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Entrevistas
Jorge Monteiro, aluno de Engenharia Mecânica, treina nas instalações desportivas universitárias
Campeão nacional universitário de squash sente-se em casa na UA
Jorge Monteiro é campeão nacional universitário de squash
O campeão nacional universitário de squash e bicampeão nacional por clubes é aluno do 2º ano no seu curso de sonho, Engenharia Mecânica da Universidade de Aveiro (UA). Não se vê a estudar e a treinar noutra universidade e afirma sentir-se “em casa” na UA. Atual 4º lugar no ranking nacional absoluto, Jorge Monteiro, 20 anos, ambiciona ascender ainda mais no ranking nacional e sonha com uma carreira desportiva internacional, quando terminar o curso. Diz-se adepto da velha máxima “mente sã em corpo são” e considera que o squash está nos seus genes.

Quais são as perspetivas para a atual época?

Este ano, espero justificar a confiança que em mim foi depositada pelo meu atual patrocinador, a marca francesa Tecnifibre através do seu representante em Portugal, a Sport Lovers, conseguindo renovar os títulos de campeão nacional universitário e por clubes, bem assim como o título de campeão regional. Vou lutar também por conseguir impor-me no Top3 do ranking nacional absoluto e espero conquistar o acesso à seleção nacional sénior. A nível local, pretendo aprofundar e consolidar o trabalho que tenho vindo a desenvolver como monitor desportivo de squash da AAUAv no âmbito das ACD (Atividades Culturais e Desportivas).

Para além das recentes conquistas houve outros momentos de orgulho?

Pratico a modalidade desde muito novo e, enquanto júnior, fui bicampeão nacional nos escalões etários sub 11, 15, 17 e 19. Integrei por diversas vezes a seleção nacional de juniores e venci algumas Copas Ibéricas e etapas em Portugal do circuito europeu júnior. Atualmente, sou tricampeão regional (Centro Norte Litoral), bicampeão nacional por clubes, campeão nacional universitário e, à data de hoje, ocupo o 4.º lugar do ranking nacional absoluto da Federação Nacional de Squash.

Para além da UA, representa que clube?

No campeonato nacional universitário, este ano, representarei novamente a UA. Infelizmente, em Aveiro, não temos ainda um clube propriamente dito ou reconhecido como tal. Neste contexto, nos anos de 2016 e 2017, representei o Squash Clube Olaias (Lisboa) no campeonato nacional por clubes, anos em que vencemos essa competição. Atualmente não estou a representar nenhum clube. No entanto, assumo-me como membro do UASquash (sqUAsh), um grupo autónomo de praticantes que utiliza, desde a sua entrada em funcionamento, os courts do Pavilhão Prof. Dr. Aristides Hall. Gostava muito que fosse possível proporcionar as condições necessárias para nos podermos assumir como um clube filiado na Federação. Quem sabe esta entrevista possa conduzir a isso mesmo? Até porque se trata de um processo relativamente simples, não muito dispendioso e que, de certeza, traria um retorno muito positivo.

Quantas vezes treina por semana?

Treino uma média de duas horas praticamente todos os dias, não só porque as exigências em competição nesta modalidade a isso obrigam, mas também porque treinar me dá um enorme prazer e contribui para o meu equilíbrio físico e mental. Como estudante, também aplico muito do meu tempo em trabalho intelectual que concilio, assim, com o trabalho físico. Sou adepto daquela velha máxima “mente sã em corpo são”… ao cansar o corpo descanso a mente e vice-versa.

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Jorge Monteiro treina, todos os dias, nas instalações desportivas da UA.
“Não me lembro de… não jogar!”

Como surgiu o gosto pelo squash e a vontade de competir ao mais alto nível? Com que idade começou a jogar?

Na realidade não me lembro de… não jogar! O meu pai, praticante de longa data, diz-me que comecei a jogar/treinar com três anos. De facto, quer ele quer o meu irmão mais velho já jogavam quando eu nasci, de maneira que o squash quase está nos meus genes. A vontade de competir decorre naturalmente da paixão que tenho por este desporto e da vontade de melhorar, de me aperfeiçoar, de superar dificuldades e atingir objetivos. Além disso, em Portugal, os praticantes da modalidade assumem-se quase como uma grande família que aproveita a oportunidade dos torneios e campeonatos para se rever e conviver. São sempre momentos que nos proporcionam um grande retorno a vários níveis.

Quais são as perspetivas a nível internacional?

A nível internacional, e porque não temos os apoios necessários, não vai ser possível, pelo menos este ano, competir nos Campeonatos Europeus Universitários. A FADU já informou a nossa federação de que não tem verba disponível para tal. Lamento muito, pois esse era o meu grande sonho/objetivo para este ano. Sendo estudante universitário, também não disponho do tempo livre necessário nem dos indispensáveis apoios para poder planear a participação noutras provas europeias e mundiais. No entanto, tenho isso mesmo como objetivo a médio e a longo prazo, nomeadamente após a conclusão do meu curso, esperando vir um dia a conseguir fazer o PSA (circuito mundial da Professional Squash Association).

Na sua opinião, quais as caraterísticas essenciais que deve ter um campeão de squash?

Um campeão, seja em que modalidade for, é alguém capaz de superar não só todos os adversários, mas também, essencialmente, a si próprio, dia-a-dia e prova a prova. Para isso, embora o talento natural seja um fator sem dúvida importante, o essencial é trabalho, trabalho, trabalho… No caso do squash, em particular, isto é ainda mais evidente e necessário porque se trata de um desporto muitíssimo exigente, não só a nível físico, mas também a nível mental. Temos de estar muito bem preparados nestas duas vertentes para sermos bem-sucedidos, pois, em jogo, estamos permanentemente submetidos a situações de grande exigência física e stress emocional em que a nossa capacidade de reação positiva depende essencialmente da força e resistência a estes dois níveis.

Porque decidiu vir estudar para a UA?

Como podia escolher outra universidade? Sou aveirense, a UA ministra o curso para o qual sempre me senti vocacionado, é por todos reconhecida como uma das melhores universidades do país e posso articular os estudos com os treinos, utilizando os courts que a UA disponibiliza à comunidade. Além disso, posso beneficiar ainda dos vários apoios e estímulos que a mesma oferece aos atletas/estudantes, nomeadamente a bolsa que patrocina e da qual pude já beneficiar este ano, na qualidade de campeão nacional universitário e pela participação no Campeonato da Europa ao serviço da seleção nacional de juniores sub19 que me proporcionou uma oferta no valor de 80% do montante pago a título de propinas, o que é muitíssimo bom. Cumulativamente, é um campus moderno, extraordinariamente bonito, funcional e muito bem integrado na cidade e na região. Gosto muito de estudar cá e não me imagino em qualquer outra. Isto por todas as razões atrás enunciadas e também porque é uma universidade onde, literalmente, “me sinto em casa”, inclusivamente a nível desportivo, pois treino nos courts do Pavilhão Professor Aristides Hall praticamente todos os dias.

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