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Cultura
Iniciativa da Magna Tuna Cartola realça papel psico-social da música
Um pouco de liberdade musical para os que amarguram na prisão
Concerto Magna Tuna Cartola na Prisão
Um espetáculo “excecional” que daria para fazer mexer o corpo, vaticinava João Paulo Sá, diretor do Estabelecimento Prisional de Aveiro, ao anunciar o espetáculo da Magna Tuna Cartola perante uma sala cheia de reclusos, na cinzenta manhã de 20 de fevereiro. O espontâneo agradecimento que veio da plateia repleta, com cerca de cem reclusos, e feito em nome dos que “amarguram” no Estabelecimento Prisional de Aveiro mostrou que o vaticínio fora comprovado. Muito mais que um concerto dos “Cartolas”, foi um desafio à participação e uma aplicação do efeito pedagógico e terapêutico da música.

A Magna Tuna Cartola (MTC) quis assinalar o vigésimo aniversário com um programa amplo, marcante, que lançasse o já longo percurso para outros horizontes, algo simbólico e com significado. A experiência do maestro e membro da MTC “Cartola” Paulo Neto – “uma vez ‘Cartola’, ‘Cartola’ até morrer, dizia - em atividades destes género, com preocupações sociais e humanitárias, no âmbito das atividades da Casa da Música e que têm decorrido em estabelecimentos prisionais nacionais, terá sido crucial para esta iniciativa.

O maestro e o guitarrista Nuno Caldeira, também “Cartola”, orientaram um workshop de duas sessões, um ensaio e um espetáculo alargado à participação do coletivo habitual da Magna Tuna Cartola. No espetáculo intervieram vários reclusos, dando voz, interpretando instrumentos, escrevendo letras para uma das músicas, ou mesmo simbolizando todos os reclusos numa homenagem a uma das funcionárias do EPA. Para o programa foi selecionada “música com energia positiva” do já extenso repertório da MTC, que os “puxasse para cima” e que incentivasse o trabalho conjunto, explica Paulo Neto. A iniciativa valoriza o efeito pedagógico e terapêutico da música, procurando despertar talentos mais ou menos adormecidos. Em resposta, houve reclusos que ultrapassaram a reserva, “se chegaram à frente” e não se importaram de mostrar o seu valor, tal como é suposto nestas atividades, acrescenta Nuno Caldeira.

Estas atividades que realçam o papel terapêutico, pedagógico e social da música não são novas. A Casa da Música promove-as através do projeto “A Casa vai a casa”, iniciado por Paulo Maria Rodrigues, professor do Departamento de Comunicação e Arte da UA, quando foi diretor do Serviço Educativo daquela estrutura cultural. O docente e investigador, que também participou como músico no espetáculo, inicia uma nova área de estudos na UA sobre temáticas associadas ao papel da música na comunidade, que exige aos músicos formas e metodologias diferentes de trabalho, fugindo à leitura estrita da partitura e relevantes qualidades humanas. Para além de atividades como esta dirigida a comunidades prisionais, a área estuda outras destinadas a pessoas com necessidades especiais, a bairros com populações em risco de exclusão social, a pessoas em tratamento hospitalar ou ainda casos de dança inclusiva.

Da parte dos orientadores ficou a vontade clara de repetir a “operação” que, para além de ter aberto outros horizontes à Magna Tuna Cartola, poderá ter alargado perspetivas para novas áreas de investigação da Universidade de Aveiro.

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