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Entrevistas
Fundador do Departamento de Cerâmica e Vidro da UA coordena CEBAL em Beja
João Lopes Baptista: um pioneiro
João Lopes Bsptista fui fundador do Departamento antecessor do atual DEMAC
João Lopes Baptista iniciou a atividadeda UA na área da Cerâmica e Vidro, respondendo à identificada necessidade de técnicos na indústria da região. Numa marca que ainda hoje define a academia aveirense, a estreita relação com a região e os agentes económicos, através da Associação de Apoio à Cerâmica (envolvendo a UA e 25 empresas), possibilitou o apetrechamento da unidade orgânica, o então Departamento de Cerâmica e Vidro (hoje, DEMaC). As parcerias com as universidades de Sheffield e Leeds, foram também centrais na formação de docentes e investigadores.

Anos depois, a atividade científica do Departamento na investigação e na interação com a indústria foi classificada como excelente por sucessivas avaliações a cargo de avaliadores internacionais. João Lopes Baptista foi homenageado na sessão de comemoração dos 40 anos do DEMaC que decorreu a 12 de abril.

Sendo, na ocasião, Professor Auxiliar na Universidade de Coimbra, em Química, porque aceitou o desafio de vir para a UA trabalhar numa área com a qual não estava tão familiarizado (Materiais)?

Na realidade tratava-se mais especificamente de Materiais Cerâmicos em que o distrito de Aveiro era dos que tinha maior concentração de indústrias cerâmicas. Vir para uma universidade nova iniciar um Departamento foi, sem dúvida, entusiasmante.

Esteve a especializar-se, durante um ano, na Universidade Sheffield (e Leeds). Quer fazer uma comparação entre a realidade científica, na área dos Materiais, que encontrou em Sheffield e o panorama em Portugal, na mesma área?

Estive na Universidade de Sheffield e mantive contactos estreitos com a Universidade de Leeds. A Universidadede Aveiro tinha contratado alguns licenciados que iniciaram nessa altura doutoramentos nessas universidades em áreas de interesse mútuo. Duma forma geral, a atividade científica em Portugal, há 40 anos, era relativamente embrionária, quando comparada com a de outros países europeus mais desenvolvidos.

Quando regressou à UA, quais foram os pilares em que fundou a sua ação para criar o Departamento de Cerâmica e Vidro? Quis fazê-lo à imagem do que encontrou em Sheffield?

Não exatamente. Na Universidade de Aveiro deu-se uma maior ênfase às denominadas cerâmicas tradicionais e às relações com as indústrias respetivas.

Como foi possível começar uma atividade científica, com ensino, investigação e ligação à sociedade (empresas), a partir do zero, e conseguir a excelência nas várias avaliações internacionais poucos anos depois?

Foi pela determinação e esforço coletivo de todos os professores e investigadores do Departamento.

Para além da criação do Departamentode Cerâmica e Vidro e da investigação em Materiais na UA, o Professor foi um dos fundadores da ligação da UA às empresas. Como foi possível essa relação tão próxima e quais os resultados dessa aproximação no ensino e investigação da UA?

Foi muito facilitada pela estrutura que se concebeu para o curso que, por exemplo, privilegiou estágios de todos os alunos em empresas, com orientação conjunta de docentes e de engenheiros fabris. A criação da Associação de Apoio à Cerâmica, associação de empresas que se constituiu para apoiar as atividades de investigação/desenvolvimento industrial foi também de enorme importância. Apoiou, por exemplo, a aquisição do primeiro microscópio eletrónico de varrimento da universidade.

Após ter iniciado a área de Materiais na UA e após a sua aposentação, criou o Centro de Biotecnologia Agrícola e Agro-Alimentar do Alentejo (CEBAL), em Beja, centro que tem parceria da UA. Não vira a cara a desafios…

Não o encaro dessa forma. Surgiu naturalmente a compreensão da necessidade de atrair para a região bons investigadores que ajudassem a criar uma visão estratégica para a valorização, através do conhecimento científico, dos seus recursos naturais. Contando com o importante apoio financeiro de diversas entidades e individualidades da região e do país que, nessa altura, se constituíram como sócios fundadores, constituiu-se o CEBAL. Note-se que mesmo em 2013 a Região, que contribui com cerca de 7% do PIB nacional, captou apenas 1,4% do total do financiamento atribuído nacionalmente aprojetos de I&D, por parte da Fundação para a Ciência e a Tecnologia.

(Texto publicado na revista Linhas nº 27)

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