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Investigação
TOY, o projeto da Comissão Europeia que quer aproximar crianças e idosos
UA por uma Europa mais amiga da idade
As investigadoras Sacha Vieira e Liliana Sousa
Aprendizagem entre crianças e pessoas idosas. Este é o grande objetivo do “TOY: Together Old and Young”, um projeto financiado pela Comissão Europeia que envolve nove organizações de sete países europeus, entre as quais a Universidade de Aveiro (UA). Centrado em crianças até aos nove anos de idade e pessoas com mais de 55 anos, o TOY pretende estudar, conceber e implementar no velho continente programas e atividades que facilitem a interação e aprendizagem entre novos e mais velhos, para que cada uma das gerações possa dar à outra o que de melhor tem e, de volta, receber o prazer da partilha.

Em Portugal, Liliana Sousa e Sacha Vieira, investigadoras da Secção Autónoma de Ciências da Saúde da UA, já estão a trabalhar nas pontes que vão reforçar a união entre duas gerações aparentemente tão separadas.

“A larga maioria dos projetos intergeracionais que têm sido desenvolvidos em vários países centram-se em adolescentes, jovens e idosos porque são grupos etários mais fáceis de unir”, aponta Liliana Sousa, coordenadora da participação da UA no TOY. “Quando temos crianças até aos 9 anos e pessoas idosas, a diferença etária é maior e, por isso, é mais difícil criar atividades que sejam estimulantes para ambos os grupos”, reflete a investigadora. No âmbito do Grundtvig, o Programa de Aprendizagem ao Longo da Vida apadrinhado pela Comissão Europeia, o TOY quer precisamente estimular a proximidade e a aprendizagem entre estes grupos etários.

O programa já está em marcha desde finais de 2012 pela mão de nove organizações localizadas na Irlanda, Itália, Holanda, Polónia, Eslovénia, Espanha e Portugal, onde a UA é a única instituição presente. Com a duração de dois anos, o TOY começou por analisar toda a literatura cinzenta relacionada com a aprendizagem intergeracional entre crianças e idosos na Europa. “Essa primeira fase permitiu concluir que essas ligações constroem e mantêm ligações, promovem a coesão social nas comunidades, facilitam o papel das pessoas idosas como guardiãs do conhecimento, reconhecem o papel dos avós na vida das crianças e enriquecem os processos de aprendizagem entre as duas populações”, afirma Sacha Vieira.

Boas iniciativas na região de Aveiro

Na segunda fase do programa, que decorreu entre maio e julho últimos, as investigadoras procuraram, nos respetivos países, descobrir e observar algumas das poucas iniciativas promotoras do convívio entre as duas gerações. A UA focou-se na região de Aveiro e descobriu três projetos.

“Um deles chamava-se Dos 8 aos 80”, descreve Sacha Vieira. Fomentado pela CIVITAS Aveiro e implementado na Gafanha do Areão, Ílhavo, pelo Jardim de Infância do Areão e o Centro de Dia da Associação Boa-Hora, “o projeto promoveu um encontro entre as duas populações através de uma tarde passada em conjunto na qual os idosos trouxeram histórias e canções para as crianças”. Os pequenos, por seu lado, “fizeram presentes para os idosos e partilharam com eles um lanche”.

Da responsabilidade do Centro Social da Nossa Senhora da Gafanha da Nazaré e da Escola da Chave, na Gafanha da Nazaré (Ílhavo), o segundo projeto analisado pela UA visava a troca de correspondência entre crianças e idosos, com encontros regulares entre os pequenos e os avós adotivos. A terceira atividade acompanhada por Sacha Vieira foi a promovida pelo Centro Social de Santa Joana (Aveiro) e que envolveu um conjunto de atividades físicas realizadas ao ar livre por idosos e crianças como forma de celebração do aniversário da instituição.

Do lado dos mais pequenos, constata Sacha Vieira, “eles envolvem-se muito nestas actividades, mostram-se muito solidárias por fazerem companhia aos idosos e ficam orgulhosas por os poderem ajudar em tarefas tão simples como levar-lhes um copo de sumo”. Pelos idosos a investigadora da UA registou que “o simples facto de poderem partilhar as suas experiências e histórias com as crianças é um fator extremamente importante para a sua autoestima”.

Em síntese, apontam as investigadoras, durante as atividades “as crianças reconhecem o seu papel como o desempenhar de um ato de solidariedade, os idosos valorizam essencialmente a oportunidade de partilhar as suas experiências com as crianças e de aprender com elas, as famílias das crianças e dos idosos tendem a colaborar na actividade e os profissionais envolvidos consideram a colaboração interinstitucional como um aspeto fundamental para o bom funcionamento da atividade”.

Por uma amizade sem idade

Os parceiros do TOY arregaçam agora as mangas para iniciarem a terceira fase do projeto cujo início está previsto para novembro. O objetivo agora é o de reunir as boas experiências encontradas por todos os parceiros do TOY, juntar capacidades, comportamentos e estratégias facilitadoras das práticas intergeracionais identificadas e criar, com estes ingredientes, um conjunto de ferramentas que permitam aos profissionais europeus que trabalham com idosos e com crianças cultivarem a aprendizagem intergeracional. Para tal, estes profissionais terão ao dispor módulos de formação preparados pelos intervenientes do TOY.

Numa quarta e última fase do projeto, que avançará para o terreno em março de 2014, todos os profissionais interessados vão ser apoiados na iniciação de ações-piloto inovadoras. Porque só juntos, novos e mais velhos, se podem construir comunidades amigas da idade.

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