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Opinião
Artigo de opinião da autoria de Ana Soraia Lourenço, Inês Flores e Andreia Rocha, ESSUA
Dia Mundial da Espondilite Anquilosante
Andreia Rocha, Soraia Lourenço e Inês Flores, da ESSUA
A propósito do Dia Mundial da Espondilite Anquilosante, assinalado no primeiro sábado de maio (dia 4), as fisioterapeutas Ana Lourenço, Inês Flores (alunas) e Andreia Rocha (docente), da Escola Superior de Saúde da Universidade de Aveiro (ESSUA), dão a conhecer esta doença reumática inflamatória crónica que afeta entre 50 a 80 mil portugueses, diagnosticados e por diagnosticar.

A Espondilite Anquilosante é uma doença inflamatória crónica e progressiva que acomete as articulações, com especial destaque para as articulações da coluna vertebral e sacro-ilíacas. Surge essencialmente entre os 20 e os 30 anos, sendo a sua incidência de cerca de 0,1 a 0,2% na população caucasiana. Afeta mais os homens do que as mulheres numa proporção de 3:1.

Dor a nível lombar, com agravamento noturno e rigidez matinal são caraterísticas desta patologia. Existe uma relação direta entre a duração da rigidez e o grau da inflamação. Para o seu diagnóstico recorre-se a critérios definidos, que consistem numa listagem dos sintomas mais habituais nestes utentes e que permitem identificar potenciais casos de espondiloartropatias (conjunto de doenças reumatismais em que se insere a Espondilite Anquilosante e que partilham características de ordem clínica). Também a presença do alelo HLA-B27 é utilizada como confirmação do diagnóstico pois este está presente em 90 a 95% dos doentes. No entanto, não existe nenhum marcador laboratorial definido o que por vezes dificulta o seu diagnóstico. A uveíte é um dos sinais mais evidentes desta patologia.

Associada à dor característica da patologia ocorrem deformações ósseas por anquilose vertebral, isto é, fusão das vértebras, sendo por isso frequentemente denominada de “doença de cana de bambu”. Progressivamente há manifestação de dor por inflamação nas articulações mais periféricas. Como principais queixas os doentes referem a rigidez matinal (que alivia ao longo do dia, ou seja, com o movimento), a dor articular, e a progressiva diminuição de amplitudes articulares que limitam as tarefas do dia a dia. Os principais objetivos da intervenção passam pelo controlo da dor e a preservação da função. Para tal recorre-se a tratamentos farmacológicos (anti inflamatórios não esteróides ou medicamentos biológicos dependendo da gravidade da lesão) e intervenção da Fisioterapia, utilizando técnicas de eletroterapia (com o objetivo de diminuição da dor) mas fundamentalmente a terapia pelo movimento, adotando técnicas de promoção de exercício e atividade física. O objetivo primordial é atuar na progressão da doença, (retardando a sua evolução).

As alterações articulares são acompanhadas de alterações das cadeias musculares pelo que a hidroterapia também apresenta bons resultados. A água é reconhecida pela sua aplicação terapêutica uma vez que possui propriedades físicas específicas: as propriedades hidrostáticas e hidrodinâmicas que permitem a flutuação do corpo imerso, diminuindo o efeito da gravidade, assistindo ou resistindo o movimento de acordo com o objetivo terapêutico e facilitando o treino de equilíbrio. De uma forma generalizada, os objetivos para o tratamento aquático em doentes com Espondilite Anquilosante incluem a diminuição da dor, o aumento da mobilidade articular, a correção postural, o fortalecimento muscular, a consciência corporal, o treino de equilíbrio e a marcha. O tratamento é orientado para a manutenção da função e a melhoria da qualidade de vida.

Filme sobre Espondilite Anquilosante – http://youtu.be/YC5R1XkX4Jc

Nota - o artigo foi escrito baseado em estudos (evidência científica) e prática clínica.

Ana Soraia Lourenço – Aluna 3º Ano – Fisioterapia
Inês Flores – Aluna 3º Ano – Fisioterapia
Andreia Rocha – Assistente Convidada
Escola Superior de Saúde da Universidade de Aveiro

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