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Por um mundo melhor e uma experiência pessoal inesquecível
Estudantes da UA de férias em missões de voluntariado em África
Viviane Runa entre as crianças de Inharrime, em Moçambique
Dispensaram a praia, os festivais, o InterRail e o Algarve. Puseram de lado o descanso, a piscina, a tenda de campismo e os mergulhos no mar e aproveitaram as férias de verão para ajudar quem mais precisa nalgumas das zonas mais pobres do mundo. Nos últimos três anos, foram 20 os alunos da Universidade de Aveiro (UA) que durante o mês de agosto e setembro, através do Centro Universitário Fé e Cultura (CUFC), rumaram a Angola, ao Brasil, a Moçambique e à Guiné com a missão de transformarem o planeta num lugar um pouco melhor para se viver.

Enviados de Aveiro para projetos humanitários instalados em regiões de países de língua oficial portuguesa onde a vida pouco ou nada se compara com os confortáveis padrões ocidentais, os estudantes levam na bagagem dois grandes objetivos: sensibilizar para o desenvolvimento sustentável das comunidades e, pela Fé que proferem, colocarem em prática o Amor pelo outro. E às vezes basta só um sorriso para mudarem uma vida inteira.

“Pelas missões ad gentes [destinadas a enviar leigos e voluntários para países em vias de desenvolvimento para realizarem atividades sociais e de educação para o desenvolvimento] pressupõe-se que os voluntários estejam ao serviço das pessoas e comunidades que encontrarão em missão e que pratiquem os valores cristãos”, explica Viviane Runa, estudante da Licenciatura em Biotecnologia da UA e responsável no CUFC pelas missões de voluntariado. Estas são igualmente organizadas e realizadas em parceria com o Secretariado Diocesano de Animação Missionária (SDAM) e pela ONG ORBIS - Cooperação e Desenvolvimento.

“Não só os voluntários levam uma mensagem de Amor como também promovem e sensibilizam para o desenvolvimento e sustentabilidade das comunidades”, aponta a estudante que teve a primeira experiência de voluntariado internacional em Moçambique, durante o mês de agosto de 2012. “É nestes aspetos que as missões ad gentes diferem de missões humanitárias ou de emergência porque têm uma outra dimensão espiritual e de envolvência com as pessoas”, aponta a responsável.

Ajudar os outros e mudar o mundo

Em setembro de 2011 inscreveu-se nas sessões de formação do CUFC para missões de Voluntariado [todos os voluntariados têm formação durante um ano antes de embarcarem]. “Queria ajudar os outros, mudar o mundo e ter uma experiência de voluntariado mais intensa. Também me deixei levar pela curiosidade da aventura numa cultura completamente diferente. Mas acabou por não se revelar tão supérfluo e ser uma intensa descoberta”, descreve. Para Moçambique, mais concretamente para a região de Inharrime, a Viviane levou uma vontade férrea de ajudar as Irmãs da Congregação Palotina, onde ficou alojada, prestar reforço escolar às crianças e ainda monitorizar alguns projetos para o desenvolvimento ou humanitários da ORBIS.

“Foi uma experiência essencialmente de aprendizagem. Foi muito marcante e senti-a como uma transição na minha forma de ver a vida e estabelecer prioridades, bem como perceber melhor as comunidades consideradas desfavorecidas e em desenvolvimento”, relata. Viviane lembra que, afinal, “as reais necessidades nesses locais não são assim tão fáceis de identificar” e que as soluções que normalmente os europeus consideram pertinentes “podem não se adequar naquele meio nem ser prioritárias”.

De moçambique, Viviane trouxe também a certeza do “quão importante é a presença de missões católicas nas comunidades em questão e o trabalho admirável que é desenvolvido pela Igreja a pensar naquelas pessoas”. Muito mais do dar, “recebi tanto que ficou sempre um sentido de dever por aquela comunidade e por quem conheci”. E é por isso que Viviane continua té hoje a desenvolver trabalho pelas missões.

Um choque cultural enorme

Da memória de Viviane jamais sairão os cenários de pobreza extrema e alguns costumes ou práticas sociais como a poligamia, a feitiçaria, a desvalorização da mulher, a excisão e outros rituais de iniciação e a discriminação de pessoas com deficiência ou com albinismo. “Tudo isso me chocou muito”, lembra-se.

E o rosto de Raína, uma menina portadora de SIDA e filha de pais seropositivos, que em estado muito debilitado foi pedir ajuda à casa das Irmãs onde a Viviane estava alojada, continua a aparecer-lhe nos pensamentos diariamente. Com os pais desaparecidos, a congregação tentou falar com uma tia da pequena e convencê-la de que seria importante levá-la para um hospital situado noutra província.

“Mas nada conseguimos e a menina não terá resistido por muito tempo. “Mesmo que quiséssemos levá-la não podíamos e, na eventualidade dela morrer enquanto estava connosco, iriam considerar-nos culpados e a presença da missão naquele local poderia ser comprometida. Marcou-me impotência de poder fazer algo”, reconhece.

Uma experiência para a vida

Claro que não é em missões com a duração de apenas um ou dois meses que os voluntários conseguem alcançar ou ver concretizados os objetivos propostos. Mas o CUFC, a SDAM e a ORBIS pretendem que as viagens e a presença nos locais de acolhimento sejam um reforçar ou descoberta da Fé dos voluntários e que regressem e continuem a missão, seja estando envolvidos nas paróquias, na organização ou nos projetos associados.

Geralmente, aponta a estudante, “quem volta adora a experiência e é sem dúvida algo com impacto na vida dos voluntários”. Mas em alguns casos o voluntariado “transforma as pessoas e as suas perspetivas sobre vários temas e valores - e a meu ver, é nestes casos que a Missão fez realmente sentido porque deixa de se restringir a um ou dois meses para realmente ser um percurso e objetivo de vida”.

Antes da partida para uma viagem que pode mudar para melhor muitas vidas, os voluntários têm formação – fundamental para preparar a missão - durante um ano onde são abordados temas como os Direitos Humanos, gestão de projetos e Inculturação e Espiritualidade em missão.

Durante esse ano de preparação os voluntários organizam também algumas atividades de divulgação do projeto e de sensibilização para a causa e alguns eventos para angariação de fundos destinados a ajudar nas despesas de viagens e para serem doados aos locais de missão que os irão acolher.

“Todas estas atividades são igualmente importantes para a equipa de formação avaliar os voluntários e de certo modo garantir que se enquadram neste tipo de voluntariado e que irão representar os valores pelos quais trabalhamos e defendemos”, explica Viviane Runa.

E quem quiser participar numa missão nas próximas férias de verão o que tem de fazer? “Apenas participar na formação, comprometer-se com a Missão e estar disponível”, diz. As inscrições abrem já em outubro.

Quem tiver interesse ou quiser obter informações mais detalhadas poderá sempre enviar um mail para voluntariado.sdam@diocese-aveiro.pt. Escrever e enviar o email pode mesmo ser o primeiro passo para ajudar a transformar o mundo num lugar mais humano.

Nota: Testemunhos e fotos da missão de alguns dos voluntários podem ser vistos em https://www.facebook.com/media/set/?set=a.744815138908646.1073741995.114882798568553&type=1

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