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Entrevistas
Antigos alunos UA - Rodrigo Ribeiro, mestrado em Energia e Gestão do Ambiente
“São muitas e boas as recordações da UA: excelentes professores e amigos espalhados pelo mundo”
Rodrigo Ribeiro, mestre em Energia e Gestão do Ambiente pela UA, trabalha em prevenção de fogos florestais
Fez investigação e formação em vários locais do mundo, tendo o curso de mestrado em Energia e Gestão do Ambiente que concluiu na UA sido fundamental, sublinha, no seu percurso. “A UA ajudou-me a saber como ter sucesso nas áreas de pesquisa e gestão de projetos, o que tem sido fundamental nas minhas atuais atividades”, afirma Rodrigo Ribeiro. O atual investigador e empresário regressou, entretanto, ao Brasil e trabalha num projeto sobre prevenção de fogos florestais no Parque Nacional da Chapada Diamantina. Em entrevista, fala também desta sua experiência, num momento em que este problema se mantém na ordem em Portugal.

Após a licenciatura em Engenharia no Brasil, ingressou no Mestrado em Energia e Gestão do Ambiente na UA. Depois, foi aprovado no doutoramento em Ecologia na Universidade de Alicante, Espanha. Durante este curso foi selecionado para fazer parte do doutoramento em Berlim, onde trabalhou com medições atmosféricas em diferentes locais da Alemanha. No mesmo período foi selecionado pela UNESCO para um projeto sobre cidades inteligentes e fenómenos naturais na Universidade Nicolaus Copernicus, Polónia, instituição onde trabalhou num projeto sobre análise das estratégias de gestão e adaptação às mudanças climáticas no Parque Nacional em Tuchola. Recentemente, regressou ao Brasil, abriu a empresa Pisando Verde que trabalha na área de consultoria ambiental e, em paralelo, desempenha funções de consultor na Fundação Getulio Vargas (FGV), em São Paulo.

Quais os motivos que a levaram a estudar na Universidade de Aveiro?

Ainda quando fazia o curso no Brasil, de Engenharia, no Instituto Mauá, eu já tinha preocupações com aspectos dos impactos ambientais. Falei na época com o Prof. Mario Garrote, que me recomendou a Universidade de Aveiro. Mandei uma proposta de projeto para a UA, que foi aceite, e logo ganhei uma bolsa da União Europeia pelo Programa Alban para fazer o Mestrado em Energia e Gestão Ambiental. E, assim, comecei essa experiência valiosa no meu currículo.

O curso correspondeu às suas expectativas? E a Universidade de Aveiro?

O curso foi ótimo, tive professores extraordinários e acesso a diferentes grupos de investigação. A UA possui uma estrutura académica completa. Em dezembro do ano passado, tive a oportunidade de retornar à UA, 10 anos depoiis de concluido o mestrado, e rever os professores do DAO e amigos de Aveiro. Foi uma grande alegria.  

O que mais a marcou na Universidade de Aveiro? (algum professor/colega/ episódio?)

São muitas as boas lembranças que guardo da UA, tanto os excelentes professores, como amigos queridos espalhados pelo mundo. Até hoje mantemos contato. Uma das coisas que me marcou foi ter participado, pelo CESAM, no curso sobre Energia, Ambiente e Mar na travessia do Golfo de Biscaia no navio português Creoula. Foi uma experiência única.

Tinha intenção, antes da formação na UA, de desenvolver a atividade principal atual? A partir de que momento começou a definir as ideias neste capítulo?

Eu não tinha intenção de trabalhar na área de riscos naturais antes da minha formação na UA. Foi durante o curso de mestrado no DAO que tive a disciplina de riscos naturais com a Prof. Celeste Coelho e fiz minha tese nessa área. E a partir daí, fui cada vez mais me envolvendo com o tema.

Foi fácil começar a carreira profissional como técnico nesta área? Refira os principais fatores que contribuíram para a facilidade/dificuldade.

Trabalhar nessa área demanda muito empenho em estar sempre atualizado. O principal desafio é criar resultados em forma de oportunidades, com soluções para os desafios prementes do meio ambiente.

Como descreve o seu dia a dia profissional?

Como tenho trabalhado principalmente com avaliação de impactos ambientais e riscos climáticos em zonas rurais, cada projeto é um novo começo, claro que cada vez mais um experiência. O dia a dia é uma mistura de análise de dados e elaboração de novas propostas de projeto.

O que mais o fascina nessas suas atuais atividades?

O que mais me fascina é a oportunidade de conhecer outros grupos de trabalho e conhecer contextos culturais locais. Cada realidade social possui suas ferramentas para se adaptar aos riscos que a ameaçam.

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O antigo aluno da UA trabalha em fases anteriores à ocorrência do fogos.

Tem vindo a trabalhar em fogos florestais na Chapada Diamantina, Parque Natural no centro do Estado da Bahia. O objeto do trabalho é a prevenção de fogos florestais? Quer descrever, resumidamente, as principais inovações introduzidas?

Eu sabia do histórico de incêndios recorrentes na região da Chapada Diamantina, e quando estava fazendo um trabalho sobre café no contexto de alterações do clima na região, me reuni com a Brigada de Combate a Incêndios Florestais de Lençóis (BVL) que trabalha no combate os fogos no Parque Nacional da Chapada Diamantina (PNCD). Depois disso, com parceiros da Universidade de São Paulo (USP), conseguimos dar início a um projeto que busca identificar numa escala local as estratégias de prevenção necessárias na Chapada. A finalidade é prevenir os ocorrência de fogos, ou seja, trabalhar em uma fase anterior a sua ocorrência. A principal inovação desse trabalho é abordar o tema sob um perspectiva de apoiar grupos locais a se organizarem para prevenir os fogos, e não apenas se preparar para lidar com o combate ao fogo.

Um dos desafios desse projeto é o tamanho da área de estudo, o parque ocupa cerca de 1.521 Km2, sem contar sua zona de amortecimento. O fogo na região é também algo recorrente na história, na sua maioria de origem antrópica. Em 2008, foi registada a maior área queimada da história do PNCD, com fogos que duraram cerca de 50 dias. Claro que as condições climáticas facilitam os incêndios, principalmente, os ventos e a seca. No entanto, compreender o evento de fogos e as ações antrópicas relacionadas com a sua ocorrências são fundamentais para se implementar ações de prevenção. Ou seja, trabalhar numa fase anterior à sua ocorrência.

Os resultados dessas medidas são os esperados?

O projeto ainda está em fase de desenvolvimento e o projeto espera promover, junto dos grupos locais, uma cultura focada na prevenção, incentivando novas mentalidades e comportamentos que contribuam para a redução do risco de fogos na Chapada Diamantina.

Que competências adquiridas na UA entende terem sido fundamentais para o exercício das suas atuais atividades? O percurso na UA teve algum efeito no seu caminho profissional/atividades paralelas que exerce? De que maneira?

O fato do DAO apoiar a investigação científica foi essencial no meu caminho. A UA me ajudou a saber como ter sucesso na área de pesquisa e na gestão de projetos, o que tem sido fundamental para eu desenvolver diferentes atividades, como por exemplo dar aulas na universidade UNIFEG em Minas Gerais, consultoria em projetos promovidos por instituições internacionais, como a União Europeia e Embaixada Britânica, ou projetos de pesquisa dirigidos pela minha empresa. Durante o tempo em que estive na UA, tive a oportunidade de participar em várias conferências na área ambiental, nacionais e internacionais. Recentemente, fui convidado como jovem pesquisador pelo programa internacional de pesquisa para a sustentabilidade global "Future Earth", para participar em encontros de troca de conhecimento na área de eventos extremos. Participei na elaboração da Declaração de Tóquio 2017,  num encontro realizado na Universidade das Nações Unidas (UNU), Japão e Paris, na sede do Conselho Internacional de Ciência (em inglês: International Council for Science ou ICSU) em 2018.

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