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Opinião
Elisabeth Kastenholz escreve sobre o Dia Mundial do Turismo
Turismo de futuro e atento ao desenvolvimento das comunidades
Elisabeth Kastenholz
A importância estratégica do setor do turismo, hoje em dia, e os desafios que enfrenta são temas do texto de opinião de Elisabeth Kastenholz, professora do Departamento de Economia, Gestão e Engenharia Industrial e coordenadora da área de Turismo da UA, quando se assinala o Dia Mundial do Turismo (27 de setembro). Num contexto fortemente concorrencial à escala mundial e muito concentrado nas questões económicas, o turismo deve dar respostas de longo prazo, de sustentabilidade, e atentas ao bem estar das comunidades de acolhimento.

Não há grandes dúvidas sobre a relevância económica de um setor que representa nove por cento do Produto Interno Bruto Global, um em cada 11 postos de trabalho a nível mundial, setor de exportação e por isso relevante para o equilíbrio da balança de pagamentos de um Estado, com um peso impressionante na economia de muitos países, mobilizando atualmente mais de 1000 milhões de turistas internacionais (os movimentos domésticos estimam-se ser cinco a seis vezes superiores). O crescimento do setor é igualmente impressionante (tendo-se registado em 1950 apenas 25 milhões de turistas internacionais), com taxas de crescimento quase sempre positivas nas últimas décadas, aparentemente resistente às diversas crises que se têm observado em todo o mundo. Também em Portugal tem sido identificado como setor estratégico, com sinais de grande potencial ainda por desenvolver.

Contudo, o efeito final do fenómeno turístico pode ser mais ou menos benéfico, para mais ou menos pessoas, por períodos mais ou menos prolongados, procurando-se atualmente desenvolver a atividade no sentido de maximizar os efeitos positivos e minimizar os negativos, no longo prazo, isto é visando a sustentabilidade. Esta ambição exige naturalmente capacidade de planeamento e gestão, uma abordagem cautelosa e integradora das diversas facetas do fenómeno. O exercício torna-se tanto mais exigente, quanto mais se observa uma intensificação da concorrência mundial, um surgir constante de novos produtos e destinos, respondendo a uma procura intensificada de novas experiências turísticas. Por outro lado, temos vindo a assistir nos últimos anos a uma focalização da ação pública numa visão de desenvolvimento que tem dado primazia a questões económicas, em detrimento das restantes dimensões da sustentabilidade.

É, por isso, muito pertinente a Organização Mundial do Turismo (OMT) chamar este ano, no Dia Mundial do Turismo, celebrado em cerimónias oficiais a 27-09-2014 em Guadalajara/ México, a atenção para a necessidade de direcionar as preocupações do setor para uma visão de longo prazo, que considera os impactes do turismo nas comunidades de acolhimento.  O lema escolhido este ano é “turismo e desenvolvimento comunitário”, procurando estimular o debate sobre o desafio colocado ao setor do turismo em criar valor cultural, económico, político e social (ver http://wtd.unwto.org/content/about-wtd-2014-wtd2014). A OMT enquadra a sua iniciativa nos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio que as Nações Unidas estabeleceram como princípios orientadores, a partir de 2015, também para o setor turístico (http://www.unwto.org/tourism&mdgsezine/).

Subscrevemos a relevância desta perspetiva para o desenvolvimento do setor turístico também em Portugal, e integramo-la nos nossos cursos de turismo na Universidade de Aveiro, em muitos dos nossos debates em sala de aula e na nossa investigação. Estamos conscientes do desafio que enfrentamos aqui e em muitos outros países, mas também confiantes num setor onde abundam exemplos de boas práticas, algumas das quais apresentadas no Dia Mundial de Turismo e nos  websites acima indicados que vale a pena explorar.

 

Elisabeth Kastenholz,

Coordenadora da Área de Turismo da Universidade de Aveiro

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