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Entrevistas
Professor UA – Alfredo Rocha, Departamento de Física
Levo o guarda-chuva? Pergunte a Alfredo Rocha
Alfredo Rocha
Que tempo vai fazer amanhã? E daqui a 100 anos? Alfredo Rocha sabe as respostas. Professor no Departamento de Física (DFis) da Universidade de Aveiro (UA), onde é diretor da Licenciatura em Meteorologia, Oceanografia e Geofísica, é uma das grandes referências nacionais na área da Meteorologia e do Clima. As explicações e, sobretudo, os alertas para os efeitos nefastos das alterações climáticas trouxeram-no ultimamente para os jornais. Na UA, há 25 anos que diz aos estudantes para questionarem tudo.

Doutorado em Física/Meteorologia pela Universidade de Melbourne, foi investigador no Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation (CSIRO), também na Austrália, e meteorologista em Moçambique. Investigador do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) da UA e diretor da Licenciatura em Meteorologia, Oceanografia e Geofísica do DFis, Alfredo Rocha tem centrado a sua investigação nas áreas da Meteorologia, Climatologia, Variabilidade Climática e Modelação do Clima e Atmosfera.

Como define um bom professor?

Aquele que consegue despertar curiosidade nos alunos, que os motiva, que lhes promove a autoestima e a autoconfiança e que lhes desenvolve uma atitude crítica, mesmo cética.

O que mais o fascina no ensino?

Contribuir para a formação humana dos alunos, mais do que transmitir informação. Em tom meio a brincar, sou da opinião que os melhores professores deveriam ser os do pré-escolar, 1º ciclo, e por aí adiante. Os professores universitários têm pouca possibilidade de transformar pessoas e hoje em dia a informação está muito disponível.

Como qualifica a formação que é dada aos estudantes nos cursos do DFis?

De uma forma geral, boa. No entanto é necessário o docente adaptar-se à realidade atual e mudar os paradigmas de formação. Os alunos de hoje lidam com muita informação e fartam-se rapidamente de coisas morosas e entediantes. É preciso ‘agarrar’ o aluno à partida, por exemplo, apresentando-lhe os problemas de forma agradável e motivadora e abordando, depois, as questões com rigor científico e o formalismo matemático necessário.

Que grande conselho dá aos seus alunos?

Questionem tudo, mesmo o que vos é dito pelos vossos pais e professores.

Houve alguma turma que mais o tivesse marcado? Porquê?

Tive alunos excelentes. Muitos não o eram mas tornaram-se mais tarde quando encontraram a tal motivação. Tive outros alunos muitos inteligentes mas que deram em nada. É preciso trabalhar muito e com rigor. Não basta ter dotes. Não vou nomear nem uns nem outros. Eles sabem quem são.

Pode contar-nos um episódio curioso que se tenha passado em contexto de sala de aula ou com estudantes?

Há muitos anos, ainda era um jovem docente, entro num anfiteatro, no antigo CIFOP, cheio, com alunos sentados nas escadarias, para dar uma aula de Mecânica. Passado poucos minutos, notando alguma agitação, pergunto o que se passa. Os alunos respondem que iam ter aula de outra disciplina. Tinha-me enganado na sala.

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Para os estudantes, Alfredo Rocha deixa sempre uma lição: “Questionem tudo, mesmo o que vos é dito pelos vossos pais e professores”.

Traço principal do seu carácter

Tolerância

Ocupação preferida nos tempos livres

Desporto ao ar livre

O que não dispensa no dia-a-dia

8 horas de sono

O desejo que ainda está por realizar

Ensinar crianças. Talvez quando for avô

 

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