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Opinião
Vera Afreixo, professora do Departamento de Matemática da UA e especialista em bioestatística
Depois de aprender a ler é fundamental aprender estatística
A investigadora Vera Afreixo
“A literacia estatística está a ganhar força, já não é qualquer análise que convence e está a exigir-se cada vez mais um uso cuidado da estatística”. A reflexão é de Vera Afreixo, especialista em Bioestatística da UA, em artigo de opinião escrito a propósito do dia 20 de outubro, Dia Mundial da Estatística.

Hoje em dia somos bombardeados com gráficos e sumários de estatísticas... são os jornais, as revistas, os noticiários, as farmácias, os anúncios, os médicos, as metas de desempenho do nosso trabalho... É sobejamente conhecido, pelo menos em contextos académicos, que a análise estatística traz valor aos estudos que pretendem caracterizar efeitos, comportamentos, tendências, intenções, opiniões. Através da estatística pode-se prever riscos, optimizar processos de produção, controlar a qualidade.

No que toca à investigação, a estatística pode aparecer desde o planeamento do estudo, recolha de dados, descrição dos dados, estimação, testes de hipóteses, modelação… e, finalmente, na análise dos resultados. É fundamental que a análise estatística não seja independente do contexto do estudo para que as conclusões sejam completas e integradas. De notar que a falta de validação estatística pode condenar a conclusão do próprio estudo.

A par com as diversas aplicações, a estatística também vai crescendo, novos problemas por vezes trazem novas necessidades estatísticas e levam a verdadeiros desafios de investigação estatística.

O lado sombrio desta história prende-se com o uso da estatística e da linguagem estatística para criar sensacionalismo: confundindo ou enganando:

  • _ “Foi encontrada a cura para a doença rara R…”
    • …mas não foi salientado que o ensaio foi realizado em ratinhos.
  • _ “90% dos utilizadores do produto P sentiram uma redução acentuada da queda de cabelo!”
    • …se lermos as letras pequeninas ao fundo da página verificamos que o produto foi testado num pequeno número de pessoas.
  • _ Em Portugal, a mortalidade por cancro em mulheres casadas é maior do que nas mulheres solteiras. Casar contribui para a ocorrência de cancro!
    • …mas as idades dos dois grupos apresentam diferenças.

 

Felizmente que, apesar de encontrarmos por vezes nos meios de comunicação social uma má utilização da estatística, também começam a notar-se alguns sinais reveladores de preocupação no seu uso adequado.

O grande número de piadas que são criadas em torno da estatística, também pode servir para alertar para o caricato de certas situações resultantes de uma inadequada utilização. A literacia estatística está a ganhar força, já não é qualquer análise que convence e está a exigir-se cada vez mais um uso cuidado da estatística.

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