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Entrevistas
Professor UA – Gil Andrade-Campos, Departamento de Engenharia Mecânica
A Engenharia Mecânica da UA com nível internacional
Gil Andrade-Campos
Especialista em Mecânica Computacional, fascinado pelas Metodologias de Ensino em Engenharia, Gil Andrade-Campos é professor há 12 anos no Departamento de Engenharia Mecânica (DEM) da Universidade de Aveiro (UA). Ontem, tal como hoje, não tem dúvidas: “A formação dada na UA, particularmente no Mestrado Integrado em Engenharia Mecânica, está ao nível das melhores da Europa”.

Gil Andrade-Campos licenciou-se em Engenharia Mecânica pela Universidade de Coimbra e doutorou-se na mesma área pela UA. Entre Coimbra e Aveiro, esteve em Paris, como investigador, numa “grand école d’Ingenierie” (ENSAM) onde se apercebeu das grandes diferenças entre a maneira de trabalhar nos dois países.

Desenvolve investigação na UA e na unidade de R&D TEMA nas áreas da Mecânica Computacional, mas tem um fascínio pelas Metodologias de Ensino, em particular as aplicadas aos alunos de engenharia.  Continua com uma estreita relação com França, sendo investigador-colaborador do centro IRDL da Universidade de Bretanha-Sul, e com Coimbra, particularmente com o Centro de Engenharia Mecânica da Universidade de Coimbra.

Durante os últimos 5 anos, foi coordenador ERASMUS e de outros programas de mobilidade internacional do DEM e diretor do Mestrado em Sistemas Energéticos Sustentáveis.

Gil Andrade-Campos é autor de dois livros e de meia centena artigos científicos publicados em revistas internacionais. Coordena cerca de três projetos financiados pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia e orienta doutoramentos e mestrados em Engenharia. Considera de extrema importância as atividades de divulgação científica e do desenvolvimento de softskills pelos alunos.

Qual é o segredo para se ser bom professor?  

Um bom professor é aquele que continuamente se esforça para transmitir o conhecimento que tem ao estudante. Reforço a palavra “continuamente”, pois é muito fácil um professor resignar-se e acomodar-se a ensinar da mesma maneira ano após ano. Adicionalmente, a elevada pressão que os docentes do ensino superior têm para apresentar resultados na vertente da investigação e o pouco incentivo que têm na vertente ensino faz com que facilmente se minimize o tempo dedicado à docência.

Não há segredos para ser bom Professor (isto deve ser a frase cliché de todos, pois é politicamente correta) hoje em dia. Há tantas fontes (e muito boas) que revelam enumeras técnicas para se ser bom professor que hoje não há desculpas para não ensinar bem. É preciso é estar motivado. 

O que mais o fascina na profissão docente?

A transmissão de conhecimento (qualquer que este seja) e a imprevisibilidade (quer do estudante quer da sociedade). A transmissão de conhecimento é bidirecional. Há aulas em que eu aprendo mais do que os estudantes.

Mas o ensino também inclui o desafio de orientação de doutoramentos e mestrados. Tenho por hábito guardar uma hora por semana do meu horário para uma reunião/discussão com cada aluno que oriento. É algo que considero da mais extrema importância (quer pessoal quer cientificamente). Nessas reuniões, sinto-me fascinado com a qualidade de discussão que na maioria das vezes se gera e o resultado que se obtém ao final de um mês, um ano, etc.

Como qualifica a formação que é dada aos estudantes no Mestrado Integrado em Engenharia Mecânica?

A formação dada na UA, particularmente no Mestrado Integrado em Engenharia Mecânica, está ao nível das melhores da Europa. Apesar de já ter sido mais inovadora e diferenciadora (mas, em breve, com a restruturação curricular que se avizinha, tenho a certeza que voltará a ser), esta consegue equilibrar uma formação teórica que prepara os estudantes para a tecnologia do futuro com uma formação prática que os prepara para a engenharia do presente.

Adicionalmente, a UA, enquanto Universidade (instituição de conhecimento universal e pluridisciplinar), permite aos seus alunos uma aprendizagem multidisciplinar num ambiente integrador.

Que grande conselho dá aos seus alunos?

Profissionalmente, que arrisquem tudo nos primeiros anos (e sem medo de perder tudo). Pessoalmente, que cultivem as relações humanas. Num determinado nível, estas serão mais importantes que o mérito técnico.

Os alunos afetos ao DEM têm ouvido os meus conselhos nestes últimos anos no programa headhunters@DEM-UA, que é um programa coordenado pelos DEM, GESP e NEEMEC e que pretende preparar os futuros Engenheiros Mecânicos da UA para a procura do primeiro emprego e torná-los (ainda) mais apetecíveis para o mundo de trabalho atual. O programa também pretende construir as competências essenciais para que o aluno finalista do DEM tenha elevado sucesso na procura de um primeiro emprego de excelência. Apesar de ser um programa virado para alunos, eu tenho aprendido imenso com as sessões deste programa que decorre durante 3 meses. Deveria haver um programa destes para docentes.

Houve alguma turma que mais o tivesse marcado? Porquê?

No primeiro ano que tive funções docentes, tinha 25 anos. Muitos dos alunos eram da minha geração e até mais velhos. Porém, como a minha formação não era da UA, não conhecia nenhum. Contudo, a proximidade de idade, que poderia ser inicialmente vista como uma desvantagem, foi uma grande vantagem. A minha maneira de pensar era semelhante à dos alunos, permitindo-me explicar os conteúdos aos alunos de forma mais fácil e próxima. Muitos desses alunos são atualmente meus amigos e, sempre que posso, convido-os para virem à UA para darem os seus testemunhos. Ainda este ano, dentro do programa HeadHunters2018@DEM-UA, 3 alunos deste grupo vieram à UA partilhar experiências e o percurso profissional de sucesso que tiveram.

Pode contar-nos um episódio curioso que se tenha passado em contexto de sala de aula ou com estudantes?

Nas aulas teóricas de Mecânica dos Fluidos, periodicamente utilizo os primeiros minutos (os tais pertencentes ao conhecido quarto-de-hora académico) para apresentar algumas curiosidades. A maioria destas curiosidades são relativas à Mecânica dos Fluidos, mas outras são de cultura geral. Há dois anos atrás, coloquei a situação de um almoço com a Rainha de Inglaterra onde era servido uma banana inteira como sobremesa. Depois de muitos risos e boa disposição, e como nenhum aluno sabia como fazer para comer uma banana de garfo e faca, em conjunto chegamos à solução eticamente aceitável. Na aula seguinte, os alunos contaram-me que nesse dia, ao almoço no refeitório universitário, todos tinham colocado em prática o que aprenderam. É um exemplo curioso de (theoria) poiesis e praxis!

descrição para leitores de ecrã
Que conselhos dá aos estudantes? “Profissionalmente, que arrisquem tudo nos primeiros anos (e sem medo de perder tudo). Pessoalmente, que cultivem as relações humanas”.

Traço principal do seu carácter

Otimismo

Ocupação preferida nos tempos livres

Música, particularmente guitarra clássica

O que não dispensa (“ou não queria dispensar”) no dia-a-dia

Oração

O desejo que ainda está por realizar

Compreender as mulheres

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