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Entrevistas
Presidente da AAUAv – Xavier Vieira, a dias dos 40 anos da Associação
“Acredito que tenhamos conseguido criar condições para que a Academia Aveirense continue o seu caminho pela inovação e excelência”
Xavier Vieira, presidente da AAUAv
A poucos dias das comemorações do 40º aniversário da Associação Académica da Universidade de Aveiro (AAUAv), o atual presidente da direção e estudante de Administração Pública, Xavier Vieira, revela algumas das iniciativas programadas para assinalar a data e destaca alguns dos marcos da ação desenvolvida pela sua equipa no último ano e meio, reconhecendo que esta experiência mudou totalmente a interação que tem com o que o rodeia.

O que o motivou a envolver-se no associativismo?

O que me levou a envolver-me no associativismo foi uma razão que está intrinsecamente ligada à minha forma de estar na vida. Sem dúvida, a vontade que me é inata de ser um agente de mudança. Tudo começou em Nariz, uma aldeia com cerca de 150 habitantes, quando com apenas 15 anos, dava os primeiros passos, relativamente à descoberta de um mundo que funciona ao ritmo da sociedade e que tende a evitar o progresso em determinadas circunstâncias. Na altura, verificava-se um problema relacionado com a ausência de atividades e dinâmicas que pudessem promover o crescimento dos meus colegas, num ambiente de inclusão e de ligação com um mundo cada vez mais pequeno. Foi o primeiro momento em que sentimos que era necessário agir! Fizemos parte de um grupo de jovens que dura até aos dias de hoje, os Escrina. Permitindo a possibilidade de criar e errar, mas acima de tudo, a criação de oportunidades para fazer. De seguida, com a entrada no ensino secundário, envolvi-me numa ONG (Leo Clube Santa Joana Princesa) que trabalha em estreita colaboração com os Lions da nossa cidade. No momento da entrada na Universidade, assumi que queria continuar a ter um percurso associativo ativo e juntei-me ao Núcleo, tendo surgido a oportunidade de fazer parte da Associação Académica, à qual lidero e na qual temos elaborado projetos bastante ambiciosos para a nossa comunidade.

Hoje posso dizer que observo, uma geração de líderes, que poderá protagonizar papéis de relevância na construção de um futuro para todos, nesta escala global em que os Millennials vivem. Desta forma, todo o meu percurso foi-se construindo em função desta premissa e acima de tudo na procura de uma melhoria das relações entre as instituições e as pessoas.

 

Que mais-valias tem retirado desta experiência?

A forma como olho, para as mais-valias que retiro desta experiência, acabam por estar correlacionadas com o facto de ter trabalhado antes de vir para a Universidade. As expetativas que tinha por entrar num projeto como este e avaliando a dimensão da Instituição, eram de que poderia ter a oportunidade de participar em processos de decisão, que gerariam políticas públicas, para a comunidade. Face a toda esta conjetura, tive sempre a curiosidade de procurar informação e de entender o que me rodeia, algo que, hoje em dia, não é um processo que a maioria das pessoas faça de forma natural, quando está inserido numa comunidade. Cada vez mais cingimo-nos à informação que pretendemos ver e esquecemo-nos do que extravasa para além disso.

De qualquer forma, destacaria três mais-valias que me parecem interligar e constituir uma base do que é colocar a vida académica na prática em execução.

A primeira são as pessoas com quem tive a oportunidade de trabalhar, de diferentes áreas científicas. São as grandes responsáveis por todo o êxito de uma instituição, um conjunto de estudantes sentar-se à mesa e discutir, para criar e melhorar algo para dar à comunidade, é sem dúvida alguma, uma atitude bastante nobre e corajosa. Termos a oportunidade de fazer parte, da construção do nosso futuro, é único e dá-nos uma responsabilidade acrescida.

A segunda é entender a dinâmica de funcionamento de toda a sociedade e a sua interação connosco. Não são poucas as vezes em que a nossa vontade de mudar, dá lugar à frustração e em que olhamos para o que está em volta, constatando as diferentes velocidades que dão ritmo à sociedade portuguesa. Tudo anda a um ritmo distinto e exige-nos uma capacidade de adaptação constante, sejam as universidades, governo, instituições ou empresas.

A terceira que destacaria é a forma como olhamos o mundo. Hoje reconheço que esta experiência mudou totalmente a interação com o que me rodeia. A curiosidade deu lugar ao inconformismo e enquanto discutimos, torna-se numa ideia, que se concretiza na forma como vamos mudar o que vivemos. Esta forma de estar sente-se no dia-a-dia da instituição através do esforço que é feito por todos os dirigentes envolvidos nesta causa.

 

Até ao momento qual foi o grande marco dos seus mandatos?

Efetuar um balanço deste género, estando ainda em funções, é um processo complexo.

De qualquer forma, estes dois anos (2017 e 2018) tiveram uma especial ênfase nas mais distintas áreas, destacaria a aposta na cultura que fizemos ao lançar a Living Room Sessions e aos investimentos efetuados no GrETUA, no desporto, o atingimento da melhor classificação de sempre no Troféu Universitário de Clubes, o primeiro pódio europeu no Andebol Feminino e o facto de termos realizado as Fases Finais do desporto universitário a nível nacional. No contexto da comunicação, a criação do UniverCidade.pt que ultrapassou recentemente as 100.000 visualizações e da Revista Matriz. Finalmente, as semanas académicas no Campus que se vieram a provar um total êxito e de que só faz sentido viverem-se no coração da Academia Aveirense! No contexto da política educativa, aprovámos diversas posições no Encontro Nacional de Direções Associativas e realizámos o primeiro Orçamento Participativo da Instituição.

Desta forma, acredito que tenhamos conseguido criar condições para que a Academia Aveirense continue o seu caminho pela inovação e excelência nas mais distintas áreas.

 

Esta Associação vai assinalar o 40º aniversário da AAUAv. Que iniciativas integram o programa de comemorações?

A 28 de junho de 1978 vivia-se época de incomparáveis circunstâncias na vivência de Portugal e com uma democracia ainda em estado de habituação à realidade da liberdade de expressão. Na altura, a Associação de Estudantes da Universidade de Aveiro respondia ao repto da necessidade dos estudantes se sentirem representados garantindo assim a defesa dos seus interesses, tornando todas as suas reivindicações explanadas numa só voz, através desta Instituição, assente em princípios e valores que dignificam a Academia Aveirense.

Quarenta anos de gerações. 40 anos de ações. 40 anos de mudança. 40 anos de vida académica na prática.

São 40 anos de histórias que merecem o seu reconhecimento por parte de todos. Neste seguimento, temos interesse na realização de quatro sessões de debate com pensadores da sociedade portuguesa, elaboração de um documentário, investimento numa produção do GrETUA para oferecer à comunidade estudantil, nomeação de novos sócios honorários, um estudo socioeconómico do impacto dos estudantes na Cidade de Aveiro em parceria com a Universidade de Aveiro, criação de uma aplicação mobile que congregue todas plataformas, criação de um mural no local do Solar Académico e que seja oferecido à cidade, criação de um hino da academia aveirense e tentar albergar uma edição de um programa televisivo (Governo Sombra ou Prós e Contras).

Ambicioso e que esperemos que faça jus à história nossa Academia Aveirense!

Aproveito para todos convidar para a nossa Gala do 40º Aniversário que irá decorrer no dia 29 de junho, no anfiteatro Renato Araújo, na Reitoria da Universidade de Aveiro!

Aveiro é Nosso!

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