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Opinião
Texto de opinião de Paulo Cachim, diretor do Departamento de Engenharia Civil
Engenharia Civil, uma engenharia com futuro
Paulo Cachim fala da formação de futuro na Engenharia Civil da UA
A baixa procura registada nos cursos de Engenharia Civil do país, pelos candidatos ao ensino superior público, motiva o texto de opinião de Paulo Cachim, diretor do Departamento de Engenharia Civil da UA. O professor defende que a fraca procura "parece mais ser um reflexo emocional à crise" e contrapõe com a qualidade de formação e as especificidades do curso da UA que preparam os alunos para áreas de futuro da Engenharia Civil.

Os resultados das colocações nos diversos cursos de Engenharia Civil existentes em Portugal revelados na semana passada mostram um curso com uma muito baixa procura pelos candidatos ao ensino superior público. O decréscimo da procura dos cursos de Engenharia Civil não é um fenómeno deste ano, tendo-se registado uma redução do número de colocados no ensino superior universitário desde 2010 (876 alunos em 2010/11 para 246 em 2013/14).

A fraca procura parece mais ser um reflexo emocional à crise que o país atualmente atravessa do que propriamente fundamentada em razões concretas. De facto, a crise no setor da construção não pode ser apontada como a única explicação para este fenómeno, pois cursos como arquitetura, igualmente ligados ao setor da construção, continuam a ter uma procura muito grande. A possível falta de emprego, por si só, parece também não poder ser uma justificação, uma vez que muitos outros cursos para os quais a oferta de graduados pelas universidades é superior àquela que o mercado consegue absorver não apresentam uma redução tão drástica na procura.

A pouca procura dos cursos de Engenharia Civil não terá assim justificação racional por várias razões. Em primeiro lugar, porque os engenheiros civis possuem uma formação de banda larga que possibilita empregos em muitos setores de atividade que vão desde o projeto e da construção nova a áreas como a reabilitação, a prevenção de riscos, a proteção costeira, a sustentabilidade ou a gestão, existindo, a nível europeu e mundial, uma procura considerável de Engenheiros Civis. Por outro lado, a qualidade da engenharia civil portuguesa é internacionalmente reconhecida e é importante não perder esta capacidade de formação a médio e longo prazo.

No caso particular da Universidade de Aveiro, o Mestrado Integrado em Engenharia Civil é um dos dois mestrados integrados a nível nacional que possui a marca de qualidade EUR-ACE, atribuída pela Ordem dos Engenheiros, o que facilita o reconhecimento e a mobilidade dentro do espaço europeu. Aproximadamente duas dezenas de alunos estrangeiros têm procurado anualmente o curso ao abrigo de programas de mobilidade internacional (como o programa Erasmus). A qualidade da formação oferecida tem proporcionado emprego em grandes empresas de nome mundial e, a quem formou a sua própria empresa, a realização de trabalhos em várias partes do mundo, como Angola, Moçambique, Brasil, Noruega, Alemanha, Kuwait, entre outros.

O curso da Universidade de Aveiro apresenta ainda a característica única em Portugal de, na formação de base, ter uma forte componente na área da reabilitação e conservação das construções, que é a área neste momento com maior dinamismo no setor. A investigação desenvolvida, consubstanciada por um Programa Doutoral acreditado pela A3ES (Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior), no qual cerca de metade dos alunos são estrangeiros e cujo número de estudantes tem crescido de forma consolidada ao longo dos anos, mostra que a Engenharia Civil é um setor dinâmico e em evolução constante.

Apostar numa formação em Engenharia Civil é, assim, apostar numa formação de qualidade e de reconhecido valor nacional e internacional. É, sobretudo, apostar numa formação de futuro e com futuro.

Paulo Cachim

Diretor do Departamento de Engenharia Civil

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