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Opinião
Artigo de opinião da autoria de Joaquim Borges Gouveia, docente no DEGEI
Dia da Energia: Campus Sustentável como forma de racionalização dos consumos de energia na UA
Joaquim Borges Gouveia, docente no DEGEI
No dia dedicado à energia (29 de maio), Joaquim Borges Gouveia, professor do Departamento de Economia, Gestão e Engenharia Industrial (DEGEI) da Universidade de Aveiro, diz ser necessária uma nova orientação da política energética. No âmbito deste tema, o docente da UA aponta o programa “campus sustentável”, implementado na UA, como exemplo de racionalização dos consumos de energia, numa perspetiva integrada, envolvendo os consumos de eletricidade, gás natural, água e resíduos sólidos e líquidos.

A energia, mais do que nunca, tornou-se um bem económico decisivo no desenvolvimento económico e social e, por isso, obriga os organismos internacionais, nacionais e locais a uma maior atenção às novas formas de negócio, à sua utilização eficiente e aos efeitos provocados pelas alterações climáticas. A política energética, hoje em dia, já não é um problema de âmbito de um só país, mas tem de ser equacionada por grandes áreas económicas e, em particular, com uma visão global.

As questões energéticas estão intimamente relacionadas com as questões ambientais e, desde logo, obriga a uma concertação ao nível político entre os responsáveis destas duas áreas temáticas. Esta concertação terá que ser realizada em primeiro lugar no nível político, para que ao nível de gestão - principalmente, na implementação - seja possível concretizar ações no terreno.

Mas, a primeira preocupação tem, na área energética, de ser colocada na garantia de abastecimento da energia aos consumidores, sem que possa haver hipótese de rutura e, para que isto não aconteça, há um conjunto de medidas que têm de ser tomadas, das quais se destacam a questão do aprovisionamento, da conversão, do transporte e da distribuição de energia nas suas mais diversas formas de utilização.

As questões relacionadas com o acesso a matérias primas energéticas convencionais e ao aumento do seu preço, conduziu ao desenvolvimento das energias renováveis, sobretudo em territórios onde esses recursos permitam a sua conversão com preços competitivos, acompanhada de uma política energética assente na utilização racional, na eficiência e na diversificação energética.

A competitividade das regiões, das cidades e das empresas é muito afectada pela sua capacidade de definir quais os produtos energéticos mais adequados para as suas necessidades, de acordo com as diferentes características dos consumidores.

Por exemplo, uma cidade cujos transportes públicos são fundamentalmente baseados na gasolina e no diesel, é com certeza menos competitiva do que outra que disponha de um sistema de transporte integrado com uma forte componente do transporte elétrico. Um outro exemplo, numa cidade onde não haja distribuição de gás natural, o custo de aquecimento por metro quadrado é bem maior, penalizando os consumidores desta mesma cidade.

Uma nova orientação da política energética, que tem vindo a criar cada vez uma maior adesão dos consumidores, é a maior importância à gestão pela procura de energia e respectiva adequação ao tipo de consumo, que só será possível pela sensibilização dos atores locais com o objectivo de tornar os consumos mais regrados, com menor impacto na emissão de CO2 e consequente impacto nas mudanças climatéricas.

É com esta visão que nasce, na Universidade de Aveiro, o programa “campus sustentável”, em que se procura promover um conjunto de ações que visam a racionalização dos consumos de energia, numa perspetiva integrada, envolvendo os consumos de eletricidade, gás natural, água e dos resíduos sólidos e líquidos. Além disso, procurou-se a introdução de energias renováveis, em particular a energia solar fotovoltaica para a produção de energia elétrica a partir da cobertura de vários edifícios da nossa universidade.

Paralelamente, a Universidade de Aveiro tem vindo, de forma crescente, a realizar atividades de ensino, investigação e de inovação na área da Energia, contribuindo desta forma para a melhor forma de comemoração do dia da Energia que é a sua contribuição para que o conhecimento sobre este tão importante e decisivo tema – a Energia – seja transmitido e adquirido por um maior número de pessoas.

Uma nota final sobre a questão da Energia. Só uma visão integrada sobre todas as formas de intervenção e das medidas a implementar, pode conduzir a resultados visíveis a curto prazo que são de uma necessidade imperiosa para este país rever a sua situação de dependência energética, que se traduz numa menor produtividade das empresas e dos organismos e, por consequência, num fator negativo de competitividade das empresas e das organizações, das cidades, das regiões e do país.

É através da produção e disseminação do conhecimento sobre Energia, através dos seus alunos e docentes, que a Universidade de Aveiro melhor e mais rapidamente poderá contribuir para o desenvolvimento sustentável da nossa região, do nosso país, do nosso mundo.

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