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Opinião
Artigo de opinião da autoria de Victor Neto, investigador do DEM
Natal bem iluminado
Luzes de Natal
De várias cores e formas, as luzes de Natal trazem cor, alegria e apelam ao espírito da época. Atualmente existe no mercado uma grande variedade de lâmpadas, refletindo a diversidade de tecnologias existentes. Porém, as iluminações usadas por muitos de nós consomem grandes quantidades de energia. Se tivermos um conjunto de iluminação de lâmpadas incandescentes comum ligado 10 horas por dia, durante 12 dias, produzimos dióxido de carbono suficiente para encher 64 balões. Victor Neto, investigador no Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade de Aveiro, apresenta algumas alternativas mais económicas e ambientalmente mais eficientes.

Para muitos de nós, as iluminações de Natal, quer em nossas casas, quer nas ruas e jardins, são essenciais. Criam um ambiente de conforto, uma atmosfera de brilho. A necessidade de dar brilho às noites frias e longas do pico do inverno remontam muitos séculos, a tradições pagãs como o Yule. Aliás, é nessas tradições ancestrais que o cristianismo se inspira para todo o ritual e simbologia da luz.

Os primeiros registos de enfeitar árvores remontam o século XV, na região do norte da Alemanha. No século XVIII, nas casas das classes mais abastadas, começou-se a decorar também com velas. As velas eram coladas com cera quente ou com pinos aos ramos das árvores. Nos finais do XIX já existiam suportes de velas em vidro para decorar as árvores e começam a aparecer as primeiras iluminações com lâmpadas elétricas. Aliás, Thomas Edison utilizou a árvore de Natal para publicitar a sua lâmpada incandescente.

Hoje temos uma grande variedade de iluminações para as árvores de Natal, refletindo a diversidade de tecnologias de iluminação existentes em geral. As lâmpadas incandescentes são ainda as mais comuns e com preços mais atraentes, contudo as iluminações com LED’s começam a ganhar adeptos dada a sua versatilidade e o seu menor gasto energético. As primeiras iluminações de Natal com LED’s apresentavam uma luz muito ténue, no entanto, a tecnologia foi sendo desenvolvida e hoje podemos encontrar LED’s com um excelente brilho e nas mais variadas cores. Entre redes de luz, tiras flexíveis e sistemas programáveis que podem mudar de cor num instante, as opções à disposição são muitas. Encontram-se também disponível no mercado fios de luzes com LED’s alimentadas a energia solar, pensadas para os espaços exteriores e para zonas onde o sol ainda vai brilhando.

Dada a enorme variedade de oferta, há outros fatores que devemos considerar ao comprarmos um fio de iluminação de Natal, como o gasto energético e o seu impacto no ambiente quando se estragar. Por exemplo, se tivermos um conjunto de iluminação de lâmpadas incandescentes comum, e se o tivermos ligado 10 horas por dia, durante 12 dias, produzimos o equivalente de dióxido de carbono - um dos principais gases de efeito de estufa - ao necessário para encher 64 balões. A iluminação exterior tende a usar ainda mais energia dado que, normalmente, utilizam uma potência mais elevada, logo menor eficiência energética. Nas lâmpadas incandescentes, só cerca de 10% da energia é convertida para luz. Os restantes 90% são perdidos em calor gerado pelo filamento incandescente. A utilização de iluminações energeticamente eficientes, como os LED’s, significaria em média poupar cerca de 10 euros de eletricidade por cada conjunto e o equivalente à emissão de cerca de 40 kg de dióxido de carbono. Além disso, estes novos sistemas tendem a ter uma vida útil muito superior, até 12 vezes mais, o que significa que o investimento inicial é amortizado durante muito mais tempo, mas tão ou mais importante é que o material, o plástico, o cobre, etc., utilizado e enviado para o lixo é muito menor.

Shijiao, na China, é considerada a capital mundial da reciclagem de iluminações de Natal. Todos os anos recebe mais de 10 toneladas de iluminações. A região começou a importar este material a partir dos anos 90 e, inicialmente, limitavam-se a queimar o plástico para aproveitar o cobre, o que dava origem a libertação de gases tóxicos. Felizmente, hoje as tecnologias de reciclagem evoluíram e é já possível aproveitar praticamente todos os materiais.

Bom Natal.

 

Victor Neto
Investigador no Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade de Aveiro

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