caso, mantenho desde o início uma visão muito alargada do jazz e da minha própria atividade musical, e é por isso que continuo a investir em projetos de música erudita, pop, fado, etc.

Segundo sei, esteve no início da área de jazz (ensino/investigação) na UA. Como vê a evolução da UA nesta área até agora? Que papel tem pode/deve vir a ter a UA no ensino e na investigação em jazz em Portugal?

O jazz tem tido uma presença crescente na UA, tanto do ponto de vista performativo como da investigação propriamente dita. Começou com a doação da coleção pessoal de José Duarte e tem continuado com o trabalho da Profª Susana Sardo à frente do Centro de Estudos de Jazz (CEJ). Penso que a UA tem condições privilegiadas para desempenhar um papel importante neste âmbito, com base no CEJ e no trabalho desenvolvido por diferentes investigadores e músicos a ele associados.

(foto de Carlos Gomes)

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