conteúdos
links
tags
Investigação
Investigação de Valério Ribeiro, do Centro de Investigação e Desenvolvimento em Matemática e Aplicações da UA
UA estuda super-remanescente na galáxia de Andrómeda
O investigador Valério Ribeiro
Explosões termonucleares à superfície de estrelas anãs brancas são relativamente frequentes no Universo e dividem-se entre aquelas que são mais recorrentes – as novas clássicas – e as explosões que se repetem ao longo de décadas – as novas recorrentes. Uma equipa de investigadores internacionais, incluindo o físico Valério Ribeiro, da Universidade de Aveiro (UA), estudou pela primeira vez o resultado de milhares destas últimas explosões em Andrómeda, a galáxia mais próxima da Via Láctea. O trabalho acaba de ser publicado na prestigiada revista Nature.

O artigo publicado demonstra que as repetidas explosões criam uma nuvem ‘super-remanescente’ cujo tamanho físico é maior do que muitas remanescentes de explosões supernovas. “Isto acontece porque as várias explosões recorrentes que ocorrem anualmente, varrem o material interestelar, criando cavidades no espaço em torno da nova”, aponta Valério Ribeiro, investigador do Centro de Investigação e Desenvolvimento em Matemática e Aplicações e do Departamento de Física da UA.

Estas explosões expelem diversos elementos químicos essenciais à vida, criando uma nuvem chamada “remanescente”. Os elementos químicos mais abundantes expelidos por essas nuvens são o hidrogénio e o hélio. Depois há toda uma série de elementos químicos presentes na tabela periódica como é o caso do ferro, do carbono, do nitrogénio, do oxigénio ou do lítio. As explosões fazem com que o material a seja distribuído pelo meio interstelar onde novas estrelas e planetas estão a ser formados. Essas nuvens de elementos químicos dispersas pelas repetidas explosões podem atingir 440 anos luz, qualquer coisa como mil milões de vezes a distância entre o planeta Terra e Júpiter.

descrição para leitores de ecrã
Imagem composta de dados do Telescópio de Liverpool (canto inferior esquerdo) e do Telescópio Espacial Hubble (canto superior direito) da super-remanescente

“A galáxia de Andrómeda é um excelente laboratório para o estudo das novas, pois na nossa galáxia as remanescentes são ofuscadas pela poeira interestelar, que é opaca para a luz visível. Para eliminar o problema da poeira, os astrónomos podem observar as novas através de ondas de radio, para as quais a poeira é transparente”, explica Valério Ribeiro.  

Astrónomos portugueses, associados ao ENGAGE SKA, em colaboração com uma equipa multidisciplinar da África do Sul, Reino Unido, França, Países Baixos, entre outros, irão trabalhar com os dados do futuro radiotelescópio Square Kilometre Array (SKA), que está a ser construído na Africa do Sul e na Austrália, de modo a descobrir todas as “novas” na nossa galáxia.

O mapeamento de todas as “novas” na nossa galáxia, aponta o investigador, “ajuda-nos a compreender a distribuição dos elementos químicos e de como estes enriquecem outros planetas em formação, criando condições para o aparecimento de moléculas essenciais à vida, tal como ocorreu com a Terra há alguns milhares de milhões de anos atrás”.

Estes estudos recorrem a várias tecnologias de ponta, envolvendo “machine learning”, centros de supercomputação (HPC) e processamento inteligente de grandes quantidades de dados (Big Data), recursos centrais na astronomia de multi-mensagens.

 

 

Sobre o ENGAGE SKA 

O ENGAGE SKA é uma Infraestrutura de Investigação do Roteiro Nacional das Infraestruturas de Investigação de Relevância Estratégica, e nodo português do SKA, desenhado como um Laboratório Aberto à Inovação e que fomenta a capacitação e sustentabilidade da participação portuguesa na vanguarda do SKA. É liderado pelo Instituto de Telecomunicações e conta com a participação das Universidades de Aveiro, Coimbra, Évora, Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e do Politécnico de Beja.

Sobre o SKA 

O SKA resulta de um esforço internacional para a criação de uma infraestrutura de ponta, composta por um interferómetro de rádio, com uma área de coletora de 1km2, composta por centenas de antenas a serem instaladas na África do Sul e na Austrália. Neste momento, o projeto conta com a participação de cerca de 100 organizações de 20 países. A pré-construção iniciou-se em 2012 estando o inicio da sua construção prevista para 2020. O SKA – considerado uma prioridade pelo Fórum Estratégico Europeu sobre Infraestruturas de Investigação (ESFRI) – promoverá desenvolvimentos tecnológicos em áreas de impacto social, como as tecnologias de informação e sistemas de energias sustentáveis.

Link para o artigo: https://www.nature.com/articles/s41586-018-0825-4

Doi: 10.1038/s41586-018-0825-4

imprimir
tags
outras notícias