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Opinião
Mara Madaleno comenta a atribuição do Prémio Nobel da Economia
A "importância das finanças na sociedade": reconhecimento do Nobel da Economia
Mara Madaleno
O Prémio Nobel da Economia foi este ano atribuído aos norte-americanos, Lars Peter Hansen, Eugene Fama e Robert Shiller, por trabalhos sobre mercados financeiros. O prémio distingue a "análise empírica do preço de ativos", anunciou a Academia Sueca. A docente no Departamento de Economia, Gestão e Engenharia Industrial da Universidade de Aveiro, Mara Madaleno, ajuda, no artigo de opinião que se segue, a descodificar os conceitos.

No ano de 2013 o prémio Nobel da Economia foi atribuído em conjunto a três investigadores norte-Americanos na área das Finanças. Eugene Fama, Lars Peter Hansen e Robert Shiller pela investigação que desenvolvem na identificação de tendências do mercado financeiro (o reconhecimento merecido da “importância das Finanças para o desenvolvimento da sociedade” como refere Shiller). O prémio de US$ 1,2 milhões atribuído pela Real Academia de Ciências da Suécia vai assim ser repartido pelos investigadores/docentes da Universidade de Chicago (Fama e Hansen) e da Universidade de Yale (Shiller).

O trio destacou-se pelos estudos que desenvolvem sobre a análise empírica dos preços dos ativos, onde combinam o estudo dos fatores de risco e do risco das atitudes dos investidores com as tendências comportamentais e os atritos que existem no mercado. Tratando-se de previsões de mercado, e tal como destaca o júri que os elegeu, Fama, Hansen e Shiller concluem pela impossibilidade de prever os preços tanto de ações como de obrigações no muito curto prazo, como os próximos dias ou semanas, tendo os autores demonstrado que é possível prever a evolução geral destes preços no longo prazo, ou seja, nos próximos três a cinco anos. Estas descobertas são surpreendentes e dada a nossa intuição enraizada poderão parecer contraditórias.

E. Fama ficará para sempre imortalizado como um dos autores do famoso modelo de Fama & French (1993) que descreve a rendibilidade de um ativo ou carteira como sendo função de três fatores, por oposição ao modelo CAPM (a evolução da rendibilidade de um ativo é função única da rendibilidade de mercado). Na verdade, Fama de 74 anos, é considerado por muitos o "pai das Finanças modernas", sendo reconhecido pela conclusão de que até os investidores profissionais não conseguem tirar partido dos movimentos de mercado. Já Robert Shiller de 67 anos foi distinguido pelo facto de ter concluído que os preços das ações flutuam de forma mais acentuada do que os dividendos, sendo que o “dividend yield” (rácio entre cotação e dividendo) tende a cair quando é elevado e a subir quando é reduzido. Um padrão que se observa não só nas ações, mas também nas obrigações e outros ativos. Também é a este que se deve a resposta negativa nos anos 80 à questão: “Se é praticamente impossível prever a evolução os preços durante dias ou semanas, não seria então mais difícil ainda fazer uma previsão para vários anos?”. O trabalho de Lars Peter Hansen de 60 anos, foi distinguido pelo facto de os seus estudos incidirem no desenvolvimento de modelos estatísticos que analisam o comportamento dos investidores face à incerteza na variação dos preços dos ativos, sendo este um investigador mais ligado ao ramo econométrico.

O trabalho dos três autores não é em nada trivial sendo-lhes associado a possibilidade de explicar as potencialidades dos mercados financeiros, bem como o estudo do comportamento dos ativos aí transacionados em termos empíricos, pela identificação dos fatores que influenciam esse mesmo comportamento. Sem dúvida um prémio bem merecido e bem repartido.

Mara Madaleno
Departamento de Economia, Gestão e Engenharia Industrial da Universidade de Aveiro

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