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Entrevistas
Professor UA – Jorge Saraiva, Departamento de Química
Biotecnologia: estudantes e avaliações confirmam ensino de excelência
Jorge Saraiva
“Invistam, invistam, invistam e voltem a investir na vossa formação". Jorge Saraiva é professor há 25 anos e o conselho para os estudantes continua tão atual como sempre. Docente no Departamento de Química (DQ) da Universidade de Aveiro (UA), pelas suas aulas já passaram várias gerações de jovens que, através da “excelente” formação que receberam na academia de Aveiro, fizeram do futuro um lugar de sucesso profissional. O seu maior prazer enquanto professor é esse mesmo: “Ver que o trabalho que fazemos vale a pena”.

Formado em Bioquímica, Jorge Saraiva é doutorado em Biotecnologia pela Universidade Católica, instituição onde, em 1990, deu os primeiros passos no ensino. Foi professor também no Instituto Piaget e no Instituto Superior de Ciências da Nutrição e da Alimentação da Universidade do Porto. Chegou ao DQ da UA há 18 anos. Hoje é diretor da Licenciatura em Biotecnologia e docente das cadeiras de Tecnologia Alimentar, Estrutura e Função de Macromoléculas, Biocatalisadores, Biotecnologia Microbiana, Alimentar e Aplicada e Bioquímica Alimentar.

Como qualifica a formação que é dada aos estudantes nos cursos aos quais está ligado?

Excelente! Os resultados da avaliação da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES) e o sucesso na captação de alunos com notas de entrada na Universidade entre as melhores e das melhoras corroboram esta minha avaliação.

Qual é o segredo para se ser bom professor?

Dedicação, inovação constante e arrojada, colocar sempre a fasquia alta nos resultados a atingir no ensino, mas adaptando constantemente aos diferentes níveis e perfis dos estudantes.

O que mais o fascina na profissão docente?

Duas coisas: aquele brilhozinho nos olhos dos estudantes quando, após dificuldades, conseguem entender algum assunto mais complexo ou conseguem resolver um problema mais difícil e encontrar antigos alunos e poder vê-los na sua atividade profissional, falar com eles e ver que o trabalho que fazemos vale a pena.

Qual o maior desafio que enfrenta hoje um professor do Ensino Superior?

A valorização da docência para nós, os menos novos, pois a investigação vai ditando regras de modo crescente, e a instabilidade para os mais novos.

Qual é o segredo para cativar os estudantes?

Motivação para ensinar, dedicação e conseguir motivar os estudantes.

Existem diferenças entre esta e as anteriores gerações de estudantes?

Existem, claro! A atual geração encara os eventos da vida em ciclos curtos, sucessivos e frenéticos, como é a vida atual; são também a geração das redes sociais, do face, do linkedin, etc., mesmo e cada vez mais para encontrar trabalho (saliento, encontrar trabalho e cada vez menos emprego…); encaram o seu mundo, como o Mundo, enquanto o Mundo das gerações anteriores era bem mais restrito… sem internet e com bastante mais dificuldade em viajar.

Como é ser professor numa época em que a aposta passa pelo recurso a nova metodologia de ensino aprendizagem? Que novos desafios esta estratégia de ensino voltada para o desenvolvimento de competências traz consigo?

Como sempre foi em minha opinião: um desafio constante. E estamos apenas no início de uma nova era no ensino: as possibilidades das novas tecnologias permitirão o aumento do ensino à distância e a disponibilização crescente de materiais e recursos educativos permitirá cada vez mais o autoensino e, em minha opinião, assistiremos num futuro próximo a uma (grande) revolução no ensino. A disponibilização de aulas em vídeos de reputados professores de instituições de referência como o MIT, em suporte informático, e a academia Khan são exemplos disso. Penso que assistiremos a uma nova, maciça e abrangente vaga de democratização do ensino.

Que três conselhos daria aos seus colegas docentes?

Investimento na carreira a longo prazo, dedicação e inovação arrojada nos métodos de ensino.

E aos estudantes?

Invistam, invistam, invistam e voltem a investir na vossa formação, pois ela será cada vez mais determinante para poderem lutar (sim, lutar sem garantia a priori) por uma vida melhor e se sentirem mais realizados.

O que a seu ver está hoje bem e mal no ensino superior?

Em paralelo com a massificação (quantidade) do ensino é preciso investir e apostar na qualidade, de modo forte e duradouro, incluindo a captação de jovens talentosos.

E na profissão docente?

Instabilidade e valorização da docência em moldes relativos comparativamente com a investigação, em face dos resultados da avaliação da docência.

Houve alguma turma que mais o tivesse marcado?

Sim. As primeiras turmas que lecionei, porque era o início da minha carreira e estava (ainda mais) nervoso do que quando leciono agora... E também as primeiras turmas da Licenciatura em Biotecnologia quando esta se iniciou na UA, “os pioneiros” como eu lhes chamo, porque escolheram este curso sem saberem o que os “esperava”.

Pode contar-nos um episódio curioso que se tenha passado em contexto de sala de aula?

Vários… Em particular um interessante: logo nos primeiros anos, numa aula laboratorial, um grupo de alunos esqueceu-se de guardar o resultado do trabalho dessa aula que era necessário para a aula seguinte, porque queriam sair mais cedo, bem mais cedo… Dei-lhes tal raspanete que cerca de 20 anos depois encontrei um desses alunos na sua atividade profissional que me disse: "nunca mais esqueci o raspanete até hoje…".

E recordo várias de alunos com dificuldades, particularmente nos últimos anos com a crise, que alterou, infelizmente, de modo substancial o seu percurso académico.

 

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