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Investigação
Impactos dos incêndios no ciclo do carbono vão ser estudados no CESAM
Projeto da UA quer quantificar efeitos indiretos dos incêndios em pinhais
Projeto FIRE-C-BUDs decore até junho de 2019
O dióxido de carbono fixado pelas plantas, via fotossíntese, após um incêndio num pinhal, ainda será mais significativo do que o carbono que se perde, por exemplo, via degradação da madeira ou erosão das camadas mais superficiais do solo? Para encontrar resposta para esta questão e quantificar outros efeitos indiretos dos incêndios num pinhal, o Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) realiza o projeto FIRE-C-BUDs.

Como se relacionam os incêndios, durante e depois de aconteceram, com o ciclo do carbono e, portanto, com o aquecimento global? Qual será o balanço no ciclo do carbono após incêndio, sabendo que a quantidade de coberto vegetal e, logo, de realizar a fotossíntese fica diminuída e que a degradação da matéria orgânica queimada e a erosão (mais acentuada após incêndio) são fatores associados a perdas e transferências de carbono, nomeadamente matéria orgânica levada pelas águas das chuvas e pelo vento. E que impactos têm estes fenómenos nos cursos de água?

Estas são questões que o investigador Jan Jacob Keizer, do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar, laboratório associado da UA, pretende ver clarificadas com o projeto FIRE-C-BUD, “Efeitos indiretos de incêndios florestais nos fluxos e no balanço de carbono”

O projeto, portanto, baseia-se na convicção de que os impactos de incêndios florestais no sequestro de carbono e, em particular, os impactos indiretos que decorrem após o próprio incêndio ainda são pouco conhecidos. Especialmente os fluxos de carbono por escorrência superficial (erosão) e por respiração do solo e fotossíntese são mal estudados, nomeadamente durante os primeiros tempos após incêndio e em escalas maiores, além de pontuais. Assim, não é de todo claro, se e durante quanto tempo após um incêndio, uma floresta emite carbono em vez de sequestrá-lo, como é tipicamente assumido nos modelos climáticos utilizados para previsões de alterações climáticas, afirma o investigador.

O projeto FIRE-C-BUDs tem como objetivo principal esclarecer a atual lacuna no conhecimento dos fluxos de carbono em áreas florestais recentemente ardidas, combinando cinco metodologias complementares e, em comparação com estudos anteriores, acrescentando duas componentes novas (ao nível de fotossíntese da planta e exportações de carbono por escorrência superficial do solo). Assim, em concreto, procura-se quantificar:

(i) as quantidades de carbono armazenadas na vegetação e no solo em três ocasiões, logo e um e dois anos a seguir ao incêndio;

(ii) as perdas semanais de carbono por escorrência superficial;

(iii) as taxas mensais de respiração do solo e de fotossíntese;

(iv) os balanços de carbono diário e mensal, baseado em medições por vórtices turbulentos.

O projeto FIRE-C-BUDs irá comparar três locais de estudo muito próximos, dois dos quais ardidos por um incêndio durante o verão de 2017, a baixa e alta severidade, e o terceiro nas imediações desta área ardida. Idealmente, os três locais de estudo serão plantações de pinheiro bravo, por questões técnicas relacionadas com o sistema de medição por vórtices turbulentos.

Os consultores internacionais, Thomas Foken (professor da University of Bayreuth, Alemanha) e Penelope Serrano Ortiz (professora da Universidade de Granada, Espanha) são elementos chave da equipa, pela sua vasta experiência em medições por vórtices turbulentos, inclusive em terreno complexo, como é o caso do FIRE-C-BUDs. O projeto FIRE-C-BUDs conta com cofinanciamento do Programa COMPETE 2020 no âmbito do Sistema de Apoio à Investigação Científica e Tecnológica, SAICT - Projetos de IC&DT - PIC, envolvendo um Investimento elegível de 199 mil euros, que resultou num Incentivo FEDER de 169 mil euros.

Os trabalhos terminam no verão de 2019.

Mais informação: http://www.poci-compete2020.pt/noticias/detalhe/Proj16780-FIRE-C-BUDs

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