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Investigação
Projeto apresenta-se na Conferência Reabilitação Respiratória em Rede, dia 11 de julho, na UA
Doentes respiratórios crónicos já têm plataforma online
A equipa da ESSUA envolvida na plataforma 3R
Só em Portugal as doenças respiratórias crónicas afetam 40 por cento da população, mas apesar de serem líderes de mortalidade e morbilidade, menos de um por cento dos doentes têm acesso a reabilitação respiratória, uma intervenção considerada essencial para estas doenças. O alerta é da Escola Superior de Saúde da Universidade de Aveiro (ESSUA) que vai lançar a Reabilitação Respiratória em Rede (3R), uma plataforma online que quer ajudar doentes, familiares e profissionais de saúde a encontrarem soluções para um conjunto de doenças que tem em Portugal um acompanhamento clínico insuficiente.

A 3R vai ser apresentada durante a conferência Reabilitação Respiratória em Rede que decorre na UA a 11 de julho. Preparado pelo Laboratório de Investigação e Reabilitação Respiratória (Lab3R) da ESSUA, o encontro pretende chamar a atenção para a importância crescente das doenças respiratórias e para a necessidade de se responder adequadamente às necessidades destes doentes e famílias.

A conferência, que se realiza a partir das 10h00 no auditório da Reitoria da UA, terá como ponto alto a apresentação da Plataforma de Reabilitação Respiratória em Rede (O encontro pode ser acompanhada em direto em https://youtu.be/cOFYYP4wfX0

Doença pulmonar obstrutiva crónica, asma, apneia do sono, fibrose pulmonar idiopática, bronquiectasias são algumas das enfermidades que fazem parte do grupo das doenças respiratórias crónicas e que “em Portugal estão ainda muito subdiagnosticadas”. A certeza é de Alda Marques, coordenadora do Lab3R da ESSUA e responsável pelo 3R.

Só entre 2011 e 2016, por exemplo, o diagnóstico da doença pulmonar obstrutiva crónica aumentou 241 por cento e o da asma 234 por cento. “Estas doenças são crónicas e, portanto, já estavam há muito presentes na população, nunca tinham é sido diagnosticadas”, afirma Alda Marques.

Um enorme problema de saúde pública

Ausência de uma rede nacional de espirometria que permita avaliar a saúde dos pulmões e a falta de sensibilização da comunidade em geral, para a enorme presença de doenças respiratórias crónicas na população, são algumas das razões que explicam o porquê de no país existir um subdiagnóstico destas doenças.

A ausência de uma rede nacional de reabilitação respiratória (atualmente essencialmente disponível em alguns hospitais e para os doentes mais graves) e a falta de sensibilização da comunidade em geral para a importância desta intervenção considerada fundamental estar acessível a todos os que dela precisam, explicam o porquê de “menos de 1 por cento das pessoas afetadas estarem a receber reabilitação respiratória”. 

“As doenças respiratórias, possíveis de prevenir e tratar, representam um problema de saúde pública substancial com enorme sobrecarga para os doentes e famílias, mas também para a economia e sistemas de saúde e sociais”, aponta Alda Marques. Principais causadoras de morte e incapacidade prematura em Portugal, “prevê-se que o número de pessoas afetadas por estas doenças continue a aumentar devido à exposição contínua a fatores de risco e ao envelhecimento da população”.

Alda Marques diz ser fundamental que “as pessoas possam ser referenciadas o mais precocemente possível e acompanhadas de forma personalizada, de acordo com as suas necessidades e expectativas, independentemente do local onde vivem ou severidade de doença que têm”.

Site para doentes, famílias e profissionais de saúde

Nesse sentido, a plataforma 3R pretende ser uma ajuda. Desenvolvida para Portugal e para os Países da Comunidade de Língua Portuguesa, a 3R visa ajudar as pessoas com doenças respiratórias crónicas e promover a parceria entre doentes, familiares, comunidade e profissionais de saúde.

“Pretendemos facilitar o acesso, de forma gratuita, a toda a informação referente às doenças respiratórias crónicas e à reabilitação respiratória, e assim contribuir para a adoção de estilos de vida saudáveis e para uma melhoria da qualidade de vida destes doentes”, explica Alda Marques.

Assim, aponta a investigadora, “doentes, familiares e a comunidade em geral podem aqui encontrar informações úteis, em folhetos e vídeos, acerca das doenças respiratórias crónicas e da reabilitação respiratória, testemunhos de experiências vividas bem como acompanhar as novidades acerca destes temas”.

Para além de ter nascido a pensar nos doentes e respetivas famílias, a 3R quer também constituir-se como “um ponto de referência para os profissionais de saúde, permitindo desenhar e implementar programas de reabilitação respiratória baseados na evidência”.

Os profissionais de saúde terão assim acesso a uma listagem de recursos materiais e humanos necessários para implementar programas de reabilitação respiratória, a uma lista compreensiva de instrumentos para avaliar os efeitos da reabilitação respiratória nos doentes, a orientações de como implementar os programas, a material informativo para as sessões psicoeducativas e a folhas de registo das sessões. A plataforma disponibiliza também links com orientações relevantes nacionais e internacionais na área da reabilitação respiratória.

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