conteúdos
links
tags
Opinião
Artigo de opinião da autoria de José Fernando Mendes, Vice-reitor para a investigação
Desafios para a investigação na atual conjuntura económica e financeira
José Fernando Mendes
A atual conjuntura de crise económica e financeira é um fator que afeta todos os setores, não estando a investigação imune aos seus efeitos. Mas, se, por um lado, os desafios que, por natureza, são inerentes à atividade de investigação e desenvolvimento (I&D) assumem contornos particularmente difíceis de ultrapassar neste contexto, por outro, sabemos que, pelo seu carater, reprodutivo, a atividade de I&D é fundamental para ajudar os países a sair desta situação.

A diversificação de fontes de financiamento, com vista a evitar a dependência financeira das agências nacionais, tem sido uma das preocupações constantes da Universidade de Aveiro que tem vindo a ganhar particular relevância, face aos atuais constrangimentos. O ano de 2013 será, porventura, um ano de grandes desafios neste domínio, uma vez que será o último ano do período de vigência do Sétimo Programa Quadro da União Europeia, em que haverá uma redução acentuada do número de convocatórias a publicar. A UA concentrar-se-á, por isso, na pesquisa e disseminação de programas de financiamento europeus e/ou internacionais alternativos, bem como na preparação da comunidade para a participação no Horizonte 2020.

Não obstante a definição de estratégias direcionadas para a captação de financiamento estrangeiro, a UA não deixará de continuar a promover o aumento do número de bolsas e projetos nacionais, sobretudo financiados pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e pela Agência de Inovação.Ter condições para competir nacional e internacionalmente pela captação de financiamento externo permite que, mais facilmente, se possam encontrar formas de equilíbrio entre o desenvolvimento de investigação aplicada e fundamental.

Outro dos grandes desafios que importa salientar é a capacidade para assegurar a atividade de I&D de alto nível desenvolvida na UA. A falta de financiamento nacional para a contratação (ou renovação de contratos) dos investigadores mais seniores pode colocar em causa o nível de qualidade e impacto dos resultados alcançados. As contratações de investigadores de alto nível previstas no âmbito dos cinco projetos, aprovados pelo programa Mais Centro e nas Cátedras Convidadas, poderão dar uma ajuda importante nesse sentido e, em simultâneo, contribuir para o desenvolvimento de cinco áreas estratégicas da UA (Materiais, Telecomunicações, Mar, Saúde e Energia).

A proximidade entre universidades e empresas é, por motivos óbvios, um dos temas cada vez mais presentes nas políticas económicas e, consequentemente, também nas políticas de investigação da União Europeia e do país. A UA não é alheia a esta matéria e tem vindo, desde há vários anos a esta parte, a definir algumas das suas principais estratégias neste âmbito. A este nível, e através da ação da Escola Doutoral, dar-se-á particular importância à constituição de programas doutorais conjuntos com empresas de referência em áreas estratégicas, desenvolvendo-se as medidas necessárias à captação de financiamento para os mesmos, bem como para a obtenção de bolsas de doutoramento em empresas, tendo em conta as últimas medidas anunciadas pela FCT.

As pessoas e os financiamentos são, sem dúvida, duas componentes  essenciais ao desenvolvimento da atividade de I&D. Contudo, estratégias complementares de reforço de competitividade, internacionalização, interdisciplinaridade e racionalização de meios não podem ser descuradas. A recente criação do Aveiro Institute of Nanotechnology, a implementação do Laboratório Biology Systems e o reforço do estabelecimento de relações internacionais com instituições de referência são alguns dos instrumentos desenvolvidos nesse sentido. Prevê-se que outras iniciativas desta natureza venham a ter lugar a curto prazo, nomeadamente na área do Mar, tendo em conta os recentes avanços a que temos assistido neste domínio e os laços institucionais que se têm vindo a criar nesta área.

Não obstante todas as dificuldades com que se debate atualmente, a UA não abrandará os seus esforços no sentido de consolidar a sua investigação como uma referência nacional e internacional e de tornar os seus resultados em componentes cada vez mais imprescindíveis ao desenvolvimento da região e do país. As posições de destaque conseguidos nos rankings internacionais, bem como o aumento de receitas próprias através do financiamento competitivo para a I&D, demonstram que estamos no bom caminho.

José Fernando Mendes
Vice-reitor da Universidade de Aveiro

Nota: Este texto integra a edição nº18 da Linhas - Revista da Universidade de Aveiro

imprimir
tags
veja também
 
outras notícias