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Opinião
Anabela G. Silva, Diretora da Licenciatura em Fisioterapia
No dia da coluna e em todos os outros dias: pense positivo e mantenha-se ativo!
Anabela Silva, Diretora da Licenciatura em Fisioterapia
A dor na coluna, em particular na coluna lombar e cervical, apresenta uma prevalência elevada e afeta todas as faixas etárias. No Dia Mundial da Coluna, que se assinala esta terça-feira, 16 de outubro, Anabela G. Silva, Diretora da Licenciatura em Fisioterapia da UA, deixa-lhe alguns conselhos para contornar este tipo de dor, uma das principais causas de incapacidade em Portugal.

A dor na coluna, em particular na coluna lombar e cervical, apresenta uma prevalência elevada e afeta todas as faixas etárias. A dor lombar pode afetar 8 em cada 10 pessoas e a dor cervical pode afetar cerca de 50% das pessoas ao longo da vida. Na faixa etária mais jovem, dos 16 aos 18 anos, a prevalência da dor cervical aumentou cerca de 7% na última década. Acresce a esta elevada prevalência, a elevada incapacidade associada a estas condições, sendo a dor lombar e cervical a primeira causa de incapacidade em Portugal.

Na maioria das situações, a dor lombar e a dor cervical são crónicas e recorrentes, i.e., estão presentes por mais de 3 meses (muitas vezes anos) e apresentam um padrão de comportamento em que episódios de dor mais intensa intercalam com períodos de menor dor ou até ausência de dor. Não existe uma relação direta entre as alterações evidenciadas nos meios auxiliares de diagnóstico (raio X, ressonância magnética,…) e a sintomatologia referida pelos utentes e, na maioria dos casos, não é possível identificar uma causa específica para os sintomas. Nestas situações, a dor é denominada de idiopática e o tratamento deve ser direcionado para os sintomas e alterações da função associadas. Apenas em alguns casos, raros, a dor é causada por patologia grave.

Nas pessoas com dor lombar ou cervical idiopática e crónica, a intervenção deve ser pensada à luz de um modelo biopsicossocial, em que se privilegia a educação do utente e o exercício. Considerando que a dor lombar e cervical são recorrentes, a educação deve visar a alteração de pré-conceitos desajustados ou errados e o ensino de estratégias de autogestão da dor. O exercício deve ser adequado à condição em causa. Ajudar as pessoas com dor lombar e cervical idiopática a manterem-se ativas e a trabalhar, ajustando se necessário o local e as condições de trabalho, é fundamental para melhorar a sua qualidade de vida e minimizar a incapacidade.

Esta abordagem foi, recentemente, defendida como a mais adequada em vários artigos publicados na conceituada revista Lancet, os quais chamam, também, à atenção para o facto de nem sempre os utentes receberem o tratamento mais adequado.

A educação e o exercício são, ainda, apontados como as estratégias de intervenção com melhores resultados quando o objetivo é a prevenção da dor lombar e cervical e a promoção de comportamentos saudáveis.

No dia da coluna e em todos os outros dias: PENSE POSITIVO E MANTENHA-SE ATIVO!

Anabela G. Silva, Diretora da Licenciatura em Fisioterapia

Escola Superior de Saúde da Universidade de Aveiro

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