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Opinião
Artigo de opinião da autoria de Inês Guedes de Oliveira, professora no DeCA
Dia Europeu da Criatividade Artística
Inês Guedes de Oliveira, professora no Departamento de Comunicação e Arte da UA
A que nos referimos quando falamos de criatividade? Em que áreas e em que contextos a poderemos aplicar? Afinal somos todos criativos? As respostas são desvendadas no artigo de opinião que se segue, da autoria de Inês Guedes de Oliveira, docente no Departamento de Comunicação e Arte da Universidade de Aveiro (DeCA), a propósito do Dia Europeu da Criatividade Artística, assinalado a 21 de março.

A criatividade é um conceito que está, presentemente, na boca de todo o mundo: “São criativos os jogadores de futebol”, “É preciso gente criativa nas empresas”, “quem não for criativo não tem futuro”, “a inovação e a criatividade são o centro do progresso”, “…”.

Mas será que falamos todos da mesma coisa quando falamos da Criatividade? Será que todos temos o mesmo entendimento sobre criatividade?

1. A criatividade nas diferentes áreas científicas
A criatividade tem sido alvo de estudo de múltiplas áreas científicas e em diversos sentidos, tendo todos como finalidade compreender e ajudar a tornar os sujeitos em seres mais criativos, tanto a nível pessoal, empreendedor, científico ou artístico de forma a produzirem artefactos, ideias, serviços ou produtos mais originais: As neurociências procuram descrever as estruturas e os mecanismos bioquímicos e bioelétricos que regulam a atividade criativa. A psicanálise procura compreender quais são os impulsos inconscientes que induzem a criar e quais são os que reprimem esse instinto. A psicologia explora os tipos de criatividade, as fases do processo criativo, a diferença entre criatividade e inteligência e os modos possíveis de ensinar e desenvolver a criatividade. A sociologia procura entender quais os relacionamentos entre sociedade e criatividade. A comunicação estuda o desenvolvimento da criatividade na relação e interação com os outros.

2. Criatividade – alguns contributos para a sua definição
Não havendo um consenso universal na definição de criatividade há, contudo, um consenso na compreensão de que a criatividade é uma capacidade do ser humano que se desenvolve e promove através da ampliação de competências, habilidades e atitudes, que decorre de processos dinâmicos interrelacionais e interacionais em diversos contextos, tanto na área científica como na área artística.

Originalidade, invenção, fantasia e imaginação, entre outros, são vocábulos que se encontram com frequência na literatura como sinónimos de criatividade e, não o sendo, são capacidades associadas ao conceito de criatividade.

Assim, poderemos definir expressão como sendo a disposição para captar estímulos e expressá-los com sensibilidade. (Bellon, 1998); a fantasia como a faculdade que permite a liberdade de pensar qualquer coisa, por mais absurda, incrível ou impossível que pareça, sem ter em conta a viabilidade ou o funcionamento daquilo que se pensou. (Munari, 1987); a imaginação como a capacidade de transformar em imagens as ideias (Munari, 1987) e a invenção como sendo o pensamento sobre qualquer coisa que anteriormente não existe mas que se relaciona com o que se conhece, tendo como objetivo a utilização prática. (Munari, 1987); a originalidade como o modo pessoal de elaborar os conteúdos do pensamento (Bellon, 1989); a atitude criativa como sendo o comportamento fundado na experiência contextualmente situada, cuja natureza é singularmente reflexiva, crítica e actuante, promotora da capacidade do pensamento, da originalidade das ideias e da fluidez de expressividade e da Csizkszemtmihalyi (2009) defende que a criatividade é um processo que resulta da interseção de três fatores: a pessoa e o talento criador, o domínio (conjunto de conhecimentos associados a uma área) e o campo (circuito envolvente que imite juízos sobre a qualidade dos indivíduos e dos produtos)~.

3. A criatividade na unidade curricular Expressões Artísticas
Tendo como pressuposto o que se acabou de enunciar, nas unidades curriculares Expressões Artísticas I e II, da responsabilidade do Departamento de Comunicação e Arte, da licenciatura em Educação Básica, procura-se promover e desenvolver a criatividade em paralelo com a aprendizagem dos conteúdos específicos das três áreas artísticas – música, plástica e motora.

Assim se estimula o despertar da consciência para o papel das expressões artísticas como veículo de intervenção na comunidade, proporciona-se contacto com um vasto repertório de atividades e técnicas no contexto das expressões, de modo a que possa servir de base ou modelo a futuros desenvolvimentos, ideias e aplicações. Bem como se estimula a criação, desenvolvimento e apresentação de um trabalho performativo de caráter multidisciplinar artístico, com um forte teor estético e formal que se constrói na interação entre aluno/aluno e aluno/professor, de modo a desenvolver a capacidade criativa de cada um individualmente e em grupo.

Acreditando que o desenvolvimento da criatividade no sujeito em formação é hoje um objetivo primordial, a unidade curricular aqui referida é só um exemplo do que se passa na Universidade de Aveiro, que tem tido como lema e orientação no ensino-aprendizagem das diversas disciplinas dos diferentes cursos, a qualidade, inovação e atualidade.

Inês Guedes de Oliveira
Docente no Departamento de Comunicação e Arte da Universidade de Aveiro

 

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