conteúdos
links
tags
Opinião
Célia Freitas, investigadora da Escola Superior de Saúde da UA
É possível prevenir o cancro da mama?
A investigadora Célia Freitas
“A prevenção primária para o cancro da mama fica aquém do desejável, sendo necessário partir para outras estratégias na luta contra a doença, ou seja, concentrar esforços na sua deteção precoce através dos métodos de rastreio”. A opinião é de Célia Freitas, investigadora da Escola Superior de Saúde da Universidade de Aveiro, em artigo que assinala o Dia Nacional de Prevenção do Cancro da Mama.

Sendo o cancro da mama, o de maior incidência nas mulheres com mais de 50 anos em Portugal, e o que provoca a morte de cerca de 5 mulheres por dia, este merece uma especial atenção no que diz respeito à sua prevenção.

Contudo, e infelizmente para as mulheres, há pouco que se possa fazer para evitar a sua exposição à maioria dos fatores de risco, uma vez que a maioria não se podem controlar (e.g. idade, o facto de ser mulher, genética, densidade mamária, etc.).

É com base no conhecimento dos fatores de risco que se estabelecem formas de intervir aos vários níveis de prevenção. No caso particular do cancro da mama, se uma mulher tiver um fator de risco, ou até mesmo vários, esta pode nunca vir a desenvolver a doença. Por outro lado, algumas mulheres a quem foi diagnosticada a doença, aparentemente poderão não ter nenhum fator de risco (além de ser mulher e da idade). Porquanto, torna-se difícil relacionar qual o fator de risco que contribuiu para o aparecimento da doença numa mulher.

Neste sentido, a prevenção primária para o cancro da mama fica aquém do desejável, sendo necessário partir para outras estratégias na luta contra a doença, ou seja, concentrar esforços na sua deteção precoce através dos métodos de rastreio.

Pretende-se, desta forma, detetar a doença antes do aparecimento dos sintomas (e.g. nódulo palpável) e quando estes surgem, significa que a doença se encontra num estádio mais avançado, muitas vezes com invasão de outros tecidos para além da mama (e.g. gânglios linfáticos). Pelo contrário, os cancros detetados pelos exames de rastreio têm um tamanho mais pequeno e estão confinados à mama (e.g. carcinoma in situ). Desta forma, o tamanho do cancro e a sua disseminação são dos fatores mais importantes para estabelecer o prognóstico da doença para a mulher.

Dos métodos de rastreio estudados, a mamografia é o mais consensual no que diz respeito à deteção de tumores não palpáveis e de menores dimensões, garantindo assim, uma maior sobrevivência para a mulher. Por seu lado, o autoexame da mama não reúne a mesma concordância quanto à sua prática, havendo mesmo organizações internacionais que o desaconselham por acarretar maior ansiedade para as mulheres, maior número de falsos positivos e de biopsias que se vêm a verificar desnecessárias.   

De qualquer forma, em Portugal optou-se por continuar a recomendar o autoexame da mama como um método complementar à mamografia para as mulheres a partir dos 45 anos, sendo ainda mais importante para as jovens (a quem não se recomenda a mamografia), as quais devem ser sensibilizadas para a palpação da sua mama como forma de conhecerem o seu corpo e poderem identificar alterações possíveis, nomeadamente:

  • _ na mama ou no mamilo, quer no aspeto, quer na palpação;
  • _ presença de nódulo ou espessamento da mama e/ou axila;
  • _ sensibilidade no mamilo;
  • _ alteração do tamanho ou forma da mama;
  • _ mamilo invertido;
  • _ aspeto da pele da mama tipo “casca de laranja”;
  • _ secreção ou perda de liquido pelo mamilo.

 É de ressalvar que nestas idades são, na maioria das vezes, as próprias mulheres que detetam a doença.

“Prevenir o cancro da mama é o primeiro gesto para o vencer” (Liga Portuguesa Contra o Cancro)

imprimir
tags
outras notícias