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Opinião
Rubrica “(H)À Educação”: texto de Margarida Lucas, investigadora da UA na área das competências digitais
O que é ser-se competente no mundo digital?
Margarida Lucas escreve sobre competências digitais
Gerir perfis em redes sociais, contas de email, ou fazer compras online. Práticas muito comuns que parecem generalizadas. Mas, como explica Margarida Lucas, investigadora do Centro de Investigação Didática e Tecnologia na Formação de Formadores (CIDTFF) da Universidade de Aveiro, num texto no âmbito da rubrica “(H)À Educação”, em simultâneo com o Diário de Aveiro, ser-se competente no mundo digital vai muito além dessas capacidades mais comuns.

Nos dias que correm, em que praticamente todos temos e usamos tecnologias digitais, publicamos em redes sociais e comunicamos por likes, gifs e emojis, tendemos a assumir que somos digitalmente competentes. Isto será sobretudo sentido entre os mais jovens, que não conheceram outro mundo que não este, “sempre ligado”. Mas a competência digital não depende tanto do acesso às tecnologias digitais, nem do saber utilizá-las, mas de um conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes que resultam numa utilização segura, crítica e criativa das mesmas para atingir metas relacionadas com o trabalho, o emprego, a aprendizagem, o lazer, a inclusão e a participação na sociedade.

O papel que a formação e a educação assume no desenvolvimento desta competência originou o lançamento de uma série de quadros de referência. Um deles é o Quadro Europeu de Competência Digital para Cidadãos (DigComp) destinado a qualquer cidadão, independentemente da sua idade ou profissão. O DigComp descreve o que é ser-se digitalmente competente, propondo 21 competências distribuídas por cinco grandes áreas: a literacia de informação e de dados, que inclui saber analisar, comparar e avaliar criticamente a informação online (lembre-se do poder das fake news); a comunicação e colaboração, que inclui a participação na sociedade através da utilização de serviços digitais ou a adequação do comportamento (sabia que também há normas de etiqueta online?); a criação de conteúdo, que inclui os direitos de autor (quantas vezes se apropria de conteúdo sem dar crédito ao seu autor?); a segurança, que inclui a proteção de dados pessoais e da privacidade dos outros (alguma vez partilhou fotos ou contas de email sem o consentimento das pessoas que nelas constam?); e a resolução de problemas, que inclui a identificação de áreas em que a nossa própria competência digital necessita de ser atualizada.

A competência digital pode ter implicações em praticamente todas as esferas da nossa vida, seja a pessoal, social ou profissional e, como qualquer outra competência, pode ser aprendida e melhorada. Fica o desafio: ponha à prova a sua competência de pesquisa online, encontre a versão portuguesa do DigComp e, em jeito de autorreflexão, teste a sua competência digital.

 

Margarida Lucas, mlucas@ua.pt

Centro de Investigação Didática e Tecnologia na Formação de Formadores (CIDTFF) da Universidade de Aveiro

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