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Opinião
Artigo de opinião da autoria de Inês Flores e Andreia Rocha, da Escola Superior de Saúde da UA
Dia Nacional do Doente com Artrite Reumatóide
Inês Flores e Andreia Rocha
Assinala-se a 5 de abril o Dia Nacional do Doente com Artrite Reumatóide. Inês Flores, aluna do curso de Fisioterapia e Andreia Rocha, professora na Escola Superior de Saúde da Universidade de Aveiro, dão a conhecer, neste artigo de opinião, as causas, as consequências e o tratamento possível de uma doença que afeta 40 mil pessoas, em Portugal, e atinge um por cento da população mundial.

As doenças reumatológicas são a principal causa de incapacidade em idades superiores aos 15 anos (Giavasopoulos 2008). Apesar de existirem mais de 100 doenças reumatismais diferentes, a Artrite Reumatóide é a mais representativa afetando cerca de 1% da população mundial, e aproximadamente 40 000 pessoas em Portugal.

A Artrite Reumatóide é uma doença inflamatória crónica, de causa desconhecida, que afeta predominantemente as articulações. Inicialmente atinge mãos e pés, evoluindo para joelhos, cotovelos, ombros, anca e coluna vertebral.

Os doentes referem rigidez matinal (dificuldade de movimentação ao acordar), dor despertada com o movimento e à palpação, edema (acumulação de líquido) e aumento da temperatura articular. Com a progressão da doença as deformidades evidenciam-se o que se traduz na incapacidade de realizar algumas tarefas básicas do dia a dia.

Pode também afetar órgãos internos como o pulmão e o olho, através de nódulos reumatóides, ou até mesmo o coração, provocando complicações cardíacas. A doença tem vários estádios e apresenta evolução cíclica, com períodos de caráter ativo e de remissão.

A Artrite Reumatóide não tem cura, no entanto o seu tratamento é fulcral para que os utentes com esta doença possam ter uma vida independente, válida e produtiva. Este tratamento pode ser farmacológico e/ou não farmacológico.

Relativamente ao tratamento farmacológico a prescrição mais comum são os anti-inflamatórios para a diminuição do processo inflamatório e a redução da dor.

Quanto ao tratamento não farmacológico, para além das cirurgias utilizadas com fins corretivos (após a instalação das deformidades, a fisioterapia encontra-se na linha da frente como modalidade terapêutica desde o diagnóstico da patologia. Como objetivos de tratamento procura-se essencialmente a diminuição da dor e ganhos de flexibilidade, força e equilíbrio e melhoria da condição cardio-respiratória ou tolerância ao esforço manutenção ou recuperação de amplitudes articulares. Para tal o fisioterapeuta adequa a sua intervenção, de acordo com o indivíduo e evolução da patologia utilizando técnicas específicas. O propósito será sempre a prevenção de incapacidade e promoção da máxima funcionalidade do indivíduo, recorrendo a exercícios terapêuticos, ajudas técnicas e ao ensino ao utente e família de estratégias que lhe permitam aumentar a sua qualidade de vida.

Uma das opções com maior evidência científica e maior aceitação pelos doentes é a Hidroterapia, isto é, a realização de exercícios terapêuticos em meio aquático com condições específicas (nomeadamente a água a cerca de 37°C, e orientada por um fisioterapeuta). Um motivo pelo qual esta técnica é bem aceite pelos doentes deve-se à tolerância ao movimento neste meio. A água permite, pelas suas caraterísticas térmicas, o alívio da dor e relaxamento da musculatura próxima à articulação, aumentando a qualidade do movimento e consequentemente a funcionalidade global. Verifica-se ainda aumento de força muscular e da tolerância do utente ao esforço, contribuindo também para um aumento da qualidade de vida.

Em 1995 nasce a ANDAR – Associação Nacional dos Doentes com Artrite Reumatóide, que tem como principais objetivos o auxílio ao doente e à sua família na resolução dos diversos problemas que acompanham a progressão da doença, o esclarecimento de dúvidas face à patologia, a representação e a defesa dos doentes perante outras Instituições e a promoção de ações de formação acerca desta patologia.

Nota - o artigo foi escrito baseado em estudos (evidência científica) e prática clínica.

Inês Flores, Representante dos Alunos do 3º Ano do curso de Fisioterapia 
e
Andreia Rocha, Assistente Convidada, ambas da Escola Superior de Saúde da Universidade de Aveiro

 

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