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Entrevistas
Professora UA - Andreia Hall, Departamento de Matemática
“Um bom professor faz os olhos dos alunos brilharem, provoca-lhes um sorriso nos lábios e ilumina-lhes o caminho”
Andreia Hall, professora do Departamento de Matemática, dá aulas ao curso de Ensino Básico
Andreia Hall é professora do Departamento de Matemática da Universidade de Aveiro. Atualmente, dá aulas na licenciatura em Educação Básica e no mestrado em Educação e Formação. O que mais a fascina na sua atividade é a “possibilidade de ajudar os outros no seu percurso de crescimento e aprendizagem”. A docente é também coordenadora do Circo Matemático da Universidade de Aveiro, iniciativa para tornar a Matemática uma ciência divertida. Andreia Hall deixa um conselho aos seus alunos: “Pensem bem nas qualidades que se esperam num professor e mudem de curso se não as reconhecerem em si próprios.”

Andreia Oliveira Hall tem formação em Matemática (Mestrado e Doutoramento em Probabilidades e Estatística –1994 e 1998, respetivamente), em Engenharia (Eletrónica e Telecomunicações – 1991) e em Música (Curso Superior de Piano - 1989). Ao longo dos últimos anos tem realizado diversas atividades com crianças, pais, educadores e professores procurando incentivar o gosto pela Matemática e estabelecendo interligações com outras áreas do saber, em particular com as artes visuais/expressão plástica e a música. Entre estas atividades destacam-se: as ações de formação para professores nas quais os formandos são levados a produzir trabalhos em patchwork e/ou cerâmica a partir de temas como a simetria ou  padrões recursivos; o projeto "Histórias com sabor a matemática" onde crianças de mais de 50 turmas participaram na realização de atividades de matemática após terem ouvido contar uma história com ligação à matemática; o projeto "Circo Matemático" (http://uaonline.ua.pt/pub/detail.asp?lg=pt&c=34585 ) no qual são realizados espetáculos de magia matemática com intervenções de um palhaço matemático e que conta com uma equipa de cerca de 15 professores da UA tendo já realizado mais de 120 sessões para mais de 14000 alunos do ensino básico e secundário. Em paralelo, tem realizado trabalhos de patchwork com aplicações de Matemática, tendo já exposto os seus trabalhos em encontros nacionais e internacionais.

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O patchwork é uma das paixões de Andreia Hall.

Como define um bom professor?

Um bom professor é um professor que fascina os seus alunos, fá-los perder o sentido do tempo nas aulas e provoca-lhes gosto em aprender. Um bom professor faz os olhos dos alunos brilharem, provoca-lhes um sorriso nos lábios e ilumina-lhes o caminho.

O que mais a fascina no ensino?

A possibilidade de ajudar os outros no seu percurso de crescimento e aprendizagem. Não há nada mais gratificante do que dar uma aula e ver os olhos dos alunos a brilhar.

Como qualifica a formação que é dada aos estudantes nos cursos a que está ligada?

Não posso falar pelos meus colegas. Pela minha parte procuro dar a melhor formação que consigo no âmbito da Matemática. No entanto, não posso deixar de transmitir a grande frustração que sinto, em geral, devido à fraquíssima preparação matemática que a maioria dos meus alunos revela, tendo em conta que estão a frequentar um curso de formação de professores que lhes proporciona a possibilidade de ensinarem até ao 6º ano de escolaridade.

Se quisesse dar conselho aos seus alunos, que conselho daria?

Que pensassem bem nas qualidades que se esperam num professor e que mudassem de curso se não as reconhecerem neles próprios.

Houve alguma turma que mais a tivesse marcado? Porquê?

Sim, há vários anos quando dava aulas de Estatística às engenharias tive uma turma de Engenharia Física que me marcou. Tinha um conjunto de alunos motivados, empenhados e participativos que davam vida e prazer às aulas. No final do semestre ofereci um livro sobre o físico Richard Feynman a cada um desses alunos.

Pode contar-nos um episódio curioso que se tenha passado em contexto de sala de aula ou com estudantes?

Posso relatar este episódio:

Em estatística existe uma distribuição muito utilizada na realização de testes de hipótese que chama distribuição t de Student.  A letra t provém da expressão inglesa “test statistic” e Student é um pseudônimo do seu autor, William Sealy Gosset, que por motivos profissionais não podia usar o seu nome verdadeiro para publicar trabalhos científicos.

Eu lecionei a disciplina de Métodos Estatísticos durante vários anos e entre os vários assuntos ensinava a distribuição t de Student. Num desses anos tive uma aluna de Engenharia do Ambiente de quem fiquei amiga posteriormente. Um dia ela contou-me que, numa aula em que introduzi a distribuição t de Student, o aluno que estava sentado ao seu lado comentou: “É mesmo estúpida! Então ela não vê que Student se escreve com ‘s’ e não com ‘t’?”

Só por curiosidade posso dizer que esta aluna gostou tanto da minha disciplina que mudou de curso e é agora professora de Matemática.

Traço principal do seu carácter

Perfecionista

Ocupação preferida nos tempos livres

Patchwork, expressão plástica, tocar piano, fazer caminhadas, fazer sobremesas e conviver com amigos.

O que não dispensa no dia-a-dia

Um quadradinho de chocolate depois do almoço e do jantar.

O desejo que ainda está por realizar

O desejo de ser feliz.

 

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