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Entrevistas
Antigo aluno UA - João Santos, licenciado em Bioquímica e mestre em Biotecnologia
Chegar, ver e vencer com uma sidra fresquinha na mão!
João Santos
Na Universidade de Aveiro (UA), à Licenciatura em Bioquímica juntou o Mestrado em Biotecnologia. Terminou a formação há um mês e a Vadia já o contratou. Chama-se João Santos e durante o estágio curricular que fez nessa microcervejeira propôs a produção de uma sidra de maça. Nos ingredientes usou as matérias primas descartadas pela Indumape, uma empresa de sumos concentrados. A receita é um sucesso!

Terminou o curso, conquistou um trabalho e uniu duas empresas. Com o feito, o João Santos é mais um exemplo de uma colaboração bem-sucedida de duas empresas diferentes, neste caso a Vadia e a Indumape, que se juntaram através de um trabalho de um estudante da UA para trazer um novo produto para o mercado. Licenciado em Bioquímica e mestre em Biotecnologia no ramo Alimentar, formações tiradas no Departamento de Química da UA, o João Santos tem 25 anos e é na indústria cervejeira que quer fazer carreira.  

Como surgiu a oportunidade de na sua dissertação de Mestrado desenvolver para a Vadia uma sidra a partir do concentrado do sumo de maçã produzido pela Indumape?

Estavam a ser formadas ideias com o objetivo de se valorizar – a partir do reaproveitamento – um subproduto agroalimentar, proveniente da indústria de produção do concentrado de sumo de maçã, chamado de retentato. Foi então pensado o desenvolvimento de uma sidra a partir do concentrado de sumo de maçã e do retentato utilizando o know-how da produção da cerveja artesanal e aplicá-lo no contexto da produção de sidra. Era então necessária a colaboração de uma empresa cervejeira e, sendo a cerveja Vadia pioneira na produção de cerveja artesanal, apresentei-lhes a ideia que foi prontamente aceite pelos mesmos.

Essencialmente, a oportunidade surgiu através de uma autoproposta para um estágio curricular nesta empresa. Afim de se iniciar a produção da primeira sidra artesanal portuguesa, foi proposta uma parceria à Indumape, uma das principais empresas produtoras de concentrado de sumo de maçã em Portugal.

O João é um exemplo de uma colaboração bem-sucedida de duas empresas diferentes que se juntaram através de um trabalho de um estudante da UA para trazer um novo produto para o mercado. Como foi estar à frente dessa missão?

Há sempre um misto de sentimentos envolvidos. É gratificante, mas a responsabilidade da tarefa é grande. Contudo sempre gostei de desafios e foi com enorme orgulho que, enquanto estudante, tive a oportunidade de estar à frente de um projeto como este.

Penso que, de certa forma, a própria UA estimula os seus alunos para que sejam proactivos, gerando um potencial empreendedor nos mesmos pois, através da reconhecida importância destas parcerias entre a UA e as empresas, possibilita aos estudantes assumir este tipo de responsabilidade, sempre com o apoio dos docentes e orientadores. Esta visão mostra aos alunos que estes devem ter confiança neles mesmos, acreditar nas suas capacidades e que são aptos para executar estes projetos. Isto foi o que eu senti.

Fruto do bom trabalho que realizou, acabou por ser contratado pela Vadia. Como descreve a sua atual atividade profissional?

Sinto que estou inserido num bom ambiente profissional, que estou rodeado de pessoas que me fazem crescer pessoalmente e profissionalmente todos os dias. Sendo este o meu primeiro contrato profissional tenho aprendido imenso, não só com os outros, mas também com os próprios erros.

O que mais o fascina na sua atividade profissional?

Uma das questões que mais me fascina no meu trabalho na microcervejeira Vadia é a constante procura por soluções aos desafios com que nos deparamos dia a dia, seja por assuntos inerentes ao facto de ser uma pequena/média empresa, como pela atenção à inovação e à procura do desenvolvimento de novos produtos. Além de que o facto de estar a trabalhar na área cervejeira é, para mim, uma enorme motivação pois é uma área na qual gostava de continuar a trabalhar no futuro.

descrição para leitores de ecrã
Entrou na UA para o curso de enfermagem. Mas “a vida dá muitas voltas”. Hoje é na produção de novas cervejas e sidras que quer fazer carreira

Que competências adquiridas na UA entende terem sido fundamentais para o exercício da sua atual atividade?

De todas as capacidades que aprendi ao longo do meu percurso na Universidade de Aveiro posso indicar duas vertentes. A primeira, académica, prende-se com o facto de tanto na licenciatura em Bioquímica como no Mestrado em Biotecnologia Alimentar, haver uma forte componente de trabalho prático e laboratorial, preparando-me com conhecimentos científicos que me permitiram sentir confortável e confiante num meio empresarial que acarreta maiores responsabilidades. A segunda vertente prende-se com todas as atividades extracurriculares cuja aquisição ou melhoria das minhas soft skills permitiu diminuir o impacto e a dificuldade de adaptação universidade-empresa, fazendo assim de mim um melhor profissional.

Quais os motivos que o levaram a estudar na UA?

Sou originalmente da cidade de Castelo Branco e a minha escola organizou visitas a várias universidades por todo o país. Tinha ouvido falar pouco da UA, principalmente devido à distância espacial, mas decidi analisar todas as opções possíveis pois sempre considerei a formação como um pilar basilar na minha vida. Quando visitámos a bela cidade de Aveiro fiquei fascinado pela mesma, ainda sem ter conhecido a Universidade. Rapidamente descobri que esta era considerada uma das melhores universidades do país, com uma forte aposta na curiosidade pelo mundo e consequente investigação de várias temáticas, uma muito boa qualidade na formação académica, com uma enorme taxa de empregabilidade e, uma coisa muito importante para mim, era uma universidade jovem, isto é, apostava nas tecnologias e infraestruturas atuais.

O curso correspondeu às suas expectativas?

Sim, correspondeu plenamente! A licenciatura em Bioquímica é um curso excecionalmente bem conseguido pois, por abranger diversas áreas científicas, permite obter conhecimentos num vasto leque de especialidades o que, no meu caso, me ajudou aquando da escolha de uma especificação no mestrado. Em ambos os ciclos de estudo tive professores incríveis – exigentes, porém acessíveis – que acima de tudo tinham uma enorme vontade de transmitir a sua arte, sendo este gosto pelo ensino contagiante. Também nos dois ciclos fiquei agradavelmente surpreso por serem cursos que conseguem aliar componentes teóricas com as partes práticas e laboratoriais, sendo isto uma mais valia na transição para um ambiente empresarial e profissional, ou não fosse o lema da UA “Theoria Poiesis Praxis”.

E a UA?

Relativamente à UA em si, fiquei imensamente satisfeito com a minha experiência, não só pela vertente académica, mas também por todas as atividades extracurriculares que me proporcionou (quer ao nível de formação de conhecimento como noutras formações igualmente importantes) o que me ajudou a desenvolver as minhas soft skills. Acho que é também importante referir que o forte associativismo de qualidade presente na UA, permite aos alunos (e eu não fui exceção) criar uma forte interação ente aluno-aluno, aluno-docente, aluno-empresas e na organização de eventos, o que é muito importante na entrada do mundo laboral.

O que mais o marcou na UA?

Penso que não será possível precisar o que mais me marcou na minha estadia na UA. Este é um dos casos que o todo é definitivamente maior que a soma das partes. Conheci pessoas excecionais em todos os campos da vida, académica e não só. Apenas tenho que deixar uma palavra de profundo agradecimento a todos os que tornaram esta jornada mais fácil e, não menos importante, às pessoas a quem nem sempre foi possível tornar o meu caminho mais fácil, pois tornaram-me mais apto para o futuro

Sempre soube a profissão que queria seguir?

Estranhamente, não. No primeiro ano que ingressei na UA, não foi no curso de Bioquímica, mas sim na Licenciatura em Enfermagem, pois a minha ideia inicial seria a de mais tarde concorrer ao curso de Medicina por titulares do grau de licenciado.

Contudo, a sabedoria popular é certa nas suas máximas argumentativas pois, efetivamente, “a vida dá muitas voltas”. A meio do primeiro ano apercebi-me que talvez não fosse isto que eu queria para o meu futuro. Foi então que decidi concorrer ao curso de Bioquímica pois, além de sempre ter tido um enorme fascínio pela investigação científica, as características da licenciatura (como já referi anteriormente) possibilitam a escolha entre um maior número de áreas de especialização. Foi aqui que me comecei a interessar especialmente pela área alimentar. 

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