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Entrevistas
Antigo aluno UA - Ricardo Ferreira, mestre em Engenharia Física
Um físico a descobrir e a moldar o futuro (alucinante!) das comunicações
Ricardo Ferreira
É uma referência científica internacional na área das comunicações óticas de alta velocidade. Mestre em Engenharia Física pela Universidade de Aveiro (UA), Ricardo Ferreira é investigador no Institute of Photonics da University of Strathclyde, na Escócia, onde faz parte da equipa líder mundial na área de comunicações óticas por luz visível. “Saber que um dia o público em geral vai usar e desfrutar de uma tecnologia” que ajudou a desenvolver “é a maior realização profissional” que Ricardo Ferreira pode ter.

No Mestrado Integrado em Engenharia Física seguiu o ramo de óptica e desenvolveu dois projetos em sensores de fibra ótica no Instituto de Telecomunicações de Aveiro, um dos quais resultou numa patente internacional. Cerca de seis meses antes de acabar o curso, foi aceite num doutoramento em micro-LEDs para Comunicações Óticas no Institute of Photonics, da University of Strathclyde, onde faz parte de um projeto com financiamento de 4,7 milhões de libras e em cooperação com cinco universidades britânicas.

“O projeto possibilita a integração vertical do desenvolvimento de dispositivos e respetiva aplicação, um formato idêntico ao da execução industrial. Como tal, é líder mundial na área de comunicações óticas por luz visível ou Visible Light Communications (VLC), conhecido pelo público como LiFi”, explica Ricardo Ferreira cujo trabalho já impulsionou inúmeras publicações que ditam os recordes de telecomunicações com LEDs, dispositivos com largura de banda acima de 800 MHz e transmissão de dados até 5 Gbps.

A poucos meses de terminar o doutoramento, já foi convidado para trabalhar na pureLiFi, uma spin-off da Escócia líder internacional em tecnologia e produtos LiFi. “A melhor distinção é ter portas abertas. A segunda melhor é pedirem-me para ficar”, congratula-se.

Quais os motivos que o levaram a estudar na UA?

Enquanto aluno do ensino secundário, e dada a proximidade da minha escola, em Águeda, visitei a UA uma série de vezes. Desce cedo fiquei fascinado pelo campus da UA, dentro da cidade, mas numa órbita independente. Aveiro era na altura a melhor escolha entre qualidade, oportunidades e custos. No verão de 2007, três meses antes de entrar em na UA, fiz parte da Academia de Verão na área de Física. Até então, essa foi a semana em que aprendi mais, a trabalhar em equipa, a improvisar, a ser ágil, a partilha e espírito de um ambiente jovem. Foi uma experiência que recomendo a qualquer um.

O curso correspondeu às suas expectativas? E a UA?

Eu entrei para a UA com ideias de descobrir mais sobre exploração espacial e super curioso sobre o mundo quântico, dois pólos opostos em Física. Olho para trás e vejo que as dificuldades e obstáculos do meu curso tornaram-me flexível, ágil, rápido e confiante. Qualidades que no mundo atual são raras e valiosas. A maior expectativa que tinha era atingir sucesso e conhecer o mundo lá fora, ambos atingidos. Descobri que o sucesso e ser bom no que se faz não se reflete apenas no valor numérico da média de curso. A UA proporcionou-me um ambiente único onde tudo está pensado. A abordagem é moderna, as pessoas são sinceras. Colegas em outras partes do país vivem realidades com 50 anos de atraso em relação à UA.

O que mais o marcou na UA?

A pessoa que mais me marcou foi a professora Maria do Rosário, do Departamento de Física (DFis), que nunca me deu aulas. Em 2009/2010 a professora Maria do Rosário, responsável pelo programa de Erasmus na Física, chamou-me para falarmos sobre um ano de Erasmus em St. Petersburg, na Rússia. Ela foi clara e direta: “tens potencial, mas ainda tens de trabalhar mais. Mostra provas e volta no próximo ano”. Eu tive então um enorme suporte e oportunidade. Um ano passou e depois de muito trabalho, fui para Southampton. A oportunidade de Erasmus expandiu o meu ângulo de visão a nível técnico e pessoal. Voltei uma pessoa com mais garra e mais vontade de ir em frente. Esta oportunidade em particular permitiu-me conhecer o amor da minha vida, a Hyunsu, da Coreia do Sul, e após muitas viagens pela Europa e pela Ásia, a minha vida pessoal estava prestes a dar mais uma volta, para melhor. Muito tenho a agradecer à professora Maria do Rosário pelo voto de confiança e motivação em 2010 nos corredores do DFis. Essa especial atenção mudou a minha vida 180 graus.

Sempre soube a profissão que queria seguir?

Em concreto não. Sempre quis atingir sucesso, mesmo sem saber o que é sucesso. Nos meus primeiros dois anos andei um pouco perdido. A Física é uma ciência que nos faz sentir pequeninos, mas está cheia de oportunidades. Ao longo do curso tive todas as oportunidades que quis de pôr as mãos no laboratório e descobrir o futuro por mim próprio. A uma certa altura a professora Teresa Monteiro disse-me que os engenheiros físicos sabem muito mais do que pensam saber e para irmos em frente sem medo. Até ao dia de hoje não se provou errado.

Como descreve a sua atividade profissional?

Eu sou a ponte entre o dispositivo e aplicação em comunicações óticas de altas velocidade. Desenvolvo designs de micro-LEDs para aplicações em espaço-livre e guias de ondas, tendo em consideração as peculiaridades dos protocolos de comunicação. Metade do que faço é uma componente técnica de laboratório de semicondutores, testes e análise. A outra parte é ser flexível e aprender sobre o trabalho de engenheiros de sistemas e comunicações. Neste aspeto tenho agradecer ao professor José Carlos Pedro, do Departamento de Eletrónica, Telecomunicações e Informática da UA, pelo rigor imposto. Hard work pays off!

O que mais o fascina na sua atividade profissional?

Saber que um dia o público em geral vai usar e desfrutar de uma tecnologia que ajudei a desenvolver é a maior realização profissional que posso ter. Tenho imenso prazer em fazer parte de uma equipa que se baseia em confiança mutua, pessoas que, tal como eu, trabalharam para chegar onde estão.

Que competências adquiridas na UA entende terem sido fundamentais para o exercício da sua atual atividade?

Do ponto de vista técnico a lista é grande, maior ainda em comparação com o ensino universitário britânico. Acima de tudo, aprendi a pensar como um físico. Todo o curso contribuiu para tal e daí resulta o sucesso.

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