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Opinião
Opinião de Miguel Oliveira, coordenador do Núcleo de Cooperação e Mobilidade Internacional dos Serviços de Ação Social da UA
O desafio do acolhimento e integração de Refugiados
Miguel Oliveira
Dezenas de instituições sociais da região preparam-se para vir à Universidade de Aveiro (UA) debater o acolhimento e integração dos refugiados da guerra síria. O encontro decorre dia 23 de fevereiro, às 16h00, na UA e dele se espera que Aveiro prepare uma resposta coletiva de ajuda. Porque, como escreve Miguel Oliveira, dos Serviços de Ação Social da UA e um dos organizadores da sessão, esta tragédia “não pode deixar indiferente um povo que defende e promove os direitos humanos e as liberdades fundamentais”. Ou seja, nós!

O fluxo de refugiados gerado pelos conflitos armados e pela instabilidade política que se vivencia em algumas regiões mais problemáticas de África e do Médio Oriente constitui um dos desafios mais complexos com que a comunidade internacional, e em particular a Europa, se deparou nos últimos anos.

A magnitude da tragédia humana que este movimento em massa encerra, não pode deixar indiferente um povo que defende e promove os direitos humanos e as liberdades fundamentais, pelo que ignorar a realidade não é nem pode ser solução.

Está-se perante um desafio de emergência humanitária que carece de respostas prontas dos Estados, das instituições, da sociedade civil. Prontas e equilibradas, que exigem compromissos que devem ser assumidos e honrados. Ciente das dificuldades e dos riscos, atento às oportunidades e desperto para as responsabilidades que daí advêm, o exercício é exigente e por vezes complexo, mas ainda assim inevitável à luz das atuais circunstâncias.

Neste momento, mais que analisar pontos de vista, ideologias ou opções políticas, urge perceber em que medida é que, perante a realidade que se avizinha com a chegada de refugiados a Portugal, se devem articular os potenciais interlocutores. Dar cumprimento àquilo que deve ser um acolhimento com a dignidade que se exige e preparar-se todo o processo de integração destas pessoas na sociedade portuguesa, num contexto intercultural, é o que se espera nesta fase.

Ao que tudo indica Portugal irá acolher, no âmbito do programa de recolocação de refugiados, cerca de 4.500 pessoas nos próximos dois anos. Se ao Estado compete liderar o processo, o papel que cada pessoa, individual ou colectiva, pode desempenhar nesta teia de relações deve obrigar os intervenientes a uma análise ponderada e equilibrada.

A este propósito, faz sentido realçar a iniciativa que a Universidade de Aveiro, em parceria com a Plataforma de Apoio aos Refugiados, irá promover no próximo dia 23 de Fevereiro, pelas 16h00 no Edifício Central e da Reitoria, uma sessão pública de esclarecimento e debate, aberta à comunidade, sob o temaAcolhimento e Integração a Pessoas Refugiadas: Conhecer para Acolher. O tecido social da região, particularmente sensível a estas temáticas, comporta um conjunto de atores que poderão vir a desempenhar um papel importante neste contexto, pelo que o estímulo e apelo à sua participação é um imperativo.

O tema convoca-nos a refletir, tendo algumas das entidades que já acolhem ou que se disponibilizaram a acolher este grupo de migrantes sido desafiadas a partilhar experiências, sensibilidades e exemplos de boas práticas instituídas. A Universidade de Aveiro, por sua vez, num quadro de cooperação com a comunidade, um dos pilares fundamentais da sua Missão, e no âmbito da sua responsabilidade social, não poderia deixar de se envolver na discussão sobre matéria tão relevante.

A presente crise humanitária coloca em cheque muitos valores nucleares do ideal europeu e não se devem menosprezar os riscos envolvidos neste processo. No entanto, é oportuno reiterar a solidariedade para com os que são vítimas, que carecem de apoio e que contam com uma nova oportunidade para refazer as suas vidas.

A sociedade portuguesa definir-se-á mediante a resposta que conseguir vir a dar. E é nesse cenário que importa dar sinais de que podemos ser um país solidário mesmo em tempo de dificuldades até porque, como afirmava Martin Luther King, Jr. “na natureza humana há um potencial verdadeiramente espantoso para fazer o bem”.

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