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Investigação
Estudos do Departamento de Biologia e CESAM considerados dos mais relevantes
Balanço de 2014 na Molecular Ecology destaca artigos de investigadores da UA sobre corais
Descoberta a alimentação dos corais fotossintéticos
Os corais fotossintéticos afinal também se alimentam de algas. Chegam a demorar 10 dias a ingerir o alimento, algo só conhecido nas aranhas. Estas duas conclusões constam de estudos realizados por investigadores da Universidade de Aveiro (UA) e publicados no Molecular Ecology e destacados entre os artigos mais relevantes de 2014 no balanço realizado por este periódico científico. Trata-se dos artigos “Coral feeding on microalgae assessed with molecular trophic markers” e “Molecular assessment of heterotrophy and prey digestion in zooxanthellate cnidarians” em que Miguel Leal e Ricardo Calado são dois dos autores.

Os corais, tão popularizados pelas ameaças ambientais que têm vindo a enfrentar, são objeto de dois dos artigos mais relevantes de 2014, para o periódico científico Molecular Ecology, e foram assinados por um grupo de investigadores onde pontificam dois investigadores da UA. No início de cada ano, os editores da Molecular Ecology escrevem um editorial onde destacam alguns dos trabalhos de maior relevância. No de janeiro de 2015 são destacados dois artigos sobre corais fotossintéticos de que Miguel Leal e Ricardo Calado, membros do Departamento de Biologia (DBio) e do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM), são autores.

O artigo “Coral feeding on microalgae assessed with molecular trophic markers” (“Molecular Ecology” 23:3870-3876), divulga um estudo em que foram utilizados métodos moleculares quantitativos para estimar o alimento ingerido e digerido por anémonas e corais fotossintéticos. Um dos principais resultados deste estudo indica que os corais demoram cerca de 10 dias a digerirem o alimento, revelando algumas semelhanças com insetos, nomeadamente aranhas.

O outro artigo, “Molecular assessment of heterotrophy and prey digestion in zooxanthellate cnidarians(Molecular ecology 23:3838-3848), utiliza métodos moleculares para revelar, pela primeira vez, que corais fotossintéticos se alimentam de fitoplâncton. Uma vez que estes corais têm microalgas (dinoflagelados) nos seus tecidos, pensava-se que as microalgas (fitoplâncton) não faziam parte da sua dieta, para além do zooplâncton. Miguel Leal considera que, apesar deste tema ser básico no estudo sobre biologia de espécies, esta conclusão só agora foi possível porque só agora as ferramentas adequadas podem ser utilizadas. As ferramentas moleculares, neste caso o reconhecimento de ADNdo alimento ingerido pelo predador, apresentam um grande potencial para o estudo de interações tróficas e tem sido uma das principais ferramentas na investigação desenvolvida por Miguel Leal e Ricardo Calado.

Os dois estudos resultam da tese de doutoramento de Miguel Leal, realizado na UA em parceria com a Universidade da Geórgia, nos Estados Unidos, e o Centro Científico do Mónaco,e com orientação de Ricardo Calado.

Estes corais duros, caraterísticos dos trópicos, são muito procurados para aquários. Os estudos divulgados pela Molecular Ecology, um dos periódicos científicos mais influentes em ecologia e evolução, tendo publicado cerca de 450 artigos no ano de 2014, constituem ainda um importante contributo para a proliferação do cultivo destas espécies em aquacultura.

 

Referências:

Leal, M. C., Ferrier-Pagès, C., Calado, R., Thompson, M. E., Frischer, M. E., & Nejstgaard, J. C. (2014). "Coral feeding on microalgae assessed with molecular trophic markers". Molecular ecology 23:3870-3876

Leal, M. C., Nejstgaard, J. C., Calado, R., Thompson, M. E., & Frischer, M. E. (2014). "Molecular assessment of heterotrophy and prey digestion in zooxanthellate cnidarians". Molecular ecology 23:3838-3848

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