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Entrevistas
Antigo aluno UA – Miguel Conde, licenciado e doutorado em Biologia
“Tenho uma das melhores e mais entusiasmantes profissões”
Miguel Conde
Em criança queria ser cientista, de preferência daqueles ‘malucos’ que via nos desenhos animados. A maluqueira deu lugar a outra certeza: iria ser investigador nas áreas da Saúde e da Biologia Celular. Licenciado e doutorado em Biologia pela Universidade de Aveiro (UA), Miguel Conde cumpre hoje o sonho de menino. Cientista na Ablynx, empresa de referência mundial na área da Biofarmacêutica, aos 36 anos Miguel Conde coordena equipas que investigam e desenvolvem os medicamentos do futuro.

Terminou a Licenciatura em Biologia em 2002 e abraçou de imediato o Doutoramento em Biologia, numa colaboração entre a UA e a Universidade de Sheffield (Reino Unido), onde estudou a regulação de um dos mecanismos de controlo da qualidade da replicação e de danos do ADN. Durante este período, criou juntamente com alguns colegas a empresa de biotecnologia Prot@tech, um projeto entretanto extinto por falta de disponibilidade dos parceiros, isto apesar de ter conquistado alguns prémios. 

Em 2008, em fase de terminar o doutoramento, teve oportunidade de trabalhar no laboratório portuense da Ablynx, a empresa de biotecnologia belga que desenvolve Nanobodies (fragmentos de anticorpos, derivados de camelídeos) para fins terapêuticos. Neste momento, desde há 5 anos, Miguel Conde está na sede da Ablynx, em Gent (Bélgica), onde desempenha funções de cientista na coordenação tanto de projetos de investigação e desenvolvimento, como de investigadores da equipa de Biologia Celular.

Quais os motivos que o levaram a estudar na UA?

Desde que me lembro, sempre quis ser cientista, dentro do universo dos cientistas "malucos". À medida que fui crescendo, comecei a definir mais a minha área de interesse no contexto de investigação em saúde e da biologia celular. Nesta lógica, sendo eu natural de Aveiro, depois de alguma reflexão e não querendo sair da cidade, concluí que o curso de Biologia na UA poderia ser ideal para me oferecer as bases para dar o primeiro passo nesta área.

O curso correspondeu às suas expectativas? E a UA?

Sim, visto que o curso me deu uma base geral sólida que depois pude usar no seguimento do meu percurso académico.   A Universidade também, pelo facto de nos oferecer as condições para nos desenvolvermos humana, social e intelectualmente.

O que mais o marcou na UA?

Foram dois os aspectos que mais me marcaram. Primeiro, o dinamismo e juventude que se sentiam no campus permitindo haver imenso contacto inter-departamental e entre os estudantes, lançando bases para bastante oferta lúdica/cultural de interesse académico. Segundo, a forma bastante saudável com que a integração (praxe) decorreu, permitiu com que a transição para o meio universitário fosse bem mais fácil e o ambiente no curso fosse muito bom. Em 1998 tivemos mestres de curso que estiveram preocupados na nossa efetiva integração. A eles, já agora, um obrigado!

Sempre soube a profissão que queria seguir?

Como referi, desde pequeno que sempre me imaginei como cientista, apesar de passar por uma fase em que considerei ser astronauta (como muitos outros miúdos). No entanto, o fascínio pela descoberta, a experimentação e a necessidade de alguma criatividade foram-me puxando para o laboratório.

Como descreve a sua atividade profissional?

Como uma das melhores e mais entusiasmantes profissões que se pode ter. Por um lado, o facto de poder trabalhar em equipa para alcançar um objetivo comum permite o contacto humano diário e sentido de grupo que por vezes falta na investigação académica. Por outro lado, o facto de o trabalho que desenvolvemos poder resultar em melhorias significativas da qualidade de vida de muitas pessoas e podermos ver esse resultado num tempo de vida profissional ativa, é extremamente estimulante.

O que mais o fascina na sua atividade profissional?

A oportunidade de aprender algo novo todos os dias e de podermos desenvolver as nossas próprias hipóteses para resolução de problemas, experimentá-las e assim fazer o mundo "pular e avançar".

Que competências adquiridas na UA entende terem sido fundamentais para o exercício da sua atual atividade?

A sensibilização para abordagens pluri-disciplinares que, por exemplo, o 1º ano comum nos ofereceu com bases não apenas focadas na nossa área de estudo. Penso que esta é peça fundamental para o sucesso, fazendo com que desenvolvamos uma consciência alargada do conhecimento.

Para além disso a consciência do conhecimento ao serviço da comunidade, já que muitas atividades sociais e de investigação académica da universidade se viram para uma visão bastante comunitária local. Aqui importa salientar que no fundo o conhecimento surge da cultura local e ao mesmo tempo, adaptando-se a ela, ajuda-a a evoluir. Este conceito aplica-se tanto a pessoas como a bens imateriais. E este é um dos pontos que a UA tem a seu favor.

Ambas as competências têm sido muito importantes na adaptação às culturas e formas de trabalhar por onde tenho passado.

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