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Opinião
Opinião de Jan Jacob Keizer, investigador do Departamento de Ambiente e Ordenamento, em nome do projeto RECARE
“Os solos têm um papel essencial a desempenhar nas discussões sobre Mudanças Climáticas”
Jan Jacob Keizer
No Dia Mundial do Solo, Jan Keizer, investigador da UA e coordenador do RECARE em Portugal, faz o balanço do trabalho já realizado por aquele que é o maior projeto da União Europeia no que toca ao estudo de medidas de prevenção e remediação da degradação dos solos europeus. O especialista em erosão do Departamento de Ambiente e Ordenamento e do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar, a três anos do término do projeto, garante que os cientistas continuam a trabalhar para encontrar soluções para proteger os nossos solos.

O Dia Mundial do Solo no dia 5 de dezembro de 2015 marca o final do Ano Internacional dos Solos, no entanto é reconfortante saber que os cientistas continuam a trabalhar para encontrar soluções para proteger os nossos solos.

2015 foi declarado o Ano Internacional dos Solos pelas Nações Unidas para aumentar a consciência da extrema importância do solo para a vida humana. Tanto como fornecedor de alimentos e fibras, os solos podem ter um papel importante na mitigação da mudança climática através do armazenamento do carbono e da diminuição das emissões de gases com efeito de estufa na atmosfera. Isto significa que os solos têm um papel essencial a desempenhar nas atuais discussões sobre Mudanças Climáticas que estão a ocorrer em Paris.

Apesar da atenção mundial se afastar agora dos solos, os investigadores do projeto RECARE, financiado pela UE, vão continuar a desenvolver soluções para os problemas de erosão do solo, compactação do solo, contaminação do solo, inundações e deslizamentos de terra, desertificação, perda de biodiversidade, diminuição da matéria orgânica, salinização e impermeabilização do solo. Os desafios para a vida das pessoas e seus bens são apresentados numa série de documentários internacionais que mostram como os solos degradados arruínam vidas.

Os investigadores do RECARE (incluindo uma equipa da Universidade de Aveiro, com membros do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar, do Departamento de Ambiente e Ordenamento e da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Águeda, estão a trabalhar com as populações locais em 17 casos de estudo distribuídos pela Europa para colocar em prática soluções para salvar os solos. Intervenções de baixa tecnologia, mas cientificamente informadas, estão em curso para transformar a protecção dos solos e as vidas dos que são afetados.

Alguns exemplos incluem, hidrovias com vegetação, acolchoado com palha (mulching) ou terraceamento para evitar a erosão do solo e as inundações, o uso de culturas mistas e diversificadas para aumentar a matéria orgânica do solo, ou a plantação de espécies de árvores específicas para remover as toxinas do solos contaminados. No âmbito do RECARE já foi produzida uma revisão das medidas potenciais que podem ser aplicadas para combater estas ameaças ao solo.

No caso de estudo português, a equipa da Universidade de Aveiro está a estudar a eficácia de medidas para reduzir a erosão hídrica do solo após incêndios florestais e, em particular, a eficiência da construção de barreiras de controlo de erosão, da aplicação de um coberto de resíduos florestais restantes da extracção lenhosa (mulching) e da lavragem segundo as curvas de nível após incêndios florestais. Estas medidas foram seleccionadas em conjunto com os agentes do RECARE em Portugal, em dois workshops que foram organizados no início deste ano na União das Freguesias de São João do Monte e Mosteirinho, onde ocorreu um grande incêndio durante o verão de 2013.

O professor Coen Ritsema, da Universidade de Wageningen na Holanda, é o coordenador do projeto RECARE. Usando as suas palavras, “como o Ano Internacional dos Solos está a terminar, é bom saber que o trabalho para proteger este recurso precioso continua. A equipa do projeto está empenhada em assegurar que é capaz de fornecer às pessoas soluções práticas e economicamente acessíveis para que eles possam proteger os nossos solos. 2015 fez crescer a sensibilização pública sobre o papel vital dos solos nas nossas vidas, agora necessitamos agir”.

Os investigadores do RECARE vão continuar o seu trabalho para desenvolver medidas de prevenção, remediação e reabilitação na batalha contra as ameaças ao solo até 2018, altura em que o projeto terminará.

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