conteúdos
links
tags
Opinião
Tiago Almeida, presidente da AAUAv, solidário com estudantes nacionais
Dia do Estudante: mais atenção ao ensino superior e à ação social
Tiago Almeida, presidente da AAUAv
A 24 de março assinala-se o Dia do Estudante. Este é um dia que deve ser memorável para todos os estudantes e deve dar ênfase aqueles que serão os futuros profissionais do nosso país. A aposta na Educação é por isso vital para o país e é necessário que se invista na Educação e se valorize os estudantes, que estes sejam ouvidos e olhados como catalisadores de um futuro mais promissor. O presidente da AAUAv, Tiago Almeida, neste espaço de "Opinião", dá voz a uma posição conjunta dos estudante do ensino superior português.
Infelizmente, a tutela não tem valorizado os estudantes como o deveria fazer. O movimento associativo nacional tem adoptado uma postura construtiva para com os governos que têm passado pelo nosso país, mas esta nossa posição não tem sido aproveitada por aqueles que guiam os destinos do nosso país, e em particular do Ensino Superior.

É neste sentido que o movimento associativo nacional, de acordo com as conclusões definidas pela Comissão Organizadora da Ação Reivindicativa do 51º aniversário do Dia do Estudante, escreve um comunicado, produzido pela mesma, com as posições do movimento associativo estudantil nacional acerca do atual estado do Ensino Superior em Portugal. A seguir, transcreve-se a posição conjunta dos estudantes do ensino superior português que a Associação Académica da Universidade de Aveiro (AAUAv) também subscreve.
 
"Ano após ano, o discurso internacional dos sucessivos Governos tem colocado o ensino superior no centro do modelo de desenvolvimento nacional e europeu.

Com o objetivo de construção de um espaço europeu de ensino superior, os responsáveis políticos têm-se comprometido com metas que defendem a educação como prioridade.

Não é este porém o rumo seguido! A atuação política não é fiel ao discurso internacional.

E a educação tem de estar no centro do nosso modelo de desenvolvimento.

Se educar tem custos, não devemos ignorar que não educar nem qualificar será muito mais caro para o País. É hoje que temos de preparar o futuro depois da crise: e hoje não o fazer seria o mesmo que um agricultor não semear só porque no dia da sementeira não está bom tempo para colher.

Por ocasião da comemoração do Dia do Estudante, o movimento associativo estudantil do ensino superior nacional vem também denunciar a grave situação que continua por corrigir na ação social: continuam a ser negadas bolsas de estudo a estudantes por alegado incumprimento de obrigações tributárias e contributivas sem que estes estudantes tenham incumprido qualquer norma.

Sim, em 2013, por mais inacreditável que possa parecer, existem mais de 1500 estudantes a ser penalizados pelo Estado nos seus direitos sem terem cometido qualquer infração ou omitido qualquer dever!

Esta situação é inaceitável e urge ser corrigida!

Esta é, aliás, uma das situações mais graves de um sistema de ensino superior que atravessa grandes dificuldades por manifesta inação dos responsáveis políticos e institucionais: no momento em que é mais do que evidente que uma séria reforma do ensino superior é indispensável, sendo insustentável a atual situação e forma de funcionar deste setor, quem tem a função de no Estado e nas instituições de ensino superior o fazer furta-se a essa obrigação, e adia estudar com seriedade, concertar e implementar medidas que poderiam retirar o ensino superior do sufoco orçamental e de funcionamento em que vive, sem comprometer o ajustamento económico e financeiro do País.

Tem de mudar a atitude destes responsáveis políticos e institucionais: e tem de mudar começando por devolver aos estudantes comprovadamente carenciados os apoios a que têm direito, sem inventar expedientes para lhos retirar.

Não dar aos estudantes carenciados o que lhes é devido mais não é do que, na prática, fazer ruir as bases legais e sistémicas em que assenta o financiamento do ensino superior: uma comparticipação dos estudantes sob a forma de propina, consignada à melhoria da qualidade e à ação social, e a simultânea responsabilidade do Estado em garantir efetivamente que nenhum estudante é excluído do sistema de ensino superior por motivos de carência económica! É grave a derrocada que está a decorrer no sistema de financiamento, por violação dos princípios básicos da ação social, quando os estudantes cumprem a sua responsabilidade no financiamento!...

Assistimos hoje na sociedade portuguesa a dois tipos de postura face aos responsáveis políticos e institucionais, ambas legítimas em democracia: por um lado, os que já não acreditam nesses responsáveis como construtores de uma solução, manifestando-se, fazendo greves, encerrando, cantando os símbolos da nossa democracia - tendo "Grândola, Vila Morena" como símbolo da exigência dos seus direitos de cidadãos; por outro, temos os que ainda acreditam que uma solução é possível sem uma rutura política com estes responsáveis.

O movimento associativo estudantil tem assumido maioritariamente esta postura, mas a constante e inexplicável falta de resposta e diálogo por parte da tutela têm mostrado que o movimento associativo talvez deva rever a sua postura, porque esse silêncio empurra para a rua quem apesar de tudo ainda está disponível para o diálogo.

É que, apesar de estarmos em "férias escolares", as dificuldades não tiram férias!"

 
imprimir
tags
outras notícias