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Divulgação de Ciência
“Terra à Vista”, manual escolar de Ciências Naturais do 6º ano, da Porto Editora
Fernando Correia ilustra novo manual escolar
Fernando Correia ilustra novo manual escolar da Porto Editora
Fernando Correia, diretor do Laboratório de Ilustração Científica (LIC) do Departamento de Biologia (DBio) da UA, é, de novo, ilustrador do “Terra à Vista”, manual escolar de Ciências Naturais do 6º ano, projeto da equipa de autores liderada por Lucinda Motta e Maria dos Anjos Viana, da Porto Editora.

Esta é a natural continuidade de uma colaboração que começou em 2015 e teve como corolário o Terra à Vista (5º ano), o segundo manual escolar de Ciências Naturais mais adoptado em 2016, por todas as escolas do continente e ilhas. “Uma forma pioneira e interessante de melhor comunicar ciência a públicos-alvo bastante jovens, que estarão na base das novas gerações de investigadores, e de, simultaneamente, levar mais longe o nome DBio e da UA, enquanto a instituição de ensino superior capaz de fornecer a melhor e mais credível formação superior em Ilustração Científica”, considera o diretor do DBio, Amadeu Soares.

Fernando Correia produziu ao todo, e para este novo manual elaborado por Lucinda Motta, Maria dos Anjos Viana, Ilídio Costa, José Barros e Rui Santos, mais de 225 ilustrações compostas, distribuídas ao longo de 122 das suas 240 páginas. Estas composições resultaram do uso de mais de 1525 ilustrações científicas individuais criadas pelo biólogo e sua equipa, ao longo de 6 meses de trabalho intensivo.

Segue assim a tendência observada na edição do 5º ano do “Terra à Vista”, em que a fotografia ocupa um espaço vital menor de apenas 23% do total de 2000 imagens individuais que compõem esta obra, e onde várias ilustrações ganham destaque de uma página ou mesmo de um plano inteiros (duas páginas), um feito que era impensável de implementar nos manuais de há duas décadas atrás.

Aprender por processo intuitivamente natural e motivador

A razão é simples, refere Fernando Correia: “Uma fotografia é holística, isto é, não sendo manipulada e trabalhada, conserva o que se quer mostrar e o que, por vezes, não deveria aí ser apresentado e que pode funcionar como um distrator. Pelo contrário, a ilustração científica é estrategicamente pensada e desenhada de raiz, interpreta visualmente a realidade do conhecimento cientifico atual, cria enfoque específico no que se pretende transmitir através da retórica visual, elimina ruido e distratores visuais, e procura o estabelecer de relações entre conteúdos”. Aprender através das mensagens codificadas nas ilustrações científicas torna-se assim num processo intuitivamente natural e motivador para a criança, estimulando a sua capacidade de abstração, ao mesmo tempo que cria fascínio, gera curiosidade e impulsiona a assimilação de novos conhecimentos, consolidando os pré-existentes e articulando ambos. Além de ser um documento de informação é também uma ferramenta didática que permite a exploração.

Fernando Correia considera que, mercê de muito do seu trabalho formativo, bem como de outros profissionais, as ilustrações científicas são hoje já vistas como elementos de crucial valor pedagógico, que funcionam como verdadeiros agentes modeladores, na medida que predispõem e sensibilizam o aluno para uma determinada problemática descrita no texto de apoio do manual escolar. Funcionalmente, são ainda amplificadores da perceção de uma realidade, tornando-a mais, clara, evidente e/ou incisiva — fenómeno este que é de vital importância para o professor e pedagogo que utilizam as ilustrações científicas como ferramentas pedagógicas de exploração e consolidação do conhecimento científico.

“Penso que a decisão da Porto Editora, de estrategicamente investir na ilustração científica para visualmente acompanhar os conteúdos dos manuais escolares e assim me convidar para assumir e liderar essa enorme responsabilidade, foi uma aposta ganha logo na edição do Terra à Vista do 5º ano, em 2016“, afirma o responsável pelo Laboratório de Ilustração Científica/LIC da UA, sublinhando: “ Os números são peremptórios e este projeto editorial que ilustrei teve, no ano passado, a aceitação de 249 escolas, num universo de 1133 espalhadas por todo o território nacional, continente e ilhas. Isto representa 22% de todas as adoções observadas do cumulativo dos oito diferentes manuais que, para este ano letivo, se submeteram ao escrutínio de apreciação pelos conselhos pedagógicos das escolas não-agrupadas ou em agrupamento, para escolherem aqueles que seriam os mais adequados em contexto educativo.

Ilustração Científica na UA –  que papel no futuro das novas gerações?

A edição do manual escolar Terra à Vista (5º ano) foi assinalada na celebração das comemorações dos 40 anos do DBio, como disso faz menção o frontispício dessa obra. Refere, a propósito, o seu diretor, Amadeu Soares: "o DBio, ao longo dos seus 40 anos de história, tem sabido adaptar-se e, mesmo, antecipar novos desafios e oportunidades. O aparecimento da nossa formação em Ilustração Científica, uma aposta ganha desde há cerca de seis anos, tem dado muitos frutos, sendo este provavelmente um dos mais emblemáticos. Ter um dos nossos docentes convidado para continuar a assumir a ciclópica tarefa de ilustrar na íntegra todo um manual e dar continuidade ao projeto de edição escolar Terra à Vista, também na nova edição do 6º ano, é um acontecimento que indiretamente valida e consolida a pertinência do trabalho que aqui desenvolvemos, na componente da Comunicação e da Ilustração Científica, levando ainda mais longe o nome DBio e da UA."

Fernando Correia é biólogo e um dos mais reconhecidos, nacional e internacionalmente, ilustradores científicos portugueses, tendo iniciado a atividade em 1988. É também um dos poucos investigadores que procura enquadrar o valor deste domínio no denominador comum que é a comunicação científica na vertente da imagem desenhada, razão pela qual uma das suas grandes preocupações é a formação de novos profissionais da ilustração e, paralelamente, das novas gerações vindouras de investigadores, procurando modelos que maximizem a aprendizagem e consolidação do conhecimento ao nível das Ciências Naturais. 

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