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Entrevistas
Antigo presidente AAUAv – Ângelo Ferreira
“Os meus três mandatos foram plenos de conquistas importantes”
Esteve três anos (1997 -1999) à frente da Associação Académica da Universidade de Aveiro (AAUAv) e continua ligado a esta Universidade, tendo recentemente abandonado as funções de assessor para a internacionalização e cooperação que exercia na reitoria para se dedicar exclusivamente à conclusão do seu doutoramento em Educação. A poucos dias do 40º aniversário da AAUAv, Ângelo Ferreira recorda alguns momentos da sua ação enquanto dirigente académico.

O que o motivou a envolver-se no associativismo?

Desde o ensino secundário que estou envolvido em atividades associativas, tendo pertencido à associação de estudantes da Escola Secundária de Oliveira do Bairro (sempre com os alunos mais velhos). Quando cheguei à UA fui logo oferecer-me à Associação de Estudantes para colaborar. Ainda no ano de caloiro, fui um dos fundadores do Núcleo de Artes Plásticas e mais tarde do Bionúcleo, dos quais fui presidente, tendo sido ainda o promotor de exposições, ciclos de conferências e cursos (de desenho e pintura, dos primeiros cursos de ilustração científica em Aveiro).

Já na reta final do curso (Licenciatura em Ensino de Biologia e Geologia), dado que a associação enfrentava sérias dificuldades e descontentamento, fui incentivado por muitos colegas a candidatar-me à sua presidência, o que só fiz por existir um grupo alargado de estudantes competentes, de múltiplas sensibilidades (inclusive políticas), que quiseram que eu encabeçasse uma equipa e um projeto, apartidário, de mudança profunda. Ganhámos as eleições contra as previsões, com 81% dos votos, se não me falha a memória.

 

Que mais-valias retirou desta experiência?

A enorme satisfação de ter elevado bem alto, a nível nacional e internacional, o nome da Associação Académica, e de as minhas três equipas terem contribuído com muito empenho, trabalho e responsabilidade para a afirmação de uma Universidade de futuro, onde os estudantes são elementos centrais, com voz ativa baseada em responsabilidade, recusando populismos fáceis e defendendo que todos na academia têm importante valor para a construção de uma universidade que queremos das melhores do mundo. Pessoalmente, como penso poder falar pela maioria dos que comigo estiveram, ganhei sentido político, conhecimento, experiência organizativa e noção de complexidade, competências relacionais, assim como, penso eu, alguma sabedoria. E também construímos uma imagem diferente dos estudantes na cidade, no sentido lato, como eles deviam sempre ter, usando as suas capacidades ao serviço da comunidade, o que nos deixou muito felizes na altura.

 

Qual foi o grande marco dos seus mandatos?

Os nossos três mandatos foram plenos de conquistas importantes, à custa do imenso trabalho dos meus colegas e de um projeto consistente, que acreditavam, como eu, que a UA poderia ser uma Universidade diferente, especial, a melhor de Portugal, entre as melhores do mundo, valorizando a investigação, o ensino e a cooperação, num equilíbrio entre todas as áreas do saber, com ênfase não apenas na formação, mas numa educação plena, e que os estudantes tinham nessa ambição um papel determinante.

Posso destacar alguns marcos:

Fomos a primeira associação do país a ter contabilidade organizada/profissionalizada/certificada e a pagar impostos, recuperando credibilidade e construindo elevada reputação, também por termos tido a nível nacional a liderança de uma renovação do movimento associativo, com posições assentes na defesa de direitos e deveres.

Recuperámos financeiramente a associação, fortemente endividada, o que nos permitiu desenvolver projetos de grande envergadura e simbolismo como, entre outros, os seguintes: mecanismo claro de financiamento e incentivo da atividade autónoma dos núcleos, dando-lhes condições par; regulamento interno administrativo e contabilístico; campanha Aveiro é Nosso; jornal UniverCidade com Diário de Aveiro; salto qualitativo assinalável das semanas académicas; aquisição de Solar Académico na cidade para residência estudantil e infraestruturas de apoio à atividade dos núcleos (não avançou por falta de empenho das direções seguintes); avanço com reitoria na construção da Casa do Estudante; carro vassoura da SUMA nos desfiles, que mudou a imagem estudantil na cidade; o envolvimento na causa da independência de Timor-Leste, em que estivemos empenhados, tendo trazido à UA o Prémio Nobel da Paz D. Ximenes Belo e lançado com ele a campanha "Bolsa para Timor", uns anos antes da independência, cujo patrono foi o Presidente da República Dr. Jorge Sampaio, e que recolheu avultados fundos para apoiar jovens timorenses em Díli; o convite para falar nas Nações Unidas em Nova Iorque, a propósito da situação de Timor, algo único da história do associativismo estudantil, que na altura muito orgulhava os estudantes da nossa academia. Unimos a cidade, a região e a universidade, até em ações de cariz internacional, a pensar que somos também cidadãos desse mundo vasto e diverso, e que temos uma palavra a dizer, que Aveiro pode ser um centro importante da aldeia global.

Tantas e tão boas recordações, sempre com um olhar posto no futuro da nossa magnífica universidade!

Por fim, gostaria de sublinhar que aprendi, desde caloiro, a amar a nossa instituição e a viver a sua alma mater com sentido de responsabilidade e entrega, principalmente com pessoas como o antigo Reitor Renato Araújo, alguns docentes e muitos dos funcionários da casa, desde as senhoras que nos faziam e serviam as refeições na cantina ao pessoal dos Serviços Académicos.

 

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