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Investigação
Carlos Amorim, estudante de doutoramento em Física, é o autor principal do estudo
UA desvenda segredos de material chave para tecnologias de ponta
O investigador Carlos Amorim
Chama-se titanato de bário, é um material ferroeléctrico amplamente utilizado pela indústria eletrónica e quando combinado corretamente com o Ferro torna-se multiferróico, podendo ser usado em simultâneo para sinais magnéticos e elétricos. Uma investigação da Universidade de Aveiro (UA), que revela os segredos da relação entre a estrutura, a polarização elétrica e o comportamento de magnetização do titanato de bário dopado com ferro (numa concentração de apenas 100 partes por milhão), pode ser a chave para levar o compósito para o futuro da alta tecnologia.

Tornar as memórias RAM tão ou mais rápidas do que as atuais, e utilizando apenas uma pequena percentagem da energia, é um dos destinos agora abertos pela UA para um material num mundo cada vez mais repleto de dispositivos móveis.

Publicada no último número da revista ACS Applied Materials and Interfaces por um grupo de investigadores do Departamento de Física, do Centro de Investigação em Materiais Cerâmicos e Compósitos (CICECO) e do Instituto de Nanoestruturas, Nanomodelação e Nanofabricação (I3N), o estudo revela a vida, até agora desconhecia, de um material multiferróico há muito conhecido pelos cientistas.

“Um material multiferróico possui simultaneamente, e de um modo correlacionado, magnetização espontânea [característica que pode ser observada, por exemplo, em ímanes] e polarização espontânea”, explica Carlos Amorim, autor principal do artigo e estudante do Programa Doutoral em Física orientado por Vítor Amaral. Neste material, aponta o cientista, “a magnetização pode ser controlada através de uma tensão elétrica e a polarização pode ser controlada por um campo magnético, resultando numa miríade de potenciais aplicações tecnológicas para estes tipos de materiais”.

Localmente, descobriram os investigadores de Aveiro, o acoplamento magnetoelétrico deste auto-compósito é extremamente elevado, possuindo uma enorme variação relativa da magnetização entre as duas fases ferroelétricas de maior temperatura do Titanato de Bário. “O melhor de tudo é que além de termos obtido uma elevada variação da magnetização, esta dá-se a temperaturas acima da temperatura ambiente, algo absolutamente necessário nas aplicações tecnológicas correntes”, congratula-se Carlos Amorim.

Tendo em conta a natureza fundamental da investigação, as implicações destes resultados abrem alas a que talvez num futuro próximo possamos utilizar este tipo de materiais aplicados à tecnologia e à indústria. Em particular, “este tipo de materiais pode ser utilizado como forma alternativa de memórias RAM, tão ou mais rápidas que as memórias RAM atuais, mas necessitando apenas de cerca de um por cento da energia de funcionamento da atual tecnologia”. Um facto, sublinha Carlos Amorim, que é “extremamente útil num mundo repleto de dispositivos móveis como smarphones e tablets”.

O artigop pode ser visto em http://pubs.acs.org/doi/abs/10.1021/acsami.5b07462

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