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Entrevistas
Tito Trindade, novo diretor do Departamento de Química
DQ quer apostar na qualidade da investigação e na diversificação do ensino
Tito Trindade é o novo diretor do Departamento de Química
Tito Trindade, novo diretor do Departamento de Química (DQ), defende uma aposta na qualidade da investigação e inovação tecnológica; no aproveitamento das oportunidades de financiamento, recorrendo aos meios disponíveis - equipamentos e recursos humanos – e, com tudo isso, produzir investigação com impacto internacional e/ou com potencial para inovação tecnológica. O docente do DQ, autor de cerca de 200 publicações, três patentes e cerca de 4500 citações, é também investigador no CICECO- Instituto de Materiais de Aveiro, laboratório associado da Universidade de Aveiro (UA), coordenando as atividades do nanoLAB@dq, dedicado à investigação em Nanoquímica.

Quer destacar e explicar, sucintamente, duas prioridades do seu programa de candidatura?

O ensino e investigação são vertentes da ação universitária que entendo serem complementares, pelo que destaco duas orientações estratégicas, uma mais relacionada com a investigação e outra mais com o ensino. Ao nível da investigação, apostar em medidas que visem aumentar ainda mais a qualidade da investigação científica e tecnológica, em articulação com as unidades de investigação e laboratórios associados. Sem prejuízo para os bons indicadores quantitativos, importa agora incentivar a qualidade e visibilidade internacional da investigação produzida no DQ. Ao nível do ensino, tentar diversificar a oferta formativa, fazendo uma boa gestão dos recursos disponíveis e procurar novos públicos-alvo. O DQ dispõe, atualmente, de recursos humanos com competências diversificadas que podem responder a novos desafios que se colocam ao ensino praticado no DQ, em termos de Química, Bioquímica, Biotecnologia e Engenharia Química, bem como em ciências de interface como sejam as Nanociências e Ciências do Mar. A articulação de iniciativas que visem diversificar modalidades de ensino, em conjunto com a Reitoria e outras unidades orgânicas, é uma medida que considero prioritária.

Apesar de menos evidente do que nos cursos de Engenharia a nível nacional, os cursos de Ciências e, logo, também o de Química da UA, têm vindo a receber menos candidatos ao ensino superior nos últimos anos. Que pode o DQ fazer para minimizar este problema?

Primeiro, convém deixar claro que não é exato fazer-se essa generalização a todos os cursos de Ciências e Engenharia. Por exemplo, na sua globalidade, o DQ é um polo atrativo para estudantes dos diversos ciclos de estudos. Contudo, é verdade que o número de alunos inscritos na Licenciatura em Química tem vindo a diminuir para níveis que a todos nos deveriam preocupar. Trata-se de uma tendência geral que não está circunscrita ao DQ da UA, mas é efetivamente um problema que teremos de enfrentar. O DQ tem vindo a tomar medidas muito interessantes já há uns anos a esta parte que visam divulgar a Química e o DQ em particular. Essas medidas de divulgação e promoção da Química entre as camadas mais juvenis deverão continuar a ser implementadas com o mesmo entusiasmo. Paralelamente, entendo que deve haver uma conjugação de esforços, no sentido de inverter a tendência de diminuição do número de alunos inscritos em Química nas universidades portuguesas. Trata-se de uma Ciência com uma centralidade muito própria ao nível do conhecimento científico, conferindo competências muito diversas para o desempenho de uma profissão a diversos níveis, nomeadamente pela versatilidade de formação que proporciona na abordagem de novos problemas. Saliento o facto de que os cursos no DQ permitem que um aluno opte por uma formação mais orientada para determinada especialidade ou com características interdisciplinares, por exemplo no âmbito do trabalho desenvolvido em ambiente de investigação. A relevância da Química em sociedades baseadas no conhecimento e na tecnologia foi muito bem vincada pelo cientista que descobriu os gases nobres existentes no ar, o químico William Ramsay (1852–1916), “The country which is in advance of the rest of the world in chemistry will also be foremost in wealth and in general prosperity.”

DQ: ambiente científico de topo

A investigação científica praticada no DQ da UA é atualmente reconhecida a nível internacional, como explica no seu programa de ação. Os docentes e investigadores do DQ integram dois laboratórios associados da UA (CICECO e CESAM) e as unidades QOPNA e iBiMED. A menor afluência ao curso de Química, comparativamente com outros cursos do DQ e anos anteriores, a situação do país e a política atual poderão colocar em risco a qualidade da investigação?

De acordo com a sua missão de criação e transferência de conhecimento para a sociedade, o DQ tem sido e vai continuar a ser uma unidade orgânica com portas abertas para a comunidade em geral. Naturalmente que uma unidade orgânica aberta não é imune a fatores externos, sejam eles oportunidades ou constrangimentos. No entanto, o DQ em colaboração com as unidades e laboratórios associados, já deu provas de estar à altura dos desafios, mesmo em contexto não favorável. A melhor resposta é precisamente apostar na qualidade da investigação e inovação tecnológica; aproveitar as oportunidades de financiamento em termos de programas nacionais e internacionais; recorrer aos meios disponíveis, em termos de equipamentos e recursos humanos, no sentido de produzir investigação com impacto internacional e/ou com potencial para inovação tecnológica. Trata-se de um desafio que será enfrentado com uma cultura de trabalho e esforço coletivo, no qual a direção e todos os membros do DQ deverão estar envolvidos.

No seu programa refere-se a necessidade de "promover iniciativas que visem o aumento do sucesso escolar, a qualidade no ensino e  a integração profissional". Como será possível concretizar estes objetivos?

Por um conjunto integrado de medidas que em articulação com a Reitoria e os vários agentes da UA, possam traduzir-se em ganhos em termos de formação e inserção profissional. A UA tem neste momento alguns instrumentos que permitem monitorizar a qualidade de ensino e percursos formativos, que certamente irão contribuir para esse objetivo geral. Assim, gostava de realçar que há já trabalho realizado nesta área, nomeadamente pela anterior direção, ao qual se pretende dar continuidade e que irá permitir também ensaiar novas experiências. Outra medida passa por garantir a capacidade do DQ para oferecer cursos de curta duração e estágios profissionalizantes. Gostaria também de sublinhar a seguinte ideia chave. Um aluno ao optar por frequentar um ciclo de estudos no DQ da UA, fica automaticamente exposto a um ambiente cientificamente produtivo e criativo, seguramente de topo a nível nacional. Isto tem consequências positivas ao nível da investigação e transferência de conhecimento para o exterior, mas também proporciona condições únicas a um estudante que pretenda obter uma formação sólida visando contextos profissionais diversos e com credibilidade perante potenciais empregadores.

Evidenciar valências

O DQ da UA tem vindo a estabelecer inúmeras parcerias com a sociedade, mais concretamente com a indústria e com as empresas. Como poderá o DQ reforçar a ligação à sociedade e ir ainda mais ao encontro das suas necessidades?

É um facto positivo que se pretende reforçar. De alguma forma, a resposta anterior aborda este aspeto mais específico da ligação do DQ à comunidade empresarial. Gostava de salientar o interesse em reforçar a prestação de serviços especializados, em articulação com as unidades de investigação e unidades de interface existentes na UA, nomeadamente incentivando parcerias no âmbito de programas de financiamento nacional e internacional. Um ponto que me parece especialmente relevante, é procurar evidenciar valências existentes no DQ que pelas suas características menos óbvias de aplicação tecnológica não são tão visíveis para as empresas. Trata-se de um aspeto largamente condicionado pela ausência de uma cultura nacional de valorização da investigação dita fundamental como motor de inovação tecnológica. É um investimento que pode levar o seu tempo a produzir frutos, mas, simultaneamente, é um dos grandes trunfos das sociedades tecnologicamente mais evoluídas.

Dê uma ideia para tornar a UA uma universidade de referência internacional ainda mais evidente do que já é.

Um convite bem-sucedido a uma personalidade nobelizada, em qualquer área do conhecimento, para trabalhar na Universidade de Aveiro durante uma boa temporada...

Dê o exemplo de uma atividade que habitualmente realiza, para além do trabalho académico, e que o ajuda a recarregar as "baterias".

Uma corrida bem puxada é sempre uma atividade revigorante, especialmente se acompanhada com música de batida adequada para recarregar “baterias”, por exemplo, AC/DC.

Quem é Tito Trindade?

Tito Trindade, novo diretor do Departamento de Química (DQ), defende uma aposta na qualidade da investigação e inovação tecnológica; no aproveitamento das oportunidades de financiamento, recorrendo aos meios disponíveis - equipamentos e recursos humanos – e, com tudo isso, produzir investigação com impacto internacional e/ou com potencial para inovação tecnológica. O docente do DQ, autor de cerca de 200 publicações, três patentes e cerca de 4500 citações, é também investigador no CICECO- Instituto de Materiais de Aveiro, laboratório associado da Universidade de Aveiro (UA), coordenando as atividades do nanoLAB@dq, dedicado à investigação em Nanoquímica.

 

Mais informação: https://www.ua.pt/gaqap/uaemmudanca/PageText.aspx?id=19218 .

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