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Opinião
Gabriela Portugal, especialista em educação de infância da Universidade de Aveiro
O meu bebé entrou na creche! Vai adaptar-se bem?
Gabriela Portugal
Que mundo emocional se abre ao bebé com a entrada na creche? Sentimentos de insegurança e ansiedade são normais? Como devem instituições, educadores e pais apoiarem a criança? Em artigo de opinião, Gabriela Portugal, investigadora no Centro de Investigação Didática e Tecnologia na Formação de Formadores da Universidade de Aveiro, dá algumas dicas fundamentais para primeiros dias do resto da vida dos bebés na creche.

A partir do momento em que um bebé é confiado a alguém que não os pais, experienciando um contexto diferente e não familiar, perde os seus pontos de referência e daí advém uma certa inquietude, se não mesmo sofrimento.

Embora algumas crianças pareçam lidar bem com situações e pessoas novas, a maior parte delas, tal como os adultos, experienciam sentimentos de incerteza e ansiedade perante o que é novo e diferente daquilo a que estão habituadas.

Habitualmente, entre os 8-9 meses de idade e o final do segundo ano de vida, a relutância em deixar os familiares pode ser maior (mesmo na criança que já frequentava a creche e que até aí ficava sem dificuldade) porque a força da relação de vinculação é muito significativa. É comum que a criança proteste, chore e se agarre aos pais ou outras figuras afetivamente mais significativas.

O que está em causa é lidar com o novo e discrepante em relação ao que a criança conhece bem e viver a separação das figuras de vinculação, as suas principais fontes de segurança.

A confiança e comunicação clara e aberta entre profissionais e familiares facilita a transição/adaptação da criança, da família e do próprio serviço. A ideia de “adaptação” envolve não só o modo como a criança experiencia o novo contexto, mas também o modo como este se organiza (se adapta) para responder adequadamente às necessidades das crianças e suas famílias.

A capacidade da creche se adaptar e responder bem às particularidades de cada criança é um elemento determinante na forma como esta experiencia a situação. A este nível, é importante a disponibilidade de figuras de referência, que assegurem interações mais individualizadas, caracterizadas por maior intimidade e cumplicidade. Ninguém conhece melhor o sistema de comunicação de uma criança como aquela pessoa que estabelece com ela uma ligação mais próxima e consistente.

Em creches de elevada qualidade, onde a criança conhece interações sensíveis, estimulantes e promotoras de autonomia, ainda que a maior parte das crianças não deixe de sentir dificuldades na separação e adaptação, estas esbater-se-ão mais rapidamente com o decurso do tempo, surgindo claros sinais de bem-estar. Se tudo correr bem, na entrada para o jardim de infância, estaremos perante um cidadão de 3 anos que revela segurança, uma boa autoestima, curiosidade e um forte ímpeto exploratório, competências sociais e comunicacionais que lhe permitirão enfrentar bem a nova aventura que é a entrada no jardim de infância.

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