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Entrevistas
Professora UA – Conceição Lopes
“Ser professor é um trabalho amoroso”
Última aula de Conceição Lopes é aberta a toda a comunidade
Chegou à Universidade de Aveiro (UA) há 30 anos e dia 23 de novembro deu a sua última aula. Docente do Departamento de Comunicação e Arte (DeCA), onde tem lecionado diversas unidades curriculares dos 1º, 2º e 3º ciclos de ensino, Conceição Lopes é vista como “um ser de luz”, “um Ser Humano e uma profissional excecional, que nunca deixou indiferente quem com ela se cruzou”. A docente de Comunicação tem agora já vários projetos de ócio criativo, mas planeia acima de tudo “rir muito”.

Teorias da Comunicação; Sociologia da Comunicação; Comunicação Institucional; Projeto; Seminário; Métodos e Técnicas de Trabalho; Teoria dos Media; Media e Sociedade; Ludicidade e Produção Cultural; Expressão e Comunicação; Práticas Pedagógicas. Foram estas as unidades curriculares de licenciatura, mestrado e doutoramento por que foi responsável nesta academia, desde 1987.

Maria da Conceição Oliveira Lopes fez parte da equipa de docentes de comunicação e arte na educação, do Centro Integrado de Formação de Professores (CIFOP) que deu início à Secção Autónoma de Comunicação e Arte, mais tarde, Departamento de Comunicação e Arte. Cocoordenou a Seção Autónoma de Comunicação e Arte em dois mandatos (1993 e 1995) por nomeação do Reitor Renato Araújo. Ocupou também, por dois mandatos, funções como membro eleito do Conselho Pedagógico da Universidade de Aveiro.

O campo de estudos da pragmática da comunicação é o horizonte do seu trabalho, onde a ecologia do espírito humano, a epistemologia batesoniana, o interacionismo simbólico, a teoria orquestral da comunicação e os direitos do Homem cruzam a matriz orientadora do seu pensamento. O seu contributo conceptual original pode ser identificado, na construção do conceito de ludicidade e da teoria da ludicidade, (1998).

Doutorada em Ciências e Tecnologias da Comunicação é autora e coordenadora de vários projetos de intervenção comunitária-formação-investigação: “Scratch-Ando com o sapo” – Laboratórios sapo/UA/PortugalTelecom; “OsBonseosMausdaFita”- Cooperativa de Educação e Ensino A Torre (2011-2017); “Direitos do Homem em Ação” – Comissão Nacional para a Década dos Direitos do Homem da ONU e Civitas Nacional (2001-2010); “Arte Efémera na Paisagem, Os Espantalhos” e “Os Arquitetos do Parque de Serralves” - Fundação de Serralves (1997-2000); “Florestas em Movimento” e “Viver é Conviver, Campanha de Prevenção dos Fogos Florestais” - Direção Geral das Florestas, Ministério da Agricultura do Desenvolvimento Rural e das Pescas - projetos com o Alto Patrocínio da Presidência da República Portuguesa, Dr. Jorge Sampaio (1997-2000).

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Doutorada em Ciências e Tecnologias da Comunicação, mestre em Ciências da Comunicação, licenciada em Comunicação Social e bacharel em Educação de Infância, Conceição Lopes tem 45 anos de experiência docente, 30 dos quais na UA. (foto da autoria de António Marinho da Silva)

Que grande momento destacaria em toda a sua carreira?

Todos os momentos da minha carreira são e foram especiais.

Como define um bom professor?

A resposta a esta questão envolve a minha orientação sobre o que considero ser a missão da Universidade. A Universidade é uma instituição sem condição e no seu propósito é insubmissa, respeitadora do pensamento livre, responsável e produtor de alternativas.

Para o professor a sua missão centra-se em ensinar, e não em aprovar ou reprovar alunos, assim como a missão do aluno é aprender, e não em fazer “cadeiras”. Todos implicados no mesmo compromisso para reivindicarmos o direito inviolável a uma Universidade cuja missão é o pensamento crítico, ético, sustentado em valores de verdade, de ciência, de cultura, de cidadania, de humanidade e de democracia direcionados para o bem comum.

Ser professor de comunicação é ser empático e fazer de cada aula um lugar de encontro com os estudantes, criar um ambiente favorável à comunicação, criar e manter um foco de atenção comum, coconstruir reciprocidades e reconhecer a missão de cada um, professor e estudante.

Guiar o aluno, na aprendizagem, para que ele construa a sua formação e, simultaneamente, se liberte da dependência intelectual do professor, criada no início da relação ensino-aprendizagem, é o meu propósito.

Ser professor é trabalhar e estudar, incessantemente, com alegria, em busca do conhecimento e colocá-lo ao serviço da possibilidade do bem comum. Ser professor é um trabalho amoroso.

O que mais a fascina no ensino?

O processo da coconstrução da aprendizagem que envolve aluno-professor.

Como qualifica a formação que é dada aos estudantes no(s) curso(s) a que está (esteve) ligado?

A formação concedida em qualquer um dos cursos lecionados no Departamento de Comunicação e Arte da Universidade de Aveiro (Design, Música, Novas Tecnologias da Comunicação) e também nos cursos de educação e ensino 1º ciclo (no que à área de comunicação e arte na educação diz respeito) permite responder às exigências dos novos paradigmas da sociedade deste século. É uma formação que concretiza a transdisciplinaridade entre os campos da comunicação, da arte, da tecnologia e da ludicidade, enquanto base de uma cultura comum, e identificadora da especificidade da formação em comunicação.

Que grande conselho daria aos (seus) alunos?

Ah! Uma orientação útil. A assiduidade às aulas e o trabalho e estudo incessante a par e passo com a convivialidade entre amigos. Nada há de mais prático do que uma boa teoria, bem como uma boa teoria para incrementar aprendizagens e mudanças na prática. Neste sentido, a assiduidade às aulas, teóricas e teórico – práticas, não são dispensáveis num percurso académico bem sucedido.

Houve alguma turma, grupo de alunos ou aluno(a) que mais a tivesse marcado?

Todas as turmas, todos os grupos, todos os alunos, cada um deles, são marcos na minha vida. 

Lembra-se de algum um episódio curioso que se tenha passado em contexto de sala de aula ou com estudantes?

Quando um grupo de estudantes em situação de pseudo acolhimento praxista se virou a mim por ter interrompido um ritual de abuso de poder e de  humilhação a alunos recém-chegados à Universidade. Não sabendo quem eu era ameaçaram fazer-me o mesmo. Enfrentei-os levantando-lhes a voz. No entretanto, outros estudantes dando conta do que se passava, juntaram-se e vencemo-los.

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Traço principal do seu caráter

Os outros que o digam :-) eu depois confirmarei ou não :-)

Ocupação preferida nos tempos livres

Namorar com os meus amores; ler; yoga; caminhada; contemplação da natureza, desenhar e cuidar da horta; observar as crianças a brincar sem a intervenção dos adultos.

O que não dispensa no dia-a-dia

Uma boa gargalhada e brincar

O desejo que ainda está por realizar

Aqueles que já saltam como pipocas na frigideira

Que projetos tem em mente agora que vai abandonar a UA?

São muitos. Todos eles inseridos na lógica do ócio criativo. Durante o próximo ano, para além de continuar a fazer o que já fazia, investigação-intervenção; publicar; aprofundar os conhecimentos sobre o yoga. Aprender a tocar acordeão, ando à procura de um professor (se souberem de algum em Lisboa, agradeço). Dedicar-me ao coach educacional  e rir muito :-)

O que dizem os colegas e antigos alunos

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Rui Raposo, diretor do DeCA

“As aulas e a postura da Conceição Lopes como docente e investigadora da Universidade de Aveiro parecem inspiradas no poema de Dylan Thomas "Do not go gentle into that good night”. Em cada aula, em cada conversa e em cada discussão somos desafiados a desenvolver o nosso pensamento crítico e a questionar não apenas o passado, mas também o presente e o futuro. A cada interação somos convidados à participação na missão da universidade. Obrigado Conceição.”

 

 

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Inês Guedes de Oliveira, docente do DeCA

“Falar da Conceição Lopes, colega e amiga desde 1989, é falar de um Ser Humano e de uma Profissional excecional, que nunca deixou indiferente quem com ela se cruzou. Pelo seu caráter único de integridade, pelo sentido de responsabilidade apurado, pelo rigor com que pautou toda a sua carreira profissional de professora, investigadora, orientadora e nos cargos de direção que exerceu, deixou marca e fez Escola. Falar da Conceição é falar de lealdade e de amizade incondicional, de luta, de preocupação com os outros e com o mundo, com o Direitos Humanos e com a justiça social.”

 

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Francisco Colombo Lôbo foi aluno de Conceição Lopes na Unidade Curricular de Teoria dos Media, no Mestrado em Comunicação Multimédia

“A professora Conceição sempre foi uma pessoa muito amável e acolhedora, mas descobri a sua genialidade numa reunião, ainda no decurso da componente curricular, quando ela me inundou de ideias para a dissertação. Mais tarde acabou por se confirmar a orientação. Devo dizer que, para mim, não poderia ter havido melhor sorte. Juntamente com o professor António Valente tive uma orientação valiosa, que me conduziu com sucesso para a conclusão do Mestrado. Definir a Professora Conceição numa curta frase é uma tarefa hercúlea. Conceição Lopes é um ser de luz!”

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