conteúdos
links
tags
Cultura
Lançamento da nova série decorre a 30 de abril, em Lisboa
Docente da UA ilustra vida de Lince-ibérico em selos
Mãe Lince-ibérico e suas crias é um dos elementos da série concebida por Fernando Correia
São cinco selos, cinco fases da vida do lince-ibérico, da autoria do ilustrador científico e docente da Universidade de Aveiro (UA), Fernando Correia. A convite dos CTT Portugal, o docente do Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro e diretor do Laboratório de Ilustração Científica, ilustrou momentos marcantes do ciclo de vida de uma das espécies de felinos mais ameaçadas de extinção em todo o mundo, o Lince-ibérico ("Lynx pardinus"). A série de selos foi apresentada a 30 de abril, no Centro Cultural de Belém, no âmbito do seminário “Áreas Protegidas: marcas e modelos de gestão”.

Sob o tema "Reintrodução do Lince ibérico" foi lançado o desafio ao biólogo e ilustrador científico da UA de modo a que representasse a espécie, classificada como Criticamente em Perigo pela União Internacional para a Conservação da Natureza, e o esforço da sua reintrodução em território nacional, graças ao trabalho do Centro Nacional de Reprodução do Lince Ibérico/CNRLI, em Silves, desde 2009.

Uma única condição deveria ser respeitada, um dos cinco selos deveria criar uma ligação visual com o Jardim Zoológico de Lisboa (JZL) que, desde dezembro de 2014, possui um casal de linces nas suas instalações, entendido como uma das facetas da sua missão de sensibilizar, educar e divulgar para a preservação desta espécie endémica da Península Ibérica. A primeira vinheta representa, assim, o casal em reprodutor cativeiro, cujas ninhadas são depois criadas e libertadas na natureza.

Já no seu habitat e plenamente adaptadas, a representação passa por uma das principais tarefas da sua vida — caçar para sobreviver. Este selo foi idealizado e concebido colocando em evidência a presa favorita do lince, da qual se alimenta quase exclusivamente (±80% da sua dieta) — o coelho (Oryctolagus cuniculus).

O terceiro selo representa o momento do descanso, após o repasto — um macho precisa de consumir um coelho por dia e uma fêmea, se grávida, pode facilmente alimentar-se de até três. O quarto representa outra fase fundamental, em que procuram companhia para se reproduzirem, através do chamamento. Neste selo o animal surge na norma tipicamente lateral de uma prancha zoológica que facilita a identificação, uma vez que todos os caracteres com valor de diagnóstico estão desenhados.

O último selo e o maior (bloco) culmina com a reprodução da espécie na natureza, onde a progenitora está rodeada de quatro crias (o máximo que nasce em estado selvagem) — representaria, afinal, o sucesso da missão de reintrodução deste carnívoro no território nacional.

Contributo para a conservação de espécie ameaçada

O trabalho foi realizado ao longo de quatro semanas a desenhar e a pintar mais de 12 horas por dia, antecedidas por vários dias no JZL a obter esboços de comportamentos e registrar os mesmo em fotografia, além de muitas outras horas para pesquisa bibliográfica, na internet e organizando muitas contribuições de especialistas e fotógrafos profissionais (como António Sabater) para conseguir chegar a “um resultado que colheu os melhores elogios da equipa dos CTT Portugal que acompanhou todo o processo”, assinala Fernando Correia.

“Sendo uma das espécies mais gráceis e bonitas da nossa fauna, houve todo um cuidado trabalho de planeamento sobre o que cada selo deveria transmitir, isoladamente e em conjunto”, afirma o docente, quis “construir a história ideal deste novo ciclo de vida do lince-ibérico, narrada em cinco vinhetas (cada um seria um selo), organizadas como se de uma tira de banda desenhada se tratasse”.

Fernando Correia, refere ainda que além deste tema o apaixonar, enquanto biólogo e ilustrador científico, também o cativou por, assim, poder dar o seu contributo para a conservação desta espécie, divulgando-a através destas “unidades comunicacionais tão singulares e disseminadas como o são os selos”. O ilustrador pretende ainda, com este contributo e indiretamente, homenagear a fêmea Kayakweru, libertada no passado 7 de fevereiro e encontrada morta pouco mais de um mês depois, nas redondezas de Mértola, vítima de envenenamento.

Já em 2013, o ilustrador científico fora convidado pela Organização das Nações Unidas (ONU) para desenhar outras quatro espécies de mamíferos ameaçados de extinção também em selos.

A nova série de selos foi apresentada a 30 de abril, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, no âmbito do seminário “Àreas Protegidas: marcas e modelos de gestão”.

 

Nota técnica:

Emissão filatélica composta por quatro selos e um bloco: um selo com valor facial de 0,45€ e uma tiragem de 155 000 exemplares; outro com valor facial de 0,55€ e tiragem de 120 000 exemplares; um selo com valor facial de 0,72€ e tiragem de 145 000 exemplares; um selo com uma tiragem de 115 000 exemplares e um valor facial de 0,80€; e um bloco com um selo com valor de 2,00€ e uma tiragem de 40 000 exemplares.

imprimir
tags
veja também
 
evento relacionado
 
outras notícias