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Entrevistas
Antigos alunos UA - Graça Vicente, “alumna” e ex-Professora de Química na UA
Antiga estudante e ex-professora de Química da UA distinguida pelo Presidente dos EUA
Graça Vicente já recebeu várias distinções pela sua carreira docente nos EUA
Atualmente professora na Louisiana State University, EUA, Graça Vicente, antiga estudante e ex-professora do Departamento de Química da Universidade de Aveiro, foi distinguida este ano pelo Presidente norte-americano pelo seu trabalho docente naquela universidade. Trata-se do Prémio Presidencial pela Excelência na Docência em Ciência, Matemática e Engenharia, a maior honra concedida a docentes universitários nos EUA. Como antiga estudante, Graça Vicente não tem dúvidas de que a UA e, em particular, a licenciatura em Química corresponderam a todas as suas expectativas e deram-lhe as bases essenciais para o percurso de excelência que seguiu posteriormente.

Concluiu a Licenciatura em Química, na UA, em 1986 e o Doutoramento (Ph.D.) em Química na University of California Davis, em 1990. Depois de três pós-doutoramentos (1991: na Université de Bourgogne em Dijon, France; 1992: na Université de Genéve na Suíça; 1993: no ITQB em Oeiras, Portugal) iniciou a carreira académica na UA como Professora Auxiliar no Departamento de Química (1993-1998). Em 1998 voltou para a University of California Davis como Adjunct Assistant Professor (1998-2001) e, em 2001, ingressou na Louisiana State University  (LSU) como Professora Associada. Em 2005, foi distinguida com o título “Charles H. Barré Distinguished Professor of Chemistry” e, desde 2006, é professora catedrática na LSU. Durante a carreira académica na LSU recebeu vários prémios e distinções a nível de docência, investigação e serviço universitário. Os mais recentes são: o “15 Years Service Award", em 2016, o "LSU Foundation Distinguished Faculty Teaching Award", em 2015, e o título de “Distinguished Research Master in Science, Technology, Engineering and Mathematics”, em 2016, para além da distinção presidencial que foi anunciada pela Casa Branca em 26 de Junho de 2018.

 

Quais os motivos que a levaram a estudar na UA?

Eu cresci em Aveiro, a minha mãe tirou o curso na UA, e eu queria seguir Química… Por isso a Licenciatura em Química na UA foi a escolha natural para mim. Toda a minha educação foi feita em Aveiro, primeiro na escola primária da Glória (os 4 anos do 1º Ciclo do Ensino Básico), no 2º Ciclo (quinto e sexto anos de escolaridade) e, depois, no Liceu José Estevão (do sétimo ao décimo segundo ano de escolaridade).

O curso correspondeu às suas expectativas? E a UA?

Sim. A UA e, em particular, a licenciatura em Química corresponderam a todas as minhas expectativas e deram-me as bases necessárias e adequadas para eu obter o doutoramento na Universidade da Califórnia em Davis, EUA, e para continuar a minha carreira académica.

O que mais a marcou na UA?

Vários professores e professoras que tive na UA, sobretudo nos primeiros dois anos da minha Licenciatura, marcaram-me bastante, inspiraram-me e influenciaram a minha escolha para seguir a carreira académica.

Sempre soube qual a atividade que queria seguir? Como surgiu a oportunidade de ir trabalhar para os EUA?

Sim, descobri cedo na UA que queria seguir uma carreira académica. Enquanto estudante de licenciatura fui convidada para colaborar nas aulas práticas de laboratório de química e eu adorei a experiência. No último ano da Licenciatura concorri a uma bolsa Fulbright que me deu a oportunidade para realizar um doutoramento nos EUA logo após a Licenciatura.

Como descreve a sua atividade profissional na Louisiana State University? O seu trabalho no ensino e orientação (com planos individualizados) tem sido reconhecido pela instituição onde trabalha e, atualmente, é a única mulher docente distinguida com o título “Distinguished Professor of Chemistry”. Quer comentar?

A minha carreira e experiências na LSU têm sido ótimas, e eu sempre tive o apoio da minha família durante todas as minhas atividades profissionais. Os reconhecimentos e avanço na minha carreira académica na LSU são baseados nas minhas atividades a nível de docência, investigação e serviço universitário.

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Graça Vicente e Elisabeth Okoth, sua orientanda.

O que mais a fascina na sua atividade profissional?

O que mais me fascina é trabalhar com colegas e estudantes de todas as partes do mundo. Eu adoro a diversidade de culturas e ideias que existe na Louisiana.

Dado que trabalha nos Estados Unidos, como foi a adaptação às diferentes condições de trabalho e ao novo ritmo de vida?

A adaptação foi difícil, sobretudo, no primeiro ano passado nos EUA enquanto estudante de doutoramento, devido não só á língua, mas também ao ritmo acelerado, á competição na Universidade, e ás saudades de Portugal. No entanto, rapidamente me adaptei ao ritmo de vida nos EUA e ás oportunidades que existem para progressão na carreira académica.

Diferenças entre o trabalho em Portugal e Estados Unidos?

Há imensas! Penso que nos EUA há mais competição a todos os níveis e também mais oportunidades que promovem o trabalho de equipa e a criatividade profissional.

Que competências adquiridas na UA entende terem sido fundamentais para o exercício da sua atual atividade?

A minha Licenciatura em Química na UA deu-me essencialmente as bases cientificas necessárias para eu ser bem-sucedida no programa de Doutoramento em Química na Universidade da California em Davis, e, subsequentemente, para progredir na carreira académica nos EUA, numa atmosfera altamente competitiva. Com base no trabalho que desenvolvi recebi várias distinções, não só a nível da universidade, mas também o prémio internacional “Young Investigator Award in Porphyrin Chemistry” em 2004, e mais recentemente o “2016 Presidential Award for Excellence in Science, Mathematics, and Engineering Mentoring (PAESMEM). Ter sido convidada para visitar a Casa Branca e receber o prémio presidencial em 25-27 de Junho de 2018 foi uma experiência fantástica e inesquecível, uma enorme honra.

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