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Entrevistas
Carlos Borrego inicia novo mandato como diretor do DAO
Ambiente e Ordenamento prossegue aposta na excelência
Carlos Borrego inicia novo mandato como diretor do DAO
A iniciar o segundo mandato como diretor do Departamento de Ambiente e Ordenamento (DAO) da UA, Carlos Borrego entende esta nova fase como uma continuação do anterior e assume, desde logo, a prioridade da “criação de conhecimento através da investigação científica da mais alta qualidade”. “O único objetivo possível nesta frente é o da excelência”, sublinha o professor do DAO que já foi Vice-reitor e ministro do Ambiente e Recursos Naturais entre 1991 e 1993. O DAO reformulou parte da oferta formativa e discute a criação de uma licenciatura na área do ambiente, em colaboração com outras unidades orgânicas da UA.

Quer destacar e explicar, sucintamente, duas prioridades do seu programa de candidatura?

Estando em segundo mandato, este será a continuidade do anterior com as mesmas prioridades. Assim, irei continuar a privilegiar a criação de conhecimento através da investigação científica da mais alta qualidade. O único objetivo possível nesta frente é o da excelência. A experiência mostra que as descobertas com maior impacto no alargamento da fronteira do conhecimento se deveram ao trabalho realizado em equipas, e em especial em equipas interdisciplinares. Investir em investigação no DAO significa, principalmente, aposta na qualidade dos recursos humanos que o Departamento consegue mobilizar para essa função, o que também suporta a qualificação do nosso pessoal e a preparação da progressão na carreira.

Outra prioridade é melhorar a oferta formativa, enformada pela realidade de Bolonha, com metodologias de ensino e aprendizagem atuais e baseadas em conhecimento de excelência, de forma a colocarem o estudante no centro do processo, o que considero essencial na reforma em curso, sem no entanto esquecer o papel fulcral do professor, quer na sala de aula, quer nos programas de apoio pedagógico a docentes. Esta política será acompanhada de estreita monitorização da aceitação pelo mercado de trabalho dos diplomados do DAO, em particular após a aprovação do novo Mestrado Integrado em Engenharia do Ambiente.

MIEA aguarda Selo OE+EUR-ACE

Os cursos de Engenharia, incluindo a Engenharia do Ambiente, têm vindo a receber menos candidatos ao ensino superior nos últimos anos. A Engenharia do Ambiente tem futuro em Portugal? Como se poderá minimizar este problema que é nacional?

A formação dada no novo Mestrado Integrado em Engenharia do Ambiente (MIEA) resulta de uma nova visão da Engenharia do Ambiente, menos focada nas soluções curativas e mais centrada na prevenção dos problemas ambientais e gestão de infraestruturas, o que implica uma maior interdisciplinaridade. Isto mostra que a engenharia do ambiente continua a ter futuro, enquanto área de engenharia que interage com as outras, dando solução aos desafios específicos de cada, com a eco-inovação como solução.

Mas a aposta de atrair estudantes não se ganha apenas nesta vertente. O MIEA será reconhecido com o Selo OE+EUR-ACE, fazendo dele uma marca diferenciadora de outros cursos. Pretendemos aumentar o nº de estudantes em todos os ciclos, não esquecendo que o DAO coordena ou apoia 12 cursos. Está em discussão a criação de uma licenciatura na área do ambiente, em colaboração com outras Unidades Orgânicas, como formação de base abrangente para vários 2º ciclos, com especial atenção à CPLP. Queremos otimizar os recursos identificando unidades curriculares (UC) que possam ser comuns a outros cursos em que o DAO participa e UC do DAO que possam ser oferecidas a outros cursos da UA.

A Engenharia do Ambiente da UA foi um curso pioneiro em Portugal. Mantém esse pioneirismo? Que estratégias pode a UA estabelecer para que seja possível rejuvenescer o pioneirismo?

Acabámos de mostrar que mantemos o pioneirismo ao termos criado o MIEA, reconhecido como inovador pela avaliação da A3ES. No entanto, esta só será uma aposta completamente ganhadora se os nossos estudantes aderirem ao novo modelo e daí beneficiarem de mais recetividade dos empregadores, esforços que estamos a fazer, em estreita colaboração com a Direção de Curso. A UA pode potenciar esta aposta de rejuvenescimento se for um facilitador das sinergias entre cursos e equipas de investigação, fortalecendo a verdadeira interdisciplinaridade.

 O DAO, os seus professores e investigadores, têm uma forte participação no Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM), laboratório associado da UA que foi classificado com “Excelente” pelo painel da FCT. Esta última avaliação das unidades de investigação trouxe algumas mudanças nas condições para a investigação… A investigação no DAO está bem e recomenda-se?

Tenho sempre defendido que a investigação é muito importante para os professores, porque fazer ciência é uma forma de avançar nas suas áreas de conhecimento, sem a qual apenas lhes caberia repetir conhecimentos produzidos noutro lugar. Assim, defendemos que o ensino não deve ser uma sobrecarga que inviabilize a investigação, devendo usar os instrumentos em vigor, em especial a definição do perfil do docente no sistema de avaliação da UA para equilibrar os tempos alocados às quatro missões da universidade.

Nesta perspetiva, existe uma vantagem comparativa para o DAO na crescente competição entre universidades e a procura de excelência, porque o Laboratório Associado “Centro de Estudos do Ambiente e do Mar – CESAM”, no seio do qual o DAO desenvolve investigação, tenta garantir a interdisciplinaridade requerida e a excelência da investigação realizada, como demonstra a classificação obtida na recente avaliação nacional das unidades de investigação.

A investigação no DAO “está bem e recomenda-se”, mas não nos acomodamos nos louros… Vamos rever os Grupos funcionais do DAO, em mais estreita articulação com a estrutura do CESAM e com a nova visão da Engenharia do Ambiente mais interdisciplinar, respondo de modo eficaz aos novos desafios societais do H2020 e do Portugal 2020.

Atrair novos públicos para o DAO

Como pode a sua unidade orgânica aproximar-se mais da sociedade, ir ainda mais ao encontro das suas necessidades ou antecipar questões estratégicas?

O DAO está disponível para contribuir para a estratégia da UA nesta área com a sua consolidada experiência de prestação de serviços com mais de 30 anos. Continua a ser recomendável que o Departamento não absorva, intramuros, tarefas de rotina, as quais devem ser transferidas para a unidade de interface existente, o IDAD-Instituto do Ambiente e Desenvolvimento que se aproxima dos 23 anos de existência. É também do maior interesse que o DAO participe ativamente nos trabalhos do IDAD e obtenha (tal como até agora) os benefícios legítimos, não só de natureza económica mas de prospeção de futuros contratos.

Esta componente da missão do DAO, de cooperação com a sociedade, tem uma outra vertente, que queremos realçar: atrair para o DAO novos públicos. Tal projeto de atrair para a formação, nos seus cursos de pós-graduação, mais estudantes, numa lógica de aprendizagem ao longo da vida, está a ser preparado também com a UNAVE. Passará por cursos de curta, média e longa duração, desenhados para várias áreas profissionais, desde logo na formação de professores, com o objetivo de mobilizar os próprios formandos, bem como nos seus públicos de intervenção.

Outra tarefa importante num departamento como o DAO é a comunicação e divulgação da ciência. Além da ativa colaboração nas iniciativas anuais da UA, manteremos a Comissão de Dinamização e Divulgação do DAO, criada no mandato anterior, permitindo continuar o trabalho lançado, e reforçando a promoção da imagem do DAO e a comunicação ao público em geral. Não esquecemos que os docentes com maiores responsabilidades deverão ter a preocupação de divulgar adequadamente os resultados obtidos na investigação com a participação em conferências, congressos, seminários, palestras, etc. Incentivamos o aparecimento de membros do DAO na comunicação social, consubstanciando lideranças temáticas (desenvolvimento sustentável, alterações climáticas, avaliação de ciclo de vida, poluição atmosférica, água,…).

Que proposta avança para reforçar a UA como universidade de referência internacional?

Não tenho soluções diferentes das apresentadas e defendidas pelo Reitor, por isso, reforço que a UA deve continuar a apostar na internacionalização da pós-graduação (temos no DAO um mestrado e um Programa doutoral Erasmus Mundus e um mestrado luso-brasileiro), aproveitando as novas ações-chaves do programa Erasmus+, com enfoque também na mobilidade de docentes. Devemos ter uma estratégia própria para a CPLP.

Quer desvendar uma atividade que habitualmente realiza, para além do trabalho académico, e que o ajuda a recarregar as “baterias”?

Mantenho os 15 minutos de ginástica todos os dias, logo que me levanto, seja a que horas for…

Quem é Carlos Borrego?

Vice-reitor entre 1998 e 2002 e ministro do Ambiente e Recursos Naturais, entre 1991 e 1993, recebeu a 11 de Maio de 2013, no decurso da Sessão Solene da Entrega de Distinções Honoríficas, a Medalha de Mérito Científico, atribuída pela Câmara Municipal de Aveiro. O professor e investigador, é também diretor do Instituto de Ambiente e Desenvolvimento (IDAD). Coordenador do Grupo de Emissões e Modelação das Alterações Climáticas (GEMAC), do Departamento de Ambiente e Ordenamento da Universidade de Aveiro, foi e é coordenador científico de dezenas de projetos, orientador de várias teses de doutoramento e mestrado, autor de mais de 400 artigos em revistas (com arbitragem editorial), em congressos, notas técnicas, relatórios de projetos e capítulos de livros, além de ser coeditor de sete livros. Carlos Borrego, entre vários outros cargos e funções que desempenhou e desempenha, é ainda membro dos Painéis de Avaliação de Programas da Comissão Europeia, avaliador (“referee”) de várias revistas científicas citadas no Science Citation Index, diretor e membro da Comissão Diretiva da European Association for the Science of Air Pollution (EURASAP), delegado nacional ao Comité de Gestão do Subprograma “Ambiente e Desenvolvimento Sustentável” do 5º Programa Quadro de Investigação da CE (desde 1999), membro da Academia de Engenharia - Chairman do Scientific Board dos International Technical Meetings of NATO-CCMS (Committee on the Challenges of Moderne Society) on Air Pollution Modelling.

 

Mais informação: https://www.ua.pt/gaqap/uaemmudanca/PageText.aspx?id=19245 .

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